Mudança de classe gramatical: Substantivos x Adjetivos

Substantivos x Adjetivos
Substantivos x Adjetivos

Educação e Pedagogia

14/05/2013

INTRODUÇÃO
A análise de substantivos e adjetivos de forma paralisada como propõem as gramáticas escolares torna-se cada vez mais difícil, pois, em um mundo onde todo texto surge de uma intertextualização com o mundo que cerca não só o locutor mas também o alocutário, o contexto tem papel de destaque na intenção do primeiro em que o segundo codifique sua mensagem de acordo com sua intenção. Desta forma, a adjetivação de substantivos está diretamente relacionada com a intenção do locutor em destacar ou não determinados sintagmas.

Mattoso Câmara, em seu livro “Estrutura da língua portuguesa”, afirma não haver uma distinção clara entre a classe dos substantivos e a classe dos adjetivos. Em grande parte, será o contexto que orientará a classificação de um sintagma nominal em uma ou noutra classe. Certamente é por essa vertente que Mário Perini (1997), em seu texto “O adjetivo e o ornitorrinco”, tenta convencer o leitor, por meio de uma comparação interessante entre esta classe gramatical e o animal em questão, que a distinção entre substantivos e adjetivos é, segundo o autor, um problema “sem solução”, chegando a propor encaixá-los em uma grande e única classe de “nominais”.

Ao longo do desenvolvimento do trabalho, veremos, sim, que uma análise satisfatória passa necessariamente pelo contexto. Contudo, a exposição desse aspecto também levar-nos-á a um pequeno campo semântico-estrutural em que, por aplicação de determinadas técnicas marcadas por oposição, uma diferença sutil, mas importante, será norteadora de uma classificação fixa a determinados nomes.


1. DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA

As gramáticas escolares têm por hábito critérios diferentes para realizar a distinção entre substantivo e adjetivo. Enquanto para o primeiro é comumente utilizado o fator semântico, para o segundo a norma é o critério sintático.

Há palavras que possuem denotação clara, tais como:
Substantivos: João, xícara, alto-falante, livro, etc.
Adjetivos: lavável, emocionante, sadio, satisfeito, etc.

Basilio (1989, p. 50) afirma que, por sua característica sintática por vocação, o adjetivo só pode ser definido com a pressuposição do substantivo, ou seja, sua razão de ser é a especificação do substantivo. Contudo, há casos específicos em que a dúvida quanto à classificação é absolutamente pertinente.

A autora nos mostra também outros processos de mudança de classe como a derivação imprópria (2004b, p. 79-80) que tem como essência a falta de marca de alteração morfológica, o limite das propriedades de substantivo e adjetivo torna-se tênue por uma capacidade de expansão de significado.

A derivação imprópria plena ocorre quando determinada palavra apresenta as propriedades das duas classes. Um exemplo claro é a palavra doce.
Observe-se que o adjetivo doce denota “sabor açucarado” e pode perfeitamente ser atribuído a diferentes termos: Pirulito doce, fruta doce, suco doce, sorvete doce etc., funcionando como adjunto adnominal.

E carrega as particularidades da classe:
Aceita grau comparativo: O mel é mais doce que a garapa.
Pode ser intensificado: Esta torta está doce demais.

Por outro lado, doce, sendo substantivo, significa um produto culinário e pode até mesmo ser qualificado pelo seu correlato, além de não aceitar as propriedades já ditas: Este (muito) doce está muito doce.

A derivação imprópria, também conhecida como conversão, é muito utilizada em propaganda, manchetes de jornal, fontes desse processo.

No conhecido anúncio, redondo, da classe dos adjetivos, funciona como um advérbio de modo.

2. NOMES PÁTRIOS E NOMES DE CORES
Os nomes pátrios como adjetivos, de acordo com Basilio (2004b, p. 79-92), atribuem uma característica de proveniência ou origem aos substantivos com que se combinam como nos exemplos a seguir.

1) “Não vamos deixar estes brasileiros sem casa própria”, o nome pátrio brasileiros é substantivo utilizado no plural para denotar qualquer pessoa nascida no Brasil; Assim como a termo “raspadinha carioca”, para designá-la como sendo da cidade do Rio de Janeiro.

2) “... a gente percebe que o povo português (adjetivo) e o povo espanhol (adjetivo) vivem muito melhor do que a gente.” (Istoé/Senhor)

3) Um português (substantivo) e um espanhol (substantivo) conversam.

