Ensaio de irritação primária de pele (efeito agudo)

Ensaio de irritação primária de pele (efeito agudo)
VETERINARIA
ENSAIO DE IRRITAÇÃO PRIMÁRIA DE PELE (EFEITO AGUDO) - AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DÉRMICA DO EXTRATO BRUTO HIDROALCOÓLICO DA PLANTA Wilbrandia ebracteata EM RATOS.


INTRODUÇÃO

A humanidade utiliza o poder curativo das plantas desde os tempos mais remotos, prática essa que tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil. A Wilbrandia (W.) ebracteata pertence a família Cucurbitaceae, é uma planta nativa do Brasil e suas raízes tem sido empregadas no tratamento de úlceras, gastrites, diabetes, febre, reumatismo e afecções da pele, sendo importante determinar a existência ou não de níveis de toxicidade dérmica, assim como levantar informações em relação a outros possíveis riscos para a saúde, sinais tóxicos de caráter geral e identificar concentrações seguras para a utilização racional desta planta.

Ensaios com a Wilbrandia são imprescindíveis para garantir sua utilização segura na pele. Para tal, avaliou-se a atividade tóxica dérmica da aplicação tópica em ratos. Somente através de testes toxicológicos que novos fármacos produzidos a partir desta planta terão parâmetros de segurança estabelecidos.


MÉTODOS

Foram utilizados 40 ratos Wistar machos, sendo 28 para o grupo experimental e 12 para o grupo controle. Todos os animais foram anestesiados e submetidos à tricotomia do dorso e demarcação da área de teste de 4 cm, em ambos os grupos a área foi dividida igualmente em seu limite mediano. Com máquina de tricotomia foi realizada uma leve escarificação (abrasão) homogênea no dorso do animal. No grupo experimental, foi aplicado o extrato de Wilbrandia ebracteata a 10%, já no grupo controle foi aplicado somente água e tal grupo foi submetido aos mesmos padrões de aplicação que o primeiro grupo.

As características dérmicas e comportamentais foram observadas ao longo 14 dos dias e as anotações dos resultados correspondentes à área de abrasão foram efetuadas após 60 minutos, 24 e 72 horas, 7 e 14 dias da aplicação, para avaliar o caráter reversível ou irreversível dos resultados, que foram classificados segundo a Federal Hazardous Substances Act of the USA.


A categorização utilizada no estudo foi a preconizada pela Classificação da Federal Hazardous Substances Act of the USA que considera os seguintes índices: 0,0 – 1,0 = não-irritante; 1,1 – 2,0 = irritante moderado; 2,1 – 3,0 = irritante grave e 3,1 – 4,0 = corrosivo.

Optou-se por trabalhar apenas com área abrasada por que um estudo paralelo realizado no mesmo laboratório para avaliação de toxicidade dérmica em pele integra já havia sido realizado e a planta foi considerada “não irritante”, com índice máximo de 0,41.


RESULTADO E DISCUSSÃO

Ao longo dos 14 dias de observação não foram observadas alterações nos hábitos alimentares, no consumo de água ou na respiração. A curva de sobrevivência dos dois grupos não mostrou diferença significativa. Uma morte ocorreu no grupo controle, o que pode estar relacionada ao próprio anestésico. No grupo experimental a área abrasada, que recebeu o extrato da Wilbrandia ebracteata, apresentou irritação dérmica moderada classificada como 1,67, comparada ao grupo controle que em área abrasada apresentou graduação de 0,5, não apresentando irritação.


CONCLUSÃO


De maneira geral, considerando apenas a pele abrasada, com base na classificação da Federal Hazardous Substances Act of the USA, sugere-se que a Wilbrandia ebracteata a 10% pode ser considerado um agente irritante moderado, com score de 1,67 (comparado como o score final de 0,5 do grupo controle que recebeu somente água).


REFERÊNCIAS

BRITO, A. S. Manual de ensaios toxicológicos in vivo /. Campinas, SP : Editora da UNICAMP, 1994 (Coleção Ciências Médicas).

CARVALHO, JCT. Fitoterápicos anti-inflamatórios: aspectos químicos, farmacológicos e aplicações terapêuticas. Ribeirão Preto, SP. Tecmedd, 2004. ISBN 85-8665-308-X.

CARVALHO, M. S. et al . Síntese e avaliação da toxicidade aguda de um novo derivado imidazolidínico. Química Tecnológica. 2007. Disponível em http://www.abq.org.br/cbq/2007/trabalhos/9/9-374-461.htm. Acesso em 26 abril de 2009.

FOLADOR, Poliane. Estudo do potencial hipoglicemiante da wilbrandia ebracteata em ratos normais e diabéticos . 2009. Dissertação (Mestrado em Farmácia) – Programa de pós Graduação em Farmácia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

GAZOLA, A.C. Estudo químico das raízes e folhas de Wilbrandia ebracteata Cogn. 2008. Dissertação (Mestrado em Farmácia) – Programa de pós Graduação em Farmácia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

SIMÕES, C. et al. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6. ed. Florianópolis, SC: Ed. da UFSC, 2008.


AUTORES

Luize Freitas Bernhardt e Dra. Karina Remor

FOMENTO


O trabalho teve a concessão de bolsa pelo Programa Unisul de Iniciação Científica (PUIC) e foi apresentado na Jornada Unisul de Iniciação Científica.

Luize Freitas Bernhardt
http://lattes.cnpq.br/0047831592057858
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