Memória da educação escolar no Brasil contemporâneo

Educação Brasileira
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Educação e Pedagogia

20/09/2013

Somos feitos de tempo?
O homem é em sua construção um ser histórico, já que ele acompanha as mudanças a medida que encara os problemas de ordem social e pessoal. Ora, historicamente o homem vem se transformando, as ações do homem hoje será história amanhã, todos temos um passado com o qual aprendemos e renovamos o futuro, assim história vai se formando de geração em geração.


Segundo Reisewitz – onde há ser humano há cultura, onde quer que o ser humano toque, o que quer que faça está a modificar a realidade e a si próprio e, assim que interfere no mundo natural ou dele participa, está a criar um mundo cultural.


Portanto, a partir do momento que o homem tem uma cultura, parte-se do principio que somos feitos de tempo, pois carregamos histórias do passado, nossa cultura é passada para outras gerações, e cada seguimento social tem suas culturalidade e crenças que influenciam no modo de pensar e de agir, no entanto, nada fica estagnado, apesar da história ser passada de geração a geração, sendo assim não é possível pensar em uma natureza humana com características retrogradas eternizadas.


Desse modo a história passa a ser a interpretação do agir transformador do homem em todos os aspectos, no pensar, no agir, no sentir, no social e no pessoal.


Deve-se então, pensar que a mudança é resultado das relações sociais do indivíduo que se transforma com o decorrer do tempo, ou seja, não há como compreender o homem fora do seu contexto histórico-social definido.

Porém, todos os indivíduos assimilam sua herança cultural, mas estabelece mudanças conforme a ela ocorre no meio em que se insere.


Assim, também é com a educação, os saberes e os valores históricos que são transmitidos ao longo do tempo através das concepções míticas, éticas e religiosas.


Partindo desse pressuposto o processo de evolução de uma sociedade se dá pelo conhecimento de sua história que segue uma linha: linear, mítica, e espiral, ou seja, cada época é vivida historicamente de um jeito mítico porque envolve os heróis daquela época, linear, pois a história passa a ser datada em cada acontecimento e espiral porque move-se, sendo assim a historia é viva e muda a todo instante, chegando na história moderna, uma história que foi e é construída por todos.


Assim sendo, a história da educação tem conceitos evolutivos dentro de cada época, para tanto, se faz necessário analisar o passado para recriar o futuro.


A ORIGEM DA EDUCAÇÃO ESCOLAR NO BRASIL – A AÇÃO DOS JESUÍTAS COMO PARTE DO MOVIMENTO DA CONTRARREFORMA CATÓLICA.


A escola foi invenção dos gregos, onde a sociedade cada vez maior de privilegiados também vivenciam a democracia, e reclama para seus filhos os conhecimentos técnicos que até então era rigorosamente guardados pelas famílias aristocratas que eram quem tinham virtude e valor.


Assim ao longo do tempo a escola sofre mudanças de acordo com a sociedade em que se insere, de acordo com a evolução social.

A partir da derrota da Grécia pelos romanos, o império Romano leva os princípios de colaboração para a paz romana a todos os domínios conquistados, fazendo do Latim a língua oficial.


Os Romanos tinham o estudo literário e científico como patamar, “o cerne do Plano de estudo”, já os gregos tinham a filosofia como seu principal pilar.


O cristianismo criado a partir desse império tem como principal instituição a Igreja Católica, que se ocupa da educação e da instrução, criando suas próprias escolas.


Em 1549 os jesuítas chegaram ao Brasil com o objetivo de cristianizar as populações indígenas do território colonial. Época do Brasil – Colônia.


Dentre os jesuítas destacam-se: Padre Manoel da Nóbrega, Padre José de Anchieta e Padre Antônio Vieira. Seus objetivos eram: levar o catolicismo para regiões descobertas no século XVI, principalmente a América; catequizar os índios americanos, China e África, para evitar o avanço do protestantismo; e construir escolas católicas nas diversas regiões do mundo.


Era um início de um processo de criação de escolas elementares, secundárias, seminários e missões, espalhadas pelo Brasil até o ano em que os jesuítas foram expulsos pelo marquês de Pombal.


Durante 210 anos os jesuítas promoveram à catequese dos índios, a educação dos filhos dos colonos, a formação de novos sacerdotes e da elite intelectual, além do controle da fé e da moral dos habitantes da nova terra. Nesse período, muitos colégios foram criados, além de escolas de primeiras letras.
Era difícil a missão de instalar um sistema de educação em terras estranhas e de povo tribal, com suas culturas já afirmadas. O espírito do renascimento manifesta-se com a religião, com criticas a estrutura autoritária da igreja centrada no poder papal.