4) Era um velho (substantivo) que estava na família há noventa e nove anos, há mais tempo que os velhos (adjetivo) móveis, há mais tempo que o velho (adjetivo) relógio de pêndulo. (Mário Quintana)

Para a autora, os adjetivos que nomeiam as cores são adjetivos pátrios, pois atribuem cores específicas aos referentes dos substantivos que acompanham, porém, se usados separadamente, denotarão a cor em si e apresentarão propriedades plenas dos substantivos. Isto se dá pelas cores existirem nas coisas. Para que os substantivos se refiram a cor, deverá haver uma adequação semântica.

Ex.: “Quem tem amor pra dar não faz diferença. Seja um cidadão boa praça. Adote o verde.”

A concordância em gênero e número com os substantivos é uma outra diferença entre os nomes pátrios e os nomes de cor adjetivos. Como substantivos, os nomes pátrios mantêm a variação de gênero, baseando a concordância apenas no sexo do referente, enquanto, nos nomes de cores, possuem apenas o gênero masculino.

Contudo, para nomear uma cor diferente, não-básica, são utilizados substantivos que nomeiam entidades que têm essa cor, a exemplo de rosa, cinza, creme, gelo, pastel, laranja, areia, dentre várias outras. Nesses casos, os nomes de cor, oriundos de substantivos, não variam: bolsas rosa; ternos cinza, etc.
Para que se caracterize uma palavra como substantivo, é preciso que, no contexto, ela se mantenha com valor de substantivo, ou seja, nem sempre a palavra precedida de artigo é um substantivo.
Exs.: A linda (adjetivo) menina (substantivo) foi ao cinema.
A menina (substantivo) linda (adjetivo) foi ao cinema.


3. ESTUDO MORFOSSINTÁTICO DA CLASSE GRAMATICAL ADJETIVOS

Segundo Vilela & Silva (2004), grande parte dos gramáticos antigos não faz distinção entre adjetivos e substantivos, ambos pertenciam a uma única classe, que foi nomeado nomen ou órnoma.

De acordo com Basilio (2004b, p. 79-92), o substantivo é “uma palavra que apresenta as categorias de gênero e número e o adjetivo tem traços dependentes do gênero e número a que se refere” mediante os critérios morfológicos estabelecidos pela autora.

3.1. Concepções prescritivas de adjetivos para os gramáticos
Segundo Abaurre (2003, p. 18), adjetivo é a palavra variável que atribui uma especificação ao substantivo, caracterizando-o. Essa especificação pode referir-se a uma qualidade, a um estado, à aparência ou ao modo de ser referentes do substantivo denotado.
Exemplos: pior, melhor, belo, novo, antigo, etc.

Tal definição é corroborada por Mazzarotto (2002, p. 232), que diz ser o adjetivo o modificador do substantivo, expressando condição, estado ou qualidade do ser.
Exs: pior filme; opinião sábia; população sofrida.
“Batman, com George Clooney, é eleito o pior filme de todos os tempos [5]”.

Nessa perspectiva, o adjetivo é a palavra que exprime qualidade ou modo de ser do substantivo a que se junta. Ele pode ser restritivo (indica qualidade acidental do substantivo), como nos sintagmas gelo frio; água líquida; fogo quente; ou explicativo (indica qualidade essencial ou inerente ao substantivo), como se observa em homem bom; bela fazenda; livro usado; pedra preciosa. (Enciclopédia, Sistema Integrado de Ensino – SIVADI).

Na concepção de Abaurre (2003, p. 18), na relação entre um substantivo e um adjetivo, o adjetivo é o elemento determinante (DT) e o substantivo é determinado (DM), ou seja, empregado junto a um substantivo, amplia, limita ou precisa o seu sentido.

Exemplos: político corrupto (qualidade); homens gordos (estado); céu escuro (aparência); criança mimada (modo de ser).
“Político corrupto vai para a cadeia nos EUA [6]”.
3.2. Concepções descritivas de adjetivos para os linguistas
Do ponto de vista semântico, o adjetivo é a palavra com a qual designamos qualidades concretas e abstratas. Sintaticamente, o adjetivo desempenha a função de adjunto adnominal. Morfologicamente, o adjetivo admite flexões de gênero, número e grau. (MAIA, p. 205-206).

