Neutropenia

Neutropenia
VETERINARIA
A neutropenia, diminuição do número de neutrófilos circulantes, é a causa mais comum de leucopenia nos animais, ela é considerada um sinal de agravamento do quadro clínico e quando apresenta características progressivas é tida como mal prognóstico para o caso em discussão. São observados três mecanismos na neutropenia: sequestro, consumo excessivo e granulopoese ineficaz.

A neutropenia por sequestro ocorre em choques anafiláticos e nas endotoxemias, situações em que os neutrófilos do compartimento circulante passam para o compartimento marginal devido a um aumento da adesividade às células endoteliais. Após quatro a seis horas, o processo de marginação diminui e a neutropenia também, a normalização geralmente ocorrem em um dia. Como as endotoxemias também estimulam a mobilização de neutrófilos da medula óssea, o número circulante destas células também pode se manter normal quando estas ocorrem.

O segundo mecanismo envolvido na neutrofilia, o consumo excessivo dos neutrófilos, ocorre quando as necessidades teciduais exacerbam a capacidade de produção da medula óssea, sendo esta incapaz de repor o número de neutrófilos no sangue. Nesses casos, a medula óssea não está comprometida, apenas o tempo não é suficiente, o que normalmente se estabiliza após dois ou três dias, com o aparecimento de regeneratividade, isto é, a liberação de células jovens da medula para a corrente sanguínea. Por isso, a neutropenia pode ser regenerativa ou não.

No caso da neutropenia regenerativa, a lógica é a mesma das anemias regenerativas, ou seja, há redução de número de neutrófilos maduros, porém há presença de células jovens indicando resposta efetiva da medula óssea com instalação de hiperplasia granulocítica. Por outro lado, a neutrofilia sem sinais de regeneratividade pode representar a estafa da medula óssea, ou seja, uma hipoplasia, o que em termos de prognóstico é muito ruim. Além da estafa também pode ocorrer ineficácia da medula, produzindo neutrófilos incapazes de realizar fagocitose ou até mesmo células neoplásicas, que ficam retidas na própria medula óssea. Clinicamente não será possível distinguir tais formas de neutropenia, sendo necessária a análise da medula óssea para tal.
Situações que levam a neutropenia incluem:

• Infecções bacterianas como febre tifoide (Salmonella typhi), paratifoide (Salmonella paratyphi), brucelose, tularemia (Francisella tularensis);

• Infecções bacterianas piogênicas de caráter hiperagudo, tais como pneumonia, peritonite, reticuloperitonite, mastite, salmonelose eqüina;

• Doenças causadas por riquétsias, como a erlichiose monocítica canina (Ehrlichia canis);

• Viroses como cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina, panleucopenia felina, peste suína e AIE.

• Doenças causadas por protozoários como malária e leishmaniose;

• Infecções graves como tuberculose ou septicemias, especialmente em pacientes imunossuprimidos;

• Iatrogênica, desencadeada por drogas ou agentes que induzem à hipoplasia medular, tais como irradiação, cloranfenicol, benzeno, mostarda nitrogenada, antagonistas do ácido fólico, análogos da purina e da pirimidina, vinblastina e colchicina;

• Sensibilidade individual a alguns produtos químicos, como aminopirina, fenotiazinas, sulfonamidas, drogas antifoides, anticonvulsivantes, antihistamínicos, tranquilizantes e antimicrobianos;

• Disfunções hematológicas que provocam neutropenia em conjunto a uma anemia arregenerativa, por exemplo;

• Cirrose hepática com esplenomegalia e lúpus eritematoso;

• Estados de debilidade e caquexia;

• Estágios iniciais de reações contra proteínas estranhas;

• Neutropenia cíclica, neutropenia hipoplásica, agranulocitose infantil e neutropenia esplênica primária, todas hereditárias e bastante raras.

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