Mais de 900 cursos online com certificado em diversas áreas

esqueci minha senha
Sala de aula
Confira o regulamento Promoção do Mês

Artigos de Enfermagem


Introdução à Toxicologia Humana


1 de janeiro de 2008


definir tamanho aA aA


Tão grande é a importância da toxicologia em nossos dias que podemos dizer que a ciência dos venenos interessa hoje aos mais diferentes ramos das atividades humanas.

A poluição do ar que respiramos, a triste profanação de nossos rios e lagos pelas escórias industriais, o risco de contaminação dos produtos hortifrutigranjeiros que consumimos por resíduos de praguicidas altamente nocivos à saúde, a larga difusão entre jovens das drogas toxicomanógenas, a não muito rara prática do dopping nos esportes, ampliam sobremaneira o antigo caráter médico-legal da ciência de Orfila, exigindo que o conhecimento de seus fundamentos e de seus principais aspectos faça parte do patrimônio científico de todo profissional de saúde.

TOXICOLOGIA pode ser definida como um ramo da ciência que estuda as substâncias nocivas à saúde, suas ações, seus sintomas, seus efeitos e seus contravenenos (antagonistas e antídotos). A Toxicologia pode ser dividida em 06 grandes seções: a Ambiental, a Alimentar, a Medicamentosa, a Ocupacional, a Social e a Forense (Médico-legal). Pode ser separada em Toxicologia Clínica, Laboratorial (analítica) e Experimental.

Já o termo veneno, pode ser aplicado a qualquer substância biologicamente ativa, que mesmo em pequenas quantidades, se introduzida no organismo e absorvida, pode causar sérios distúrbios da saúde, inclusive a morte(FILHO, 1988).

Toxicologia é uma ciência que estudando veículos de morte, tornou-se ciência de vida. Vidas salvas pela presteza e rapidez de exames laboratoriais. Está intimamente ligada com a química, fisiologia, física, farmacologia, etc. , possuindo o caráter analítico e o clínico.

Desde as mais remotas eras o homem, utilizando-se de produtos vegetais, minerais e animais, como medicamento ou alimento, começou a dar importância a seus efeitos e a utilizar os que possuíam ação fulminante para eliminar seus inimigos.

O envenenamento como homicídio e suicídio é de uso muito antigo. Os papiros de Ebers informam que os Egípcios sentenciavam a morte com sementes de amêndoas amargas (morte por cianeto).

Na Grécia antiga foi muita usada a cicuta (Sócrates foi executado por este tóxico) inclusive como substância de eleição para a eutanásia legal.

Inúmeros relatos nos dão conta dos venenos como meios políticos. Assim, sabe-se que nas cortes antigas, existiam provadores oficiais das autoridades reais, na tentativa de evitar-se atentados, onde sem dúvida o arsênico predominou. Nero tentou matar Britânico, filho natural de Cláudio (sucessor do trono) através de Locusta. Falhou na primeira tentativa, evidenciado pelos sintomas do provador, de envenenamento por arsênico.

Na idade média tivemos o aprimoramento da arte de envenenar. Em Nápoles, século XVII, apareceu uma mulher chamada Toffana, que preparava cosméticos contaminados com arsênico (água de Toffana) e cantaridina. Uma das mais famosas envenenadoras do século XV foi Lucrécia Borgia (com o pai, Papa Alexandre VI) pelo arsênico eliminou vários adversários. Já Kalpurnium eliminava suas amantes ao introduzir na vagina de suas vítimas, o dedo embebido em arsênico.

Por volta de 1800 começaram a aparecer métodos e estudos para a identificação dos venenos, com o que, diminuiu sua utilização criminosa.

A taxa de intoxicação nas populações do mundo, segundo a OMS por ano, apontam o índice de 1,5% para países desenvolvidos e somente 3,0% para países em desenvolvimento como o Brasil, os quais não possuem um serviço de notificação e estatística instalado, pouco eficaz ou confiável. Além disso, nosso país não tem o controle adequado sobre o registro e a aprovação da comercialização de produtos de interesse sanitário. Dos Praguicidas e ingredientes inertes só 10% possuem avaliação completa dos riscos de toxicidade, 24% têm avaliação parcial, 2% têm avaliação mínima, 26% têm avaliação abaixo da mínima recomendada e 38% são desprovidas de informações de toxicidade. Quanto aos medicamentos, cerca de 61% deles não estudos sobre intoxicação humana.

A intoxicação por metais pesados é um grande problema brasileiro, uma vez que estes "venenos", como o chumbo e o mercúrio, sofrem bioacumulação nos ecossistemas da qual o homem usufrui, através do solo, da água, da pesca, dos animais de criação, etc. Catástrofes recentes são o de Franca(SP) onde pelo menos 53 sapateiros foram gastrectomizados por hipótese diagnóstica médica de úlcera gastro-duodenal, quando na realidade se tratava de envenenamento por chumbo contido na tachinha tipo exportação de zarcão, e na base da Petrobrás em Paulínia(SP) contaminando o solo e o lençol freático por chumbo.

Modernamente, face aos múltiplos produtos diariamente lançados no mercado consumidor, ao desenvolvimento tecnológico e a produção em série, a toxicologia está evoluindo dia-a-dia, acompanhando o rápido progresso mundial. Atual, as intoxicações humanas desse século se apresentam tão mórbidas, covardes e traiçoeiras quanto outrora, porém bem mais sofisticadas, sob a forma de bioterrorismo, de guerra química e biológica, recentemente retratadas nos episódio do gás Sarim no metrô de Tókio e nos envelopes de cartas contendo a bactéria Antraz nos EUA.

FONTE:

-         Filho, Dilermano Brito. Toxicologia Humana e Geral. 2ª.ed., Livraria Atheneu: Rio de Janeiro e São Paulo, 1988.

-         Alcântara, Hermes Rodrigues. Toxicologia Geral. 1ª.ed., Ed. Andrei S. A.: São Paulo, 1974.

EMERGÊNCIAS TOXICOLÓGICAS

1.Retirar o paciente com cuidado;

2.Evitar a autocontaminação durante o socorro;

3.Lavagem corporal com água morna;

4.Retirar as vestes contaminadas;

5.Lavagem ocular em água corrente ou SF0,9% por 10-30min.

5.Parada cardíaca: Alternar massagem cardíaca e respiração boca-a-aboca;

 

6.Obstrução das vias aéreas: limpar e aspirar;

7.Insuficiência respiratória: oxigenar e ventilar;

8.Choque: ausência de pressão e pulso. Manter a vítima em posição de Trendelenberg (deitado em decúbito dorsal com cabeça baixa e pernas elevadas 20 a 30º);

9.Anafilaxia: adrenalina, aminofilina e corticóides;

10.Encaminhar imediatamente o paciente ao socorro médico;

11.Levar, de modo seguro, a embalagem, o rótulo ou a bula do produto incriminado ao serviço de emergência.

ODOR CARACTERÍSTICO

SUBSTÂNCIA SUSPEITA

Amêndoa

Cianeto

Alho

Arsênico, OF Malathion, Paration

Ovo podre (enxofre)

Dissulfiram

Amônia/ Amoníaco

Uréia, acetona, corpos cetônicos, álcoois.

Colaboração desta Matéria:  Dr. Adam Macedo Adami - Farmacêutico Bioquímico - Hospital Regional/MS

 

Some Rights Reserved

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

Comentários


Voltar para Enfermagem

Escolha sua área do conhecimento