Conforme Neves (2000).
A classe de um adjetivo pode ser determinada pela sua posição no sintgma nominal. Em geral se duas formas de adjetivo aparecem em sequência, formando um sintagma nominal, o primeiro elemento é o referencial, e é, portanto, um substantivo. (NEVES, 2000 p. 211)

Segundo a autora os adjetivos, são usados para atribuir uma propriedade singular a uma categoria (que já é um conjunto de propriedades) denominada por um substantivo.
Neves (2000 p. 173) esclarece ainda que, de dois modos funciona essa atribuição:

a) por qualificação como em:
Lembro-me de alguns, Dr. Cincinato Richter, homem GRANDE, GENTIL e SORRIDENTE, que às vezes trazia seu filhinho Roberto a esposa, Moça BONITA e SIMPÁTICA. (ANA)

b) subcategorizando como em:
Foi providenciada perícia MÉDICA e estudo PSICOLÓGICO (ESP)
Perini (1997) considera que os adjetivos são todas as palavras que podem ser complementos do predicado, bem como predicativos e modificadores; para o autor, isso faz parte da flexibilidade dos sintagamas nominais.

Essa flexibilidade, que todos conhecemos, segue estritamente a necessidade de comunicação: no momento em que isso é necessário, um “substantivo" vira "adjetivo", ou vice-versa. O que aconteceu com cabeça também aconteceu com gato (ela tem um irmão gato) e ultimamente com prego (mas que sujeito prego!). O processo se deu com maternal, que há alguns anos só podia expressar qualidade, tal como paternal, e agora é também o nome de uma coisa (PERINI, 1997, p.39-46).

O autor esclarece, ainda, que os adjetivos denominais (derivados de substantivos) podem ter função referencial ou atributiva. Desempenham função referencial os que fazem referência ao substantivo núcleo do sintagma, restringindo-lhe o referente, e, com frequência, podem ser transformados em locução, mas não em oração adjetiva (p. ex. tratamento capilar; hipertensão arterial; fio dental). Já os adjetivos com função atributiva adicionam ao substantivo núcleo do sintagma propriedades específicas do substantivo base do adjetivo (p. ex. ideia elementar; jogador fenomenal; vinho maravilhoso) e podem ser transformados em oração adjetiva, mas não em locução.

Para Matoso Câmara (1975), são as determinações podendo aqui incluir caracterizações, como as afirmadas na definição de Sarmento (2002 p.170) “as palavras que modificam os substantivos, atribuindo-lhes certas características, como qualidade, defeito, estado, modo de ser ou aspecto, chama-se adjetivos”.

Para Macambira (1987, p. 36-37), pertence à classe do adjetivo toda palavra que produz posições formais, correspondentes ao grau positivo e ao grau superlativo, sufixado por -íssimo, -érrimo, -limo; como, por exemplo, gostoso – gostosíssimo; bom – boníssimo; célebre – celebérrimo; magro – macérrimo”, bem como toda palavra que admita o sufixo adverbial -mente, resultando oposições formais entre adjetivos, como nos casos de calmo – calmamente; alegre – alegremente.

Segundo Bechara (2000, p. 36-37), o adjetivo é a classe de lexema que caracteriza as possibilidades designativas do substantivo, pertencente a um inventário aberto, e podem funcionar como delimitadores, especificadores ou explicadores. Afirma ainda que só na Idade Média houve uma separação entre o sintagma nominal e o sintagma adjetival.
3.3. Derivação
De acordo com Basilio (1989, p. 61-63), caracterizar, especificar ou qualificar é a função do adjetivo, enquanto designação seria inerente ao substantivo, e o tipo de designação mais comum seria por caracterização através do uso de uma palavra caracterizadora (adjetivo) como designadora (substantivo), como nos exemplos abaixo:

a) Quando ficamos velhos, gostamos de relembrar o passado.

b) Os velhos gostam de relembrar o passado.

Assim sendo, conclui-se que grande parte dos teóricos afirma ser substantivo e adjetivo classes flutuantes, as quais serão determinadas conforme a intenção informativa do interloculor, e que ambos podem ser um ou outro dependendo dessa intenção, ou seja, uma palavra que ora designa um referente pode a qualquer tempo passar a caracterizar, com o intuito de restringir/diminuir a extensão desse referente, para aumentar, em consequência, a sua significação.

