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segunda-feira, 18 de março de 2013 - 09:28

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Psicologia Penitenciária: Ciclo de vida familiar

por: Colunista Portal - Educação

A participação da família é fundamental para o trabalho do psicólogo
A participação da família é fundamental para o trabalho do psicólogo
Uma forma de compreender a família é observá-la a partir de seu ciclo de vida familiar e de sua história transgeracional.

Vários modelos de ciclo de vida familiar foram propostos por diferentes autores (CERVENY; BERTHOUD, 2002). Contudo, é o modelo apresentado por Carter e McGoldrick (1995) que tem sido utilizado com mais frequência, já que é fácil reconhecer neste modelo as tarefas de cada etapa do ciclo de vida familiar cada processo emocional a ser resolvido nessas etapas.

Abaixo apresentamos as etapas do ciclo de vida familiar de Carter e McGoldrick (1995) e algumas considerações relevantes:

a) Saindo de casa: quando os jovens solteiros saem de casa é necessária a aceitação da responsabilidade emocional e financeira individual. Isso envolve tarefas de diferenciação do “eu” em relação à família de origem, o desenvolvimento de relacionamentos íntimos com adultos iguais e o estabelecimento do “eu” com relação ao trabalho e independência financeira.

b) União de famílias no casamento: com o surgimento de um novo casal é necessário o comprometimento com um novo sistema familiar. Algumas tarefas, diante disso, precisam ser cumpridas como a formação do sistema marital e o realinhamento dos relacionamentos com as famílias ampliadas e com os amigos para incluir o novo cônjuge.

c) Famílias com filhos pequenos: implica a aceitação de novos membros no sistema familiar, sendo necessária uma série de ajustes no sistema conjugal para disponibilizar espaço para o(s) filho(s), as tarefas de educação dos filhos, tarefas financeiras e domésticas e o realinhamento dos relacionamentos com a família ampliada para incluir os papéis de pais e avós.

d) Família com filhos adolescentes: o processo emocional envolve uma maior flexibilidade das fronteiras familiares para incluir a independência dos filhos e a fragilidade dos avós em virtude da idade. Para tanto, o sistema deve modificar os relacionamentos entre pais e filhos para permitir que o adolescente possa transitar dentro e fora do sistema familiar. Além disso, é necessária uma nova focalização nas questões conjugais e profissionais do meio da vida e mudança no sentido de cuidar da geração mais velha.

e) Lançando os filhos e seguindo em frente: o processo emocional se concentra na aceitação das várias saídas e entradas no sistema familiar que será possível apenas com uma renegociação do sistema conjugal como díade, o desenvolvimento de relacionamentos de adulto para adulto entre os filhos crescidos e seus pais, o realinhamento dos relacionamentos para incluir parentes por afinidades e netos e o desenvolvimento de formas de lidar com a incapacidade e morte dos pais (avós).

f) Famílias no estágio tardio de vida: abrange a aceitação da mudança dos papéis geracionais, sendo necessária a manutenção do funcionamento e os interesses pessoais e/ou do casal em fase de declínio fisiológico, o apoio ao papel mais central da geração do meio, a abertura de espaço no sistema para a sabedoria e experiência dos idosos, apoiando a geração mais velha sem super funcionar por ela, a capacidade de lidar com a perda do cônjuge, irmão e outros iguais e a preparação para a própria morte. Envolve também a revisão e a integração da vida.
O ciclo de vida familiar ocorre de forma diferentes quando consideramos famílias de baixa renda. Ao estudar as famílias negras pobres dos Estados Unidos, Fulmer (1995) afirma que as etapas do ciclo de vida familiar são prejudicadas por questões multiproblemáticas como, por exemplo:

• desemprego;
• desnutrição;
• gravidez precoce;
• instabilidade e violência familiar;
• delinquência;
• abuso de substâncias;
• altos índices de mortalidade infantil;
• morte precoce;
• estresses contínuos de habitações inadequadas e;
• constantes dívidas.

Fulmer (1995) acrescenta que esses problemas provocam uma série de crises, pois, em muitos casos, há uma sobreposição desses problemas, o que não ocorre com outras classes sociais.

Ao estudarem famílias brasileiras em contexto de pobreza Penso, Costa e Ribeiro (2008) ressaltam que:

(...) a compreensão da história transgeracional de famílias em situação de pobreza no Brasil tem suas peculiaridades, já que as famílias são expostas a cortes entre as gerações em razão de constantes migrações em busca de condições mais favoráveis de sobrevivência, dificultando, assim, a manutenção e a transmissão de uma memória familiar através das gerações, bem como da perpetuação de seus rituais (p. 17).

Compreender o indivíduo em seu contexto familiar é romper com uma visão linear de sujeito. É percebê-lo como um ser em relação.
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