Doenças Congênitas, Estruturais e Inflamatórias das Pálpebras

Doenças Congênitas, Estruturais e Inflamatórias das Pálpebras
VETERINARIA
As pálpebras e seus anexos realizam várias funções, dentre elas a defesa contra agentes externos e o espalhamento do filme lacrimal, evitando assim o ressecamento da córnea.

Devido a essas propriedades funcionais das pálpebras e anexos (cílios), é importante estar atento às afecções existentes, visto que anormalidades nessas estruturas podem determinar a ocorrência de doenças na superfície ocular.


Coloboma palpebral
É o desenvolvimento incompleto da margem palpebral. Esta afecção é de origem hereditária. A partir da anamnese e do exame físico é possível encontrar os seguintes sinais clínicos: dor, conjuntivite, ceratite e outras afecções congênitas.

No tratamento do coloboma é indicada a utilização da técnica de Robert e Bistner (pedículo de pele, músculo orbicular e placa tarsal), que consiste basicamente em desenvolver um pedículo de pele e transferi-lo para a região que não foi formada completamente.

Anquilobléfaro (oftalmia neonatal)

Refere-se à união entre as margens palpebrais superior e inferior. Considera-se de 10 a 14 dias o tempo normal de abertura das pálpebras em cães e gatos. Portanto, são anquilobléfaros fisiológicos até esta idade.

Algumas vezes, desenvolvem-se infecções no saco conjuntival antes das pálpebras abrirem (oftalmia neonatal). Normalmente esta afecção é decorrente de infecções intra-uterinas. As pálpebras assumem aspecto edemaciado e pode haver pequena quantidade de material purulento saindo pelo canto nasal.

Esta condição deve ser tratada através de abertura das pálpebras ao longo da linha de fusão, utilizando-se pressão digital ou uma tesoura oftálmica. É recomendado colírio ou pomada de antibióticos como a gentamicina ou tobramicina, BID ou QID, durante sete dias, e limpeza com cloreto de sódio 0,9% várias vezes ao dia. Em uveítes associadas recomenda-se atropina colírio BID por três dias e antiinflamatório sistêmico por 10 dias.

Entrópio
Esta afecção ocorre quando as pálpebras, superior ou inferior, apresentam introversão (viradas para dentro). É comum em cães e provavelmente hereditária em algumas raças.

O início do aparecimento difere entre as raças. Os Shar Peis podem desenvolver entrópio logo após a abertura das pálpebras e esta condição pode ser revertida com eversão temporária “suturas de alinhavamento”. Algumas raças como Retrievers, desenvolvem entrópio em idade posterior.

A afecção pode ser estudada em categorias, isso ocorre devido o entrópio possuir diferentes origens. O entrópio pode ser dividido nas seguintes classes, de acordo com a origem:
- Congênito (primário ou anatômico): quando a origem é hereditária. Sabe-se que existem raças mais predispostas à entropia congênita, comum em gatos Persas e cães das raças Shar Pei, Chow-chow, Labrador, São Bernardo, e Dobermann;
- Espástico: relacionado a processos dolorosos (úlceras de córnea). O excesso de movimento palpebral (blefarospasmo) causa espasmo do músculo orbicular. Este tipo de entrópio pode ser diagnosticado com reversão, através do uso de colírio anestésico;
- Adquirido (cicatricial): seqüela de enoftalmo, cicatrizes de conjuntiva ou pálpebras. Os sinais clínicos aparecem em decorrência do contato dos pêlos palpebrais e cílios com a córnea, causando dor, desconforto, lacrimejamento, blefarospasmo e até ceratite.

No exame físico são encontrados sinais clínicos que sugerem a doença, como epífora, blefarospasmo, fotofobia, secreção e alterações corneais.
O diagnóstico é clínico e baseia-se nos achados da anamnese e exame oftálmico. É importante avaliar o olho sem e com anestesia tópica. Muitas vezes o entrópio espástico pode ser um componente parcial da inversão palpebral, nas situações onde o entrópio congênito ou adquirido cause dor. Após a administração do anestésico, restará apenas o componente anatômico (primário).

Para entrópio espástico, basta tratar a causa. Para o congênito e adquirido, o mais indicado é a ressecção músculo cutânea (Hotz-Celsus), não esquecendo alguns passos importantes que devem ser seguidos, como: incisão inicial a 3 mm do tarso palpebral, promover leve hipocorreção (durante a cicatrização ocorre contração da pálpebra), secção da pele e músculo orbicular do olho e para finalizar a sutura deve ser iniciada no centro da ferida.

A técnica consiste na retirada de pele em meia-lua, abaixo ou acima do entrópio. A sutura inicia-se no centro da incisão para melhor acabamento. Recomenda-se fio seda ou monáilon 4-0. O proprietário deve ser conscientizado em relação a recidivas. No pós-operatório tratam-se distúrbios relacionados, e, caso não existam, pomada antibiótica TID durante sete dias (Epitezan® ou Regenon®), e uso de colar protetor.

Em cães jovens, sobretudo os Shar Peis, deve-se evitar a ressecção cutânea inicialmente. Recomendam-se “suturas de alinhavamento”, que, em algumas vezes podem solucionar o problema.

Esta técnica é indicada quando os cães ainda não atingiram a maturidade facial. Empregam-se suturas de Wolff ou interrompida simples com ou sem captons e fios de mononáilon, iniciando-se a cerca de 3 mm da margem palpebral. A sutura deverá ser refeita aproximadamente a cada 30 ou 45 dias, até se decidir pelo procedimento definitivo ou até mesmo avaliar como não necessária a técnica de Hotz-Celsus.

Pode ocorrer em determinadas raças o entrópio da prega nasal, sendo mais comum o aparecimento da afecção em Pequinês, Pug, Bulldog e demais braquicefálicas.

Os sinais clínicos são idênticos aos cães acometidos com entrópio palpebral.
O tratamento recomendado é a remoção parcial ou total da prega nasal, a técnica varia de acordo com a severidade do entrópio.

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