4. ADJETIVOS SUBSTANTIVADOS

Sempre que a qualidade referida a um ser, objeto ou noção for concebida com grande independência, o adjetivo que a representa deixará de ser termo subordinado para tornar-se o termo nuclear do sintagma nominal. Dá-se então, o que se chama de substantivação do adjetivo, fato que se exprime, gramaticalmente, pela anteposição de um determinativo (em geral, do artigo) ao adjetivo.

Exemplos:
a) O céu cinzento indica chuva.
b) O cinzento do céu indica chuva
Na primeira, cinzento é adjetivo; na segunda, substantivo. No exemplo (b), em vez de qualificar um substantivo, o adjetivo funciona gramaticalmente como um substantivo cujo significado parte do significado do adjetivo.

5. SUBSTANTIVOS COM FUNÇÕES ADJETIVAS
Há situações em que substantivos qualificam, caracterizam ou especificam substantivos. Os casos mais claros de substantivos que atribuem propriedades a substantivos são os que envolvem o uso adjetivo de nomes de agente, como afirma Basílio (2004, p. 181):

Substantivos, que denotam via especificação são candidatos para uso adjetivo; este é o caso dos nomes de agente, que designam seres humanos através do que eles fazem tipicamente. Em outras palavras, nomes de agente já têm embutido, em sua estrutura lexical, um componente funcionalmente adjetivo, já que são construções lexicais construídas para denotar alguém como agente típico para algum tipo de ação ou atividade especificada pelo verbo.
Chamamos de nomes de agentes substantivos os que denotam um ser, caracterizando-o, pelo exercício ou prática de ação ou atividade. Um dos melhores exemplos de nomes de agente em português são as formações em –dor.
Ex.: “Conferência Estadual de Comunicação tem comissão organizadora [7]”

Muitos nomes de agente terminados em –dor, em português, podem também funcionar como adjetivo. Por exemplo, organizador é um nome de agente, designando alguém a partir do ato de organizar. Já em comissão organizadora, o termo organizadora atribui agentividade ao termo comissão. Esse é mais um caso limítrofe substantivo/adjetivo, em que o substantivo X-dor é usado como adjetivo.

Um outro caso é o dos nomes de agente em –ista que correspondem à adesão ou atitude mental. Por exemplo, evolucionista denota pessoas adeptas do evolucionismo; em tese evolucionista o segundo termo caracteriza o primeiro por sua adesão ao evolucionismo.

Os nomes de agente ou instrumentais em –nte também podem funcionar como adjetivos. Quando está acompanhando um substantivo, a formação em –nte o caracteriza como agente ou instrumental, como em módulo iniciante.

No entanto, essas formações que ocorrem em posição e função de adjetivo não apresentam o quadro típico de características de adjetivos. Vejam-se:
• Não podem ser intensificados (*comissão organizadoríssima);
• Não apresentam nominalização correspondente (*iniciância);
• Não podem funcionar como predicativo do objeto (*acho o trabalho evolucionista).

Em suma, nomes de agente podem funcionar como adjetivos, mas não se trata de conversão plena, há apenas alargamento das possibilidades de utilização do nome de agente, processo elucidado por Basílio (2004, p. 182):

Os pares substantivo/adjetivo constituem uma situação estruturalmente diferente, mas funcionalmente idêntica. A diferença estrutural é que nestes pares os substantivos são plenos, isto é, designam um ser por alguma qualidade relevante não apenas em contextos genéricos, mas todo e qualquer contexto em que um substantivo normalmente ocorre. O aspecto funcional, entretanto, é o mesmo. A partir da função adjetiva de caracterização, temos a designação de um ser, configurando-se a denotação por caracterização [...].

5.1. Substantivos como qualificadores
Vejamos alguns exemplos de substantivos que podem atribuir qualidades ou propriedades a outros substantivos:
Ex.: cupom mania [8], som fantasma, carro-chefe, planeta-anão.

Em todos esses casos, o elemento central do significado do substantivo é tomado como um predicado que qualifica o outro substantivo. Assim, fantasma qualifica o som como de existência ou fundamento duvidoso; chefe qualifica o substantivo carro como aquele que conduz, que dirige, que está à frente de um grupo; mania qualifica o substantivo cupom como uma ideia fixa, uma obsessão; anão corresponde a uma qualificação de tamanho, significando pequeno.
A força da qualificação com o uso de um substantivo é sempre maior, porque é inesperada, há um deslocamento da função primária.