Assim, a expansão da crença protestante, desencadeou forte reação, conhecida como contrarreforma a fim de recuperar o poder perdido do catolicismo.


Em 1759 os jesuítas foram expulsos pelo marquês de Pombal, acusando-os de acumularem fortunas e de não propagarem as conquistas das revoluções científicas centradas na razão.


No Brasil, mais especificamente no século XIX, o marco dessa época foi a progressiva institucionalização da escola e da lenta afirmação do lugar do Estado como principal provedor da educação.


A família real já estabelecida no Brasil, fugitiva das tropas de Napoleão, em 1808, a educação ganha ares culturais e educativos dentro da colônia, as escolas normais são criadas.


A escola, aos poucos, ganha materiais, espaços, profissionais próprios para ela, e passa a ser vista a partir de então, como a principal instância de transmissão do saber e do conhecimento.


No século XX novas concepções e novos debates são colocados a cerca da educação que auxiliada por ciências novas como psicologia e sociologia passa a ter mais força, assim passa a ser questionada por dentro. No final do século XX para o inicio do século XXI a educação toma outro caminho que não mais direcionada para a indústria, mas com ênfase na sala de aula, no que o aluno também tem de conhecimento, o aluno deixa de ser apenas um receptor, mas também transmissor do conhecimento.


A escola está em constante aceitação, produzindo cenas que são a expressão de um conjunto de normas e regras que a sociedade e essa máquina chamada educação pensaram para eles. Mas a educação nunca se restringiu a escola. Práticas educativas tem ocorrido, ao longo do tempo, fora dessa instituição, e as vezes, com maior força do que se considera, principalmente para certos grupos sociais e em determinadas épocas. A cidade, o trabalho, o lazer, os movimentos sociais, a família, a Igreja, foram, e continuam sendo, poderosas forças nos processos de inserção de homens e mulheres em mundos culturais específicos.
A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESCOLAR NO RASIL ATRAVÉS DE SEUS PRINCIPAIS ESTABELECIMENTOS.


Principais estabelecimentos ESCOLARES fundados no Brasil entre os períodos colonial, imperial e republicano:
1534 | Inácio de Loyola funda a Companhia de Jesus que possuía objetivos catequéticos
1541 | Fundação do 1° colégio da Companhia de Jesus
1542 | Colégio e Universidade de Pádua
1544 | Colégio fundado por S. Francisco de Borja, Duque de Gandia
1549 | Os jesuítas abriram escola de ler e escrever
1550 | Fundação do Colégio dos Meninos de Jesus, na Bahia
1552 | Colégios dos meninos órfãos no Brasil
1555 | Escolas jesuítas de São Paulo de Piratininga e da Bahia
1556 | Fundação do Colégio Jesuíta de Todos os Santos
1557 | Fundação do Colégio de Jesuíta do Rio de Janeiro
1623 | Fundação do Colégio Jesuíta do Maranhão
1646 | Fundação do Colégio Jesuíta de Santo Inácio, em São Paulo
1654 | Criação do Colégio Jesuíta de São Tiago, no Espírito Santo Fundação do Colégio Jesuíta de São Miguel, em Santos, o de Santo Alexandre, no Pará, e o de Nossa Senhora da Luz do Maranhão
1683 | Fundação do Colégio Jesuíta de Nosso Senhor do Ó, em Recife
1808 | Escola de medicina na Bahia Faculdade nacional de medicina (atual UFRJ)Academia real da marinha |
1809 | Academia de médico-cirurgião do Rio de Janeiro
1810 | Escola de engenharia do Rio de Janeiro Abertura da Academia Militar
1827 | Escola de direito de Largo de São Francisco em São Paulo Faculdade de direito de Olinda (Pernambuco)1912
1835 | 1° escola normal do país em Niterói
1837 | Colégio Pedro II
1909 | 1° escola moderna fundada no Brasil
1912 | Universidade Federal do Paraná (1° universidade brasileira)
1915 | Universidade Popular de Cultura Racionalista e Científica
1930 | Criação do Ministério da Educação
1937 | Universidade do Brasil (atual UFRJ)
1950 | Centro Educacional Carneiro Ribeiro
1960 | 1° Universidade Federal de Santa Maria no interior do Brasil
1967 | Movimento Brasileiro de Alfabetização
1985 | Movimento Mobral é instinto
1991 | Instituto Paulo Freire
1997 | Ministério da Educação cria o programa de expansão da educação

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Fernanda Moliterno

por Fernanda Moliterno

Pedagoga, formada pela instituição FATEA - Faculdades Integradas Teresa D'avila, trabalho como Instrutor Técnico em informática Educacional - Fundamental I

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