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terça-feira, 1 de janeiro de 2008 - 00:00

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O país dos remédios banidos

por: Colunista Portal - Educação

Brasileiros usam, às vezes de forma corriqueira, 652 drogas proibidas ou com venda restrita no exterior.

        Oitenta e duas substâncias proibidas no exterior são encontradas em 334 remédios vendidos no Brasil. Entre elas, está a dipirona (componente da Novalgina, da Neosaldina e do Buscopan Composto). Outras 33 substâncias presentes em remédios brasileiros sofrem, em algum país, restrição de uso ou venda. O relatório foi levantado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

        Para fazer o levantamento, a pediatra americana Lynn Silver, professora da Universidade de Brasília, se baseou em dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela consultou uma lista da OMS de 364 substâncias proibidas, não aprovadas ou com advertência especial em um ou mais países. Depois, verificou quais dessas substâncias estavam à venda no Brasil. O resultado foi alarmante: 115 delas estão na fórmula de 652 produtos diferentes, vendidos em qualquer farmácia.

        "O Ministério da Saúde não tem critérios. O Governo não assume sua responsabilidade na saúde da população", afirma Ruben de Alcântara Bonfim, coordenador executivo da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime), que, junto com o Idec, enviou a lista à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (órgão do ministério), pedindo providências.

        O diretor da Agência Nacional, Gonzalo Vecina Neto, afirma que uma comissão de 27 médicos já avaliou a lista e não encontrou nenhum motivo para alarme. "Todo remédio tem efeitos colaterais. Não há risco, desde que se siga a orientação da bula e do médico", argumenta.

        Ruben Bonfim contra-argumenta, dizendo que não adianta fechar os olhos à situação do Brasil, onde qualquer remédio, mesmo de tarja preta ou vermelha, pode ser comprado sem receita. "A obrigação do Governo não termina em uma bula correta. Deve dar todas as informações sobre a segurança do produto. No Brasil, o público não tem noção dos riscos". Ele ressalta que o uso de medicamentos é incentivado em propagandas que não informam sobre os efeitos colaterais.

        A dipirona, uma das substâncias da lista, é o principal componente do segundo remédio mais vendido no país, a Novalgina. Banida em 16 países, inclusive nos EUA, por causar uma doença grave no sistema imunológico, ela também está na Neosaldina, o quarto mais consumido, e no Buscopan Composto, o nono. No total, há 48 analgésicos com a substância. O próprio Gonzalo Vecina Neto cita a dipirona como o caso mais complicado da lista. "Sabemos que ela pode causar aplasia medular; mas não vamos proibi-la porque os médicos consideram os benefícios maiores que os riscos", justifica.

        Injustificável é o caso de duas substâncias proibidas mesmo no Brasil, e que continuam no mercado, segundo o Idec: a estricnina e a fenformina. A estricnina está na fórmula de um remédio para a menopausa, o Novosex, do laboratório Brasmédica. Foi proibida no Brasil em portaria de 1980, pois não tem valor terapêutico comprovado. No Japão e nos Emirados Árabes, também foi banida. Alguns países a usam como veneno de ratos.

        Já a fenformina está em dois remédios contra a diabetes: Debei, da Eurofarma, e Diabetal, da Zambon. Nos anos 70, a substância foi associada à acidose láctica, chegando a causar mortes. Foi comprovado mais tarde que os perigos da fenformina eram maiores que os benefícios, e ela foi proibida no Brasil em 1977. Foi retirada do mercado em mais de 13 países, inclusive EUA, Alemanha, França e Grã-Bretanha.

        "O Brasil possui legislação adequada sobre medicamentos", diz o coordenador do Centro de Farmacovigilância do Ceará, Paulo Sérgio Dourado Arrais. "Pena que ela não seja cumprida. Por causa disso, o mercado é cheio de produtos de eficácia duvidosa", lamenta.

Fonte: http://www.webmedicos.com.br/detalhe_artigo.asp?Id=294&Tema=Farmacologia


 

 

 

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