5.2. Substantivos como complementos de substantivos

São aqueles que completam a noção veiculada por outro substantivo.
Ex.: índice corrupção; fator tempo.
“O fator tempo é o que diferencia o Motofretista [9]”.
Nesse caso, é necessário e previsto pela estrutura da língua que substantivos completem o sentido de outros substantivos, há substantivos de valor semântico quase vazio, que existem exatamente para servir de base a diferentes combinações, dependendo do elemento complementar, como é o caso de índice, fator, entre outros.

5.3. Substantivos como especificadores

São aqueles frequentemente utilizados em composições com outros substantivos para fins de especificação. Ex.: navio-escola (especificação de função); placa-poema (designação de objeto com dupla função); samba-enredo (especificação de modalidade); sapato areia (especificação de cor); secretária robô (caracterização dupla de agente).
“Principal navio-escola português está atracado no Recife [10]”.
Desta forma, a especificação de substantivos não é exclusividade dos adjetivos e pode sim ser exercida por um substantivo sem perda de valor semântico nem gramatical, como afirma Basílio (2004b, p. 92):

Temos, portanto, que levar em conta a função do substantivo como especificador de outro substantivo. Em outras palavras, a especificação de substantivos, efetuada fundamentalmente por adjetivos, também pode ser feita por substantivos. Entretanto, como a especificação através de substantivos é sempre feita de modo a termos a designação de um novo ser, o conjunto substantivo+substantivo é normalmente considerado como um novo designador de seres, e, portanto, do ponto de vista lexical, é um substantivo composto.


6. CONCLUSÃO
Tratando-se de classes de palavras, as classificações geralmente utilizadas funcionam relativamente bem para os casos mais gerais, porém há sempre casos fronteiriços, para os quais, determinadas classificações não são plenamente adequadas. É necessário definir cada classe a partir de um conjunto de propriedades morfológicas, sintáticas e semânticas.

Isso, no entanto, às vezes não basta, visto que há situações em que certos critérios nos levam a considerar palavras como substantivos, enquanto outros critérios nos levam a analisá-las como adjetivos. A única maneira de evitarmos certos problemas de categorização é considerar as classes de palavras não como compartimentos rígidos e fechados, mas como conjuntos de palavras determinados por um conjunto de propriedades. Essas propriedades predeterminadas vão sempre definir os casos mais gerais; já a perda de alguma propriedade definirá sempre um caso menos comum, uma exceção à regra.

A expansão lexical, portanto, não ocorre somente a partir de processos derivacionais. A extensão de propriedades e funções de itens de uma classe e as situações de conversão são outras possibilidades, previstas nas estruturas lexicais do português. A formação e as classes de palavras precisam ser focalizadas em conjunto na constituição do léxico.

A gramática descritiva, a língua e seu sistema devem ser entendidos por uma concepção que englobe o aspecto social transformador da língua e não somente a concepção engessada pelos cânones. Uma língua serve antes como objeto de comunicação social e cabe ao professor dessa língua contextualizá-la para que seu discente consiga internalizá-la de forma prazerosa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2000.

DUARTE, Paulo Mosânio Teixeira. Classes e categorias em português. Fortaleza: EUFC, 2000.

MACAMBIRA, José Rebouças. A estrutura morfo-sintática do português: aplicação do estruturalismo linguístico. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1987.

MAIA, João Domingues. Português. São Paulo: Ática, 2001.

MATTOSO CAMARA, Joaquim Jr. Estrutura da Língua Portuguesa. Petrópolis: Vozes, 1975.

MAZZAROTTO, Luiz Fernando. Redação: gramática e literatura. São Paulo: DCL, 2002.

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PERINI, Mário A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 1996.

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FONTES DE PESQUISA:

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http://cidadesaopaulo.olx.com.br/o-fator-tempo-e-oque-diferencia-o-motofretista-iid-51958504 acessado em 02/03/2010 às 17:35.

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Carlos André da Silva Souza

por Carlos André da Silva Souza

Graduado em Letras (Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa) pela UNESA. Pós-Graduado em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESA. Professor da Rede Municipal de Petrópolis - RJ. Professor do Curso Atual (Preparatório para concursos)

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