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Úlceras de Pressão: Um desafio no cuidado do paciente acamado

Artigo por Colunista Portal - Educação - quarta-feira, 30 de junho de 2010

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  Úlceras de Pressão: Um desafio no cuidado do paciente acamado.

Enf.ºAlisson Daniel Fernandes da Silva

Uma das principais complicações que acometem os pacientes acamados são as úlceras de pressão, chamadas anteriormente de escaras, úlceras de decúbito ou ainda úlceras por compressão. Segundo Silva (2007, p. 317), úlceras por compressão são lesões decorrentes de hipóxia celular, levando a necrose tecidual. É decorrente da interrupção do suprimento sanguíneo em determinada região, por um tempo prolongado, devido à pressão aumentada nesta área.

As úlceras de decúbito se desenvolvem quando há uma compressão do tecido mole contra uma proeminência óssea e uma superfície dura por um tempo elevado. Os pacientes acamados permanecem muito tempo em uma determinada posição, prejudicando assim a circulação sanguínea nesta área, e consequentemente, ocorre a formação desta lesão.

Três fatores importantes são avaliados em relação a etiologia das úlceras de pressão, são eles:

Ø  Intensidade da pressão: relacionada com a pressão aplicada nas áreas corporais causando o fechamento total dos capilares, evoluindo para anóxia tecidual.

Ø  Duração da pressão: importante aspecto no processo de formação da úlcera e principal fator relacionado com a assistência de enfermagem direta ao paciente.

Ø  Tolerância tecidual: influenciada pela capacidade da pele e das estruturas adjacentes em realizar a redistribuição do peso imposto à área pressionada. Outros fatores como fricção, umidade, suporte nutricional abaixo das necessidades e cisalhamento são outros fatores que afetam a tolerância tecidual.

No processo de formação da úlcera de pressão os seguintes aspectos são importantes na formação da úlcera de pressão:

Ø  Faixa etária;

Ø  Nível de consciência;

Ø  Procedimentos cirúrgicos com duração superior a quatro horas;

Ø  Tabagismo;

Ø  Incontinência urinária e fecal;

Ø  Hipotensão arterial;

Ø  Mobilidade reduzida;

Ø  Uso de medicamentos;

Ø  Doenças associadas como: acidente vascular cerebral, lesão da medula espinhal, diabetes entre outras.

As principais alterações fisiológicas estão relacionadas com a obstrução do fluxo sanguíneo em determinada área levando a isquemia tecidual. A área de isquemia leva aproximadamente três horas para tornar esta lesão irreversível, porém se esta área sofrer uma descompressão, o organismo começa a recuperar esta área afetada. 

Para avaliação da úlcera de pressão, é necessário realizar um levantamento dos principais fatores de risco que possam estar predispondo este paciente à formação da lesão. O exame físico detalhado e geral deve ser realizado pelo enfermeiro buscando informações clínicas do paciente e sobre a aparência da lesão.

Na avaliação da ferida devemos avaliar a gravidade da lesão, a profundidade, a presença de eritema, necrose tecidual, verificar se existe comprometimento muscular, do tecido ósseo e das estruturas adjacentes.

A National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), entidade norte-americana que define quatro estágios para a evolução das úlceras de pressão:

Ø  Estágio I: a pele apresenta uma área com hiperemia que não regride mesmo após o alívio da pressão e há um discreto edema.

Ø  Estágio II: Ocorre a lesão das camadas da epiderme e derme com perda parcial do epitélio, apresentando ainda abrasão e bolhas. É uma úlcera dolorosa devido às terminações nervosas presentes nesta camada.

Ø  Estágio III: a derme e a epiderme estão destruídas e o tecido subcutâneo é afetado, podendo haver ainda presença de exsudato, não há acometimento da fáscia muscular.

Ø  Estágio IV: há perda total da pele e do tecido celular subcutâneo, com acometimento do tecido muscular, ossos e estruturas subjacentes como tendões, podendo ainda desenvolver um processo infeccioso.

A enfermagem desenvolve um papel importante na prevenção e tratamento das úlceras de pressão, pois atua em todos os estágios de evolução da ferida. A prevenção deve ser prioridade na assistência de enfermagem ao paciente acamado, pois o tratamento tem sempre o custo mais elevado, sem mencionar as complicações decorrentes das lesões apresentadas.

A equipe de enfermagem é responsável por manter a integridade física dos pacientes internado nas unidades de saúde, principalmente em centros de terapia intensiva, unidade de terapia intensiva neonatal e pediátrica e em departamentos que recebem pacientes com idade avançada ou com problemas neurológicos.  

O desafio da enfermagem é prestar uma assistência integral, com uma visão holística, atendendo as necessidades dos seus clientes com ética, comprometimento e dedicação. Observamos muitas vezes a enfermagem preocupada e realizar diversos procedimentos de alta complexidade e esquecendo pontos básicos e fundamentais da assistência de enfermagem.

O envolvimento de toda equipe torna o trabalho mais fácil e agradável, e quem ganha com nosso comprometimento é sempre o cliente que recebeu a assistência de enfermagem com qualidade

Referência Bibliográfica

Feridas: fundamentos e atualizações em enfermagem / organizadores, Roberto Carlos Lyra da Silva, Nébia Maria de Figueiredo, Isabella Barbosa Meireles – São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2007

 

 

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