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Gastrite e erosões do estômago

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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Saiba mais sobre as gastrites e erosões do estômago
28/01/2007

Dr. Carlos Carvalheira


Gastrite significa inflamação do estômago. A gastrite aguda é uma inflamação que se resolve em poucos dias: ou cura ou evolui para gastrite crónica.



Quase todos os portugueses adultos e mais de 50% da população mundial tem gastrite crónica causada pelo Helicobacter pylori. Esta gastrite crónica causada pelo H. pylori, raras vezes é causa de sintomas ou justifica tratamento. Só nos últimos 20 anos (depois da descoberta do Helicobacter pylori) compreendemos melhor porque é que a maior parte da humanidade tem gastrite crónica e que a gastrite crónica é geralmente assintomática. Ainda hoje, com frequência, as pessoas atribuem as queixas do estômago à sua gastrite. Era assim que se pensava há 30 anos atrás, mas hoje sabemos que isso não é verdade.





Gastrite Aguda:

A gastrite aguda é, na maior parte dos casos, uma situação passageira que ou cura ou evolui para a gastrite crónica, mas por vezes toma a forma de gastrite erosiva ou gastrite hemorrágica e pode causar perdas de sangue pela boca ( hematémeses ) ou pelo recto ( melenas ) obrigando-nos a ir à urgência do Hospital.


Causas de gastrite aguda:

» Helicobacter pylori e outras bactérias, vírus, tóxicos...

» Álcool

» Anti-infamatórios não esteróides ( AINE )

» Stress grave dos queimados, dos traumatizados do crânio, dos doentes com insuficiência respiratória, dos doentes com sepsia.


O H. pylori, a ingestão de álcool ou de aspirina e outros medicamentos anti-inflamatórios são a causa mais frequente de gastrite aguda.

O Helicobacter pylori causa uma gastrite aguda transitória, por isso mal conhecida, que poderá causar dor epigástrica, mal-estar, náuseas etc., mas que evolui em poucos dias para gastrite crónica.

A GASTROENTERITE é uma inflamação aguda do estômago ( gastrite ) e intestino ( enterite ), muito frequente, na maior parte dos casos relacionada com intoxicação alimentar. Além das náuseas e vómitos é acompanhada de diarreia.



Gastrite crónica:

Gastrite crónica pelo Helicobacter pylori : sabemos desde 1983 que a causa mais frequente de gastrite crónica é uma bactéria: o Helicobacter pylori. A gastrite crónica causada pelo Helicobacter pylori ( também designada por gastrite B ), localizada sobretudo no antro do estômago, é uma das infecções mais frequentes no mundo, atingindo mais de 50 % da humanidade e mais de 90% dos adultos de alguns continentes e países ( África, América do sul, Portugal etc.). Em Portugal cerca de 50% das crianças com 8 anos de idade já têm gastrite causada pelo Helicobacter pylori. O aspecto endoscópico do estômago com gastrite crónica é normal ou ligeiramente alterado. O diagnóstico da gastrite crónica faz-se, observando um fragmento de estômago ao microscópio.

A existência do Helicobacter pylori na mucosa do estômago pode ser comprovada por vários testes de fácil execução. Mas fazer um teste para comprovar a existência duma bactéria que em Portugal quase todos temos e, raramente justifica tratamento, é uma inutilidade.

A gastrite crónica pelo H. Pylori que, quase todos os portugueses adultos têm, raramente causa sintomas e, não se defende como norma o seu tratamento, que seria a erradicação do Helicobacter pylori. ( A erradicação do Helicobacter pylori deve fazer-se nas pessoas que têm úlcera do estômago ou do duodeno ou linfoma MALT ).

A gastrite crónica causada pelo H. pylori, em determinadas condições, relacionadas com a virulência de certas estirpes do Helicobacter pylori, e com certos genes do hospedeiro, transforma-se em gastrite atrófica e metaplasia intestinal (na metaplasia intestinal a mucosa do estômago é substituída por mucosa intestinal ) que nalguns raros casos, e em circunstâncias especiais, evolui para cancro do estômago. Esta evolução da gastrite crónica até cancro do estômago é ainda mal conhecida e não temos, por enquanto, maneira de a evitar. Cientistas em todo o mundo e duma maneira especial cientistas portugueses ( Leonor David, Celso Reis ) do IPATIMUP do Porto ( Sobrinho Simões ) têm feito grandes progressos na identificação das estirpes mais virulentas do H. pylori e dos portugueses portadores dos genes que codificam as mucinas gástricas ( as mucinas são um gel - semelhante à saliva - que cobre as nossas mucosa ) que facilitam o aparecimento do cancro do estômago. Estas descobertas acabarão por permitir, num futuro, que desejemos próximo, o rastreio dos indivíduos com estes factores de risco e assim contribuir para a diminuição da mortalidade relacionada com o cancro do estômago.

