Hiperlipidemias primárias

Hiperlipidemias primárias
VETERINARIA

As hiperlipidemias primárias são raras na medicina de cães e gatos, porém entidades bem reconhecidas em ambas às espécies. Os cães tendem a apresentar um tipo de hipercolesterolemia familiar, onde a raça Schnauzer miniatura parece mais predisposta.


Estes pacientes apresentam hipertrigliceridemia associada a valores elevados de VLDL e eventualmente de quilomicrons. Hipercolesterolemia idiopática também já foi descrita em outras raças como o Beagle e Poodle.


Além disso, gatos apresentam um tipo de hiperlipidemia adquirida associada a um defeito na atividade da lipoproteína lipase, resultando em hipertrigliceridemia associada a excesso de quilomicrons e VLDL.


Clinicamente além de uma causa de resistência à insulina e um fator de risco para pancreatite, a hiperlipidemia pode levar a outras consequências. A hipertrigliceridemia tende a causar pancreatite crônica e recorrente (dor abdominal, vômitos, anorexia, diarreia, sem maiores alterações ecográficas ou radiológicas), além de distrofia corneana por depósito de lipídeos, lipemia do humor aquoso, convulsões e até neuropatias periféricas. A hipercolesterolemia esta mais comumente associada à formação de arcos lipídicos na córnea e a formação de aterosclerose quando o LDL esta envolvido na hiperlipidemia.


O processo diagnóstico deve envolver a mensuração dos lipídeos em jejum de 12 horas, descartar as causas de hiperlipidemias secundárias, seguido então da avaliação se o paciente é um Schnauzer miniatura (hiperlipidemia familiar) ou de outra raça (hiperlipidemia idiopática), ou ainda se se trata de um felino (hiperlipidemia adquirida).


No tratamento destes pacientes, todos se beneficiam de uma dieta restrita em lipídeos, podendo esta medida sozinha ajudar a reduzir a hiperlipidemia. Quando esta medida não for suficiente, além de dieta pobre em gorduras, pode-se lançar mão do uso de estatinas (lovastatina, prevastatina, sinvastatina) como redutoras do colesterol e os fibratos (genfibrozil, bezafibrato) como redutores dos triglicerídeos principalmente.


Hiperlipidemias Secundárias
Hiperlipidemias secundárias normalmente ocorrem secundariamente a uma diversidade de outras doenças que podem afetar o metabolismo lipídico. As doenças endócrinas como diabetes, hipotireodismo e hiperadrenocorticismo afetam a atividade da lipoproteína lipase, levando a menor retirada de lipídeos da circulação, além dos HT estimularem a expressão do receptor de LDL.


Além disso, doenças colestáticas podem estar associadas à hipercolesterolemia que reverte facilmente após reversão da causa da colestase. Além disto, outros fatores como síndrome nefrótica (ocorrência conjunta de insuficiência cardíaca congestiva, edema periférico, ascite, glomerulonefrite, proteinúria e hiperlipidemia), câncer (linfoma) e uso de certas drogas (glicocorticoides, fenitoína, metimazol) e ainda o progestágeno megestrol (gatos) podem causar hiperlipidemia.


A resolução destas condições e retirada das drogas tende a reverter o quadro de hiperlipidemia, apesar de a síndrome nefrótica nem sempre ter um desfecho favorável.

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