Primeiras impressões sobre o SUS

O SUS é um dos poucos sistemas gratuitos
O SUS é um dos poucos sistemas gratuitos

Medicina

27/03/2013

Acompanhando o noticiário nestes 11 anos de vivencia na saúde suplementar, sempre tive uma certeza muito íntima de que as deficiências do sistema único de saúde estavam na gestão desenvolvida para gerenciamento dos serviços e direcionamento dos recursos. Afinal, comprava o que a mídia NÃO ESPECIALIZADA vende.

Infinitas filas de espera para atendimentos, corredores transbordando de pacientes agonizando e o desvio das verbas destinadas ao financiamento de todo o sistema é o que vende e o que é mostrado do Sistema Único de Saúde.

Contudo, nas últimas semanas, passei a dedicar um olhar diferente para este cenário que é criado. Estumado a conhecer um pouco mais sobre a gestão de pública de saúde, iniciei algumas pesquisas em busca de bibliografia especializada que possa dar-me a noção de como funciona este sistema.

Ainda em primeiras impressões, meus estudos sinalizam que o sistema é muito mais amplo e complexo do que imaginava e que:

  • é composto por todos os atores da saúde nacional, não apenas o público, mas também o privado.
  • especialistas atribuem à falta de continuidade da gestão da comunicação do ministério da saúde como um dos grandes problemas que alimentam as críticas e má imagem que a mídia vende.
  • o SUS é referenciado mundialmente por várias iniciativas nos campos da cobertura vacinal e ao acesso gratuito de antirretrovirais (AIDS)
  • é um dos poucos Sistemas Universais e gratuitos de saúde do mundo;
  • possui iniciativas com destaque nos campos de pesquisa e desenvolvimento , vigilância sanitária, alta complexidade, assistência farmacêutica e urgência e emergência.
  • é mal avaliado por aqueles que não usam dos serviços, ou mesmo não sabem que o usam. Pesquisas recentes indicam que o SUS e mais mal avaliado por aqueles que não utilizam dos seus serviços, do que por aqueles que possuem algum tipo de dependência.

Esse último ponto é simples mas interessante para ajudar a dimensionar o tamanho do sistema. O SUS está presente em todos os momentos do nosso dia a dia, mas não nos damos conta. Desde a água para consumo, passando pelo pão da padaria que deve possuir alvará sanitário até os produtos de limpeza utilizados e certificados pela vigilância sanitária.

Problemas existem e estão pulverizados por todo o país, e como a mídia é tendenciosa, não colabora para o senso de pertencimento que o cidadão poderia ter do SUS ao sentir-se parte de um grande complexo que trabalha para o seu bem estar. Pensando nisso, foi criado pelo Ministério da Saúde em 2006 o documento “Entendendo o SUS”, um informativo direcionado para os jornalistas da área de saúde com o objetivo de fornecer noções gerais do sistema na linguagem adequada para melhorar a divulgação.

A gestão desta universalidade é compartilhada com estados e municípios, o que a torna ainda mais subjugada, na medida em que enfrenta conflitos de interesses e entraves políticos, já que o SUS é utilizado invariavelmente para fins eleitorais, que abusam do SUS para promessas de solução da saúde.

O pacto pela saúde de 2006 determina responsabilidades entre as três esferas públicas, sendo baseado no cumprimento de metas, na inter cooperação entre municípios e regiões e no compromisso de financiamento fracionado entre os mesmos, mas ficando a cargo dos municípios a operacionalização das políticas e gestão dos atendimentos. Daí veio a pergunta: Como um prefeito consegue resolver problemas crônicos sem o apoio estadual e federal? Acho difícil.

Com base nestas constatações, a minha visão sobre o Sistema foi totalmente alterada. Confesso que me sinto irresponsável em responsabilizar os gestores apenas pelo que COMPREI da mídia, sendo viscerais e muito mais amplas as resoluções e melhorias em cada área e como um todo, passando por uma política de informação mais clara e efetiva e compromisso e continuidade dos gestores municipais e estaduais.

Por ser um sistema relativamente novo e criado apenas em 1988 pela Constituição Federal, há lacunas para prosperidade de modelos de gestão adequados à essa universalidade e às três esferas governamentais, e isso é estimulante, ou deveria ser, para que os gestores, pesquisadores e acadêmicos, proponham avanços no sistema ainda em construção.

Convido-os a conhecerem um pouco mais deste sistema que, presente em nossas vidas, é subvalorizado e menosprezado pela grande maioria da população pelo destaque enfatizado aos problemas mais latentes; bem como os entendidos e participantes do sistema a colaborarem com a criação de publicações e divulgação dos modelos da gestão pública.

Acesse os documentos “Revista RARIS nº 104/2011” e “Entendo o SUS” na página Download deste blog (www.brunogomesnasaude.wordpress.com) e sempre que possível, trarei mais conclusões sobre o tema.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Bruno Gomes da Silva

por Bruno Gomes da Silva

- Pós-graduando em Planejamento e Gerenciamento em Saúde - Pós-graduado em Finanças (2003). - Administrador de empresas (2002). - Sólida experiência em mais de 10 anos na Saúde Suplementar - Busca constante para inovações em gestão da regulamentação da saúde suplementar - Excelentes resultados construídos nos últimos 3 anos na Área de Relacionamento com ANS - Conhecimentos avançados em legislação

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