Em conclusão: quase todos os portugueses adultos e, mais de 50% da população mundial têm gastrite crónica causada pelo H. pylori mas, mas a maior parte (>80%) destas pessoas não têm queixas atribuíveis ao estômago e, os que têm queixas, se o Helicobacter pylori for erradicado continuam na maior parte dos casos com elas. A Gastrite raramente causa sintomas. As pessoas com sintomas relacionados com o estômago a quem foi dito que têm " gastrite ", na maior parte dos casos, têm Dispepsia Funcional.


Outras gastrites infecciosas: para além da gastrite pelo Helicobacter pylori e da gastrite granulomatosa da tuberculose e da sífilis, outras bactérias como o streptococcus, a Escherichia coli, o staphilococcus, o Clostridium podem ser, embora muito raramente, causa de gastrites graves, sobretudo em indivíduos debilitados, alcoólicos, com SIDA... As gastrites por fungos ( candida, histoplasma etc. ) assim como as gastrites por vírus ( cytomegalovírus, herpes vírus etc. ) são situações muito, muito raras. No entanto, nos indivíduos com SIDA é frequente encontrar gastrite pelo citomegalovírus ( CMV ), por cândidas e outros agentes.

Gastrite crónica auto-imune: também designada por gastrite A ou gastrite da Anemia Perniciosa. É pouco frequente em Portugal. Na Anemia Perniciosa há uma atrofia da mucosa gástrica em que desaparecem as células que produzem o factor intrínseco. O factor intrínseco é indispensável para que a absorção de vitamina B12 se faça no intestino delgado. A estes doentes, uma vez que não produzem factor intrínseco e por isso não absorvem Vitamina B12 esta vitamina terá que ser injectada, assim como aos doentes a quem foi retirado todo o estômago ( submetidos a gastrectomia total ). Geralmente faz-se uma injecção mensal de pelo menos 200 µg de Vitamina B12. A Anemia Perniciosa leva a lesões neurológicas graves.

Gastrite crónica dos anti-inflamatórios e do refluxo biliar - gastrite química. O uso continuado de medicamentos anti-inflamatórios e a bílis do refluxo biliar do duodeno para o estômago ou do refluxo biliar após cirurgia do estômago ( gastrectomia parcial ) podem ser causa de gastrite crónica.




Gastrites muito raras: Há outras gastrites crónicas muito raras:

» Gastrite granulomatosa: da doença de Crohn, da tuberculose, da sífilis, da sarcoidose etc.

» Gastrite a eosinófilos: entidade muito rara. Os doentes com esta gastrite devem ser seguidos na consulta de alergologia.

» Gastrite linfocítica: muitas vezes associada às pápulas umbilicadas e denominada gastropatia papulosa, por vezes também denominada gastrite varioliforme por causa do aspecto. Esta gastrite parece não causar sintomas e, não se conhece nenhum tratamento eficaz. É uma afecção anódina.

» Doença de Ménétrier também chamada gastropatia hipertrófica ou gastrite de pregas gigantes: situação rara caracterizada por pregas gigantes no corpo do estômago associada a náuseas, diarreia e a perdas de proteínas, podendo dar origem a um edema generalizado. A causa é desconhecida.



DUODENITES E EROSÕES DO DUODENO

A inflamação da mucosa do duodeno pode aparecer associada à gastrite causada pelo H. pylori. Essa mucosa inflamada do bulbo duodenal pode ser substituída por mucosa do estômago e ser colonizada pelo H. pylori. Admitem alguns peritos que esse será o mecanismo inicial para o aparecimento da úlcera do duodeno.
Também alguns vírus, bactérias e parasitas podem invadir o duodeno e ser causa de duodenite, mas são situações raras.

Por vezes a mucosa do duodeno tem aspecto nodular e, alguns chamam-lhe mesmo duodenite nodular. Ao exame microscópico nalguns casos observa-se uma duodenite, noutros observa-se mucosa gastrica e noutros hiperplasia das glândulas do duodeno ( glândulas de Brunner ). Não se sabe se estas alterações têm significado clínico.


Fonte: GASTRENTEROLOGIA

http://www.medicosdeportugal.iol.pt/action/2/cnt_id/795/











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