Policitemias

Policitemias
VETERINARIA
A policitemia, também chamada de poliglobulia, é o inverso da anemia, pois se trata do aumento do número de eritrócitos circulantes. Contudo, há uma semelhança entre ambas, pois assim como na anemia, a policitemia raramente é primária e geralmente decorre de outra patologia.

Clinicamente, animais com policitemia podem manifestar congestão de mucosas, congestão dos vasos da esclerótica e do fundo do olho e também aumento da viscosidade do sangue. Sinais inespecíficos como letargia, sonolência, dificuldades respiratória e cardíaca também podem ocorrer.

No laboratório, a principal alteração observada será um aumento dos parâmetros eritrocitários, com volume globular, hemoglobina e contagem de eritrócitos maiores que o esperado para a espécie. As policitemias podem ser classificadas em falsas ou verdadeiras, e estas em primárias ou secundárias.

Policitemia Falsa
A policitemia falsa, também dita relativa, é causada por hemoconcentração em consequência à desidratação. A desidratação provoca perda de água do plasma, no entanto o número de células não se altera, provocando hemoconcentração; esta situação faz com que laboratorialmente o animal apresente características de policitemia. Outras alterações laboratoriais que frequentemente acompanham a falsa policitemia são o aumento da densidade urinária e da PPT. Este é o tipo mais comum de policitemia nos animais.

Outra causa de policitemia falsa é a esplenocontração, já que o baço armazena grande volume de eritrócitos e, portanto possui um reserva para situações de estresse. Situações de estresse, nas quais há liberação de adrenalina e a oxigenação dos tecidos precisa se elevar, o baço se contrai e libera eritrócitos na corrente sanguínea. Nestes casos, não haveria tempo hábil para síntese de hemácias pela medula óssea. Um fator determinante na esplenocontração é a quantidade de musculatura lisa existente na cápsula do baço dos animais, por isso cães e gatos são capazes de aumentar em 6 a 15% a massa eritrocitária, e equinos de 15 a 35%. Caso o animal tenha sido submetido a uma situação estressante próxima à realização do exame este pode apresentar aumento falso do número e volume de eritrócitos.

Policitemia Verdadeira
A policitemia verdadeira ocorre quando não há alteração significativa no volume de líquido intravascular e sim real aumento do número de hemácias, devido à maior produção destas pela medula óssea. A policitemia verdadeira pode ser dividida em primária e secundária.

Policitemia Verdadeira Primária

Esta policitemia tem caráter neoplásico e até hoje só foi descrita em seres humanos, nos quais também é chamada de policitemia vera. A policitemia vera tanto provoca aumento do número de células maduras quanto das jovens, atingindo todas as linhagens sanguíneas (eritrócitos, leucócitos e plaquetas).

Policitemia Verdadeira Secundária
A policitemia verdadeira secundária é causada por oxigenação insuficiente dos eritrócitos e consequente insuficiência cardiorrespiratória. Se a hipóxia estimula a produção e a ação da eritropoetina, há maior produção de eritrócitos, exatamente como ocorre nas anemias regenerativas, porém sem hemólise. O resultado destes mecanismos é o aumento do número de eritrócitos e instalação real da policitemia.

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