Descoloração e Pigmentação dos Dentes em Adultos

Descoloração e Pigmentação dos Dentes em Adultos
Descoloração e Pigmentação dos Dentes em Adultos

Odontologia

20/08/2012

Antibióticos do grupo das tetraciclinas (oxitetraciclina, doxiciclina, minociclina, entre outras) podem causar descoloração permanente e pigmentação do esmalte dentário, com consequentes problemas de natureza estética.




Atualmente, a minociclina está sendo amplamente utilizada no tratamento de acne em adolescentes e adultos e também há sugestões para sua utilização no tratamento da artrite reumatoide. Como a descoloração e pigmentação de dentes associadas ao uso desse antibiótico tem sido frequentemente relatada em crianças, muitos médicos e dentistas desconsideram tais problemas quando adolescentes e adultos fazem uso de minociclina.




O período de utilização do antibiótico geralmente não representa o principal determinante, pois descoloração e pigmentação em dentes de adultos têm sido observadas após semanas ou meses de uso. De forma diferente do que ocorre em crianças, no adulto a pigmentação tende a desaparecer com a interrupção do uso do antibiótico. O pigmento que causa as manchas nos dentes é estimulado por exposição à luz ultravioleta na presença de ar.


Reações Orais Induzidas por Medicamentos


Reações adversas podem ocorrer após o uso de diferentes medicamentos, sendo que sua localização, magnitude, duração e grau de risco ao paciente podem variar de forma ampla.


Lesões diversas da mucosa oral podem ocorrer após o uso de antibióticos, anti-inflamatórios esteroides e não esteroides, captopril, losartan, ciclosporina e fluoxetina, entre outros. Por sua vez, alopurinol, barbitúricos, carbamazepina, anti-inflamatórios não esteroides, tetraciclinas, e tolbutamina podem induzir eritema multiforme, com manifestações orais como edema de lábios, mucosa oral e sangramentos.


Pigmento da língua e mucosa oral pode resultar do uso de uma longa lista de drogas, incluindo anticoncepcionais orais, metildopa, anti-inflamatórios não esteroides, zidovudina, clorexidina e fenotiazinas.


Descoloração dos dentes, uma reação adversa atribuída aos antibióticos do grupo das tetraciclinas, também pode ocorrer após o uso excessivo de clorexidina e ciprofloxacina.


A língua escurecida pode ser resultado do uso de antidepressivos (amitriptilina, maprotilina, nortriptilina, imipramina, fluoxetina), cefalosporinas, cloranfenicol, anti-inflamatórios esteroides, griseofulvina, penicilinas, tetraciclinas e sulfas.


Vários antiepilépticos (carbamazepina, lamotrigina, fenobarbital), bem como lítio, cetoconazol, eritromicina e cotrimoxazol podem induzir hiperplasia gengival.


Secreção salivar pode ser aumentada ou reduzida por diferentes drogas. Entre aquelas que reduzem a secreção salivar estão os simpatomiméticos (anfetaminas, efedrina, anorexígenos diversos), anti-histamínicos, inibidores de protease do HIV, levodopa, tramadol, antidepressivos tricíclicos, fluoxetina e omeprazol. Entre aquelas que causam sialorreia, podem ser mencionadas betanecol, buspirona, clozapina, lamotrigina, pilocarpina, risperidona, tobramicina e venlafaxina.


Outras drogas, incluindo amitriptilina, isoniazida, ácido nalidíxico, propranolol, sildenafil e tolbutamida, podem causar sensação de parestesia e calor na face e boca.


Drogas imunossupressoras (anti-inflamatórios esteroides), bem como cefalosporinas, ciprofloxacina, griseofulvina, olanzapina, omeprazol e penicilinas podem causar candidíase orofaríngea.


Concluindo, o conhecimento de reações adversas orais induzidas por drogas diversas pode auxiliar o dentista a estabelecer um diagnóstico, prescrever medicamentos de forma mais segura, aumentar a adesão do paciente ao tratamento e promover o uso mais racional de medicamentos.


Associações e Interações Medicamentosas


Para facilitar a compreensão, vamos considerar associações aquelas em que a indústria farmacêutica inclui mais de um fármaco na composição de um produto – são as “associações em dose fixa”. E interações medicamentosas são aquelas em que um mesmo paciente recebe mais de um medicamento – por conta própria ou por prescrição médica ou odontológica.




Associações e interações medicamentosas devem ter por objetivo tratar doenças concomitantes, reduzir efeitos adversos, incrementar a eficácia ou permitir a redução das doses de fármacos.



As associações em dose fixa podem apresentar características benéficas ao organismo, quando então são consideradas desejáveis. São exemplos de associações desejáveis:


• Sulfametoxazol e trimetropim – neste caso, cada quimioterápico, que isoladamente é bacteriostático, inibe uma etapa na síntese de folatos pela bactéria, resultando na obtenção de efeito bactericida.

• Amoxicilina e ácido clavulânico – este ácido se liga preferencialmente às enzimas beta-lactamases nas bactérias resistentes, liberando a amoxicilina para se ligar aos receptores, resultando em lise bacteriana.



A prescrição de dois ou mais medicamentos frequentemente origina preocupações referentes a possíveis interações, já que um fármaco pode reduzir ou aumentar o efeito do outro. O mesmo se pode esperar de alguns alimentos. Basicamente, podemos descrever dois tipos de interações mais comuns: farmacocinéticas e farmacodinâmicas.



Interações Farmacocinéticas


Descrevem a interferência de um fármaco ou alimento nos processos de absorção, distribuição, metabolismo ou excreção de outro fármaco. Alguns exemplos:

• Epinefrina associada a anestésicos locais: ao produzir vasoconstrição, a epinefrina dificulta a absorção do anestésico local, prolongando a permanência deste no local e a duração da anestesia.


• Eritromicina aumenta concentrações plasmáticas de teofilina, warfarina, metilprednisolona, favorecendo o surgimento de efeitos adversos destes fármacos. Isso ocorre porque a eritromicina inibe algumas enzimas que formam o complexo citocromo p-450, diminuindo o metabolismo daqueles fármacos. Já para a azitromicina, estudos sugerem que não ocorreriam tais interações, entretanto, alimentos podem reduzir a absorção da azitromicina. Por isso, ela deve ser ingerida em jejum.



• O metronidazol apresenta uma interação importante com o álcool: inibe uma das enzimas que o metabolizam, favorecendo o acúmulo de acetaldeído, que é tóxico. Em consequência, podem surgir náuseas e vômitos intensos, cólicas, vasodilatação facial e sistêmica, com hipotensão severa, podendo levar à morte. Conhecido como “efeito dissulfiramo”, pode ocorrer também com penicilinas, cetoconazol e antifúngicos, se associados à bebida alcoólica.


Uma interação farmacocinética bem conhecida e documentada é a que ocorre com produtos lácteos e antiácidos com tetraciclinas. Estas formam quelatos com os íons cálcio, alumínio, ferro, magnésio, formando complexos grandes demais para serem absorvidos. Não sendo absorvidos, deixam de atingir o local de ação e são eliminados nas fezes.




Interações Farmacodinâmicas


Ocorrem quando são administrados conjuntamente fármacos de efeitos semelhantes (sinergismo) ou contrários (antagonismo). São exemplos:

• A clindamicina não deve ser indicada para um paciente ao qual foi prescrito algum macrolídeo (eritromicina, azitromicina, claritromicina), porque estes antibióticos competem com a clindamicina pelo mesmo sítio de ligação no ribossomo, e apenas um dos antibióticos fará efeito.

• Antibióticos bactericidas em geral dependem de que as bactérias estejam em fase de reprodução para exercer seu efeito. Se forem administrados juntamente com bacteriostáticos, que impedem a reprodução bacteriana ocorrerá antagonismo porque os bactericidas ficarão impedidos de agir.


Nem sempre é possível reconhecer clinicamente uma interação, por isso é muito importante, ao prescrever um medicamento, investigar se o paciente está fazendo uso de outro, para evitar ou corrigir possíveis interações.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Colunista Portal - Educação

por Colunista Portal - Educação

O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.

Portal Educação

PORTAL DA EDUCAÇÃO S/A - CNPJ: 04.670.765/0001-90 - Inscrição Estadual: 283.797.118 - Rua Sete de Setembro, 1.686 - Campo Grande - MS - CEP 79002-130