Diagnóstico e Prognóstico - Babesiose

Diagnóstico e Prognóstico - Babesiose
VETERINARIA
Os métodos diagnósticos utilizados para babesiose podem ser divididos em diretos e indiretos. Os métodos diretos incluem o esfregaço sanguíneo periférico, necropsia e a PCR, enquanto os métodos indiretos incluem os testes sorológicos. 

O exame microscópico de esfregaços sanguíneos corados pelos métodos de Panótico ou Giemsa é um método prático e bastante útil rotineiramente, apesar da baixa sensibilidade. Contudo, a sensibilidade é geralmente maior na fase aguda, por isso se torna mais fácil localizar o parasito quando o sangue é coletado durante os picos febris do animal, que tem estreita relação com a parasitemia. O esfregaço sanguíneo também é adequado a animais jovens, especialmente no caso dos cães, devido à imaturidade do sistema imunológico, e a possibilidade de resultados falso-positivos em testes sorológicos devido à presença de anticorpos maternos.

Na necropsia, as alterações cadavéricas das babesioses nas diferentes espécies de animais domésticos são muito semelhantes, mas possuem ligeiras diferenças. Nos bovinos, as alterações observadas são hepatoesplenomegalia, fígado de coloração amarelada, vesícula biliar com bílis espessa, rins cianóticos, mucosas do abomaso e intestino com edema, icterícia e petéquias; tecido conjuntivo intramuscular edemaciado e ictérico, gordura amarelada e gelatinosa, e sangue de aspecto aquoso.

Nos equinos, a necropsia revela carcaça anêmica, ictérica, edematosa. Há acúmulo de fluidos no pericárdio e peritônio, hepatoesplenomegalia, estômago e intestino hemorrágico. Nos equinos, os diagnósticos diferenciais são importantes, entre eles anemia infecciosa (A.I.E.), não qual não ocorre icterícia e hemoglobinúria, e erlichiose equina.

À necropsia dos cães observa-se hepatoesplenomegalia, coração pálido e amarelado, rins amarelados, músculos pálidos e ictéricos, intestinos e brônquios hemorrágicos. Também ocorre acúmulo de líquido na pleura, pericárdio e peritônio.

As amostras de tecidos coletadas durante a necropsia podem ser fixadas em formol e utilizadas para confecção de cortes histopatológicos corados pelo método de HE (hematoxilina-eosina), ou podem ainda ser feitos decalques dos tecidos, que serão corados com Giemsa para pesquisa direta do parasito. Esta última técnica é interessante quando aplicada a fragmentos do cérebro a fim de constatar babesiose cerebral.

Os métodos moleculares representam avanços no diagnóstico da babesiose, assim como para as demais hemoparasitoses. A PCR se mostra bastante útil, especialmente por ser capaz de identificar animais portadores assintomáticos e possibilitar a diferenciação entre espécies de Babesia e possíveis infecções concomitantes. Amostras de sangue são as mais utilizadas para PCR. A determinação exata do agente causador, possibilitada pela PCR, pode ser determinante no tratamento do animal, especialmente em equinos, pois a T. equi é freqüentemente mais refratária ao tratamento do que a B. caballi.

E, no caso específico dos gatos, a PCR permite o diagnóstico específico do parasito, o que não ocorre na observação dos hemoparasitos no interior dos eritrócitos, pois os merozoítos de B. felis são morfologicamente indistinguíveis de B. leo e de Citauxzoon felis.

Os testes sorológicos são mais úteis em infecções crônicas ou em animais portadores assintomáticos, quando a parasitemia é geralmente baixa. Os principais testes sorológicos para babesiose são a reação de imunofluorescência indireta (RIFI), ELISA e fixação de complemento. Não se usa sorologia em gatos porque os testes ainda não foram padronizados para a espécie.

Para bovinos, as provas sorológicas são os métodos mais adequados e práticos para se conhecer e classificar a situação epidemiológica da babesiose em um rebanho ou região, sendo que o teste de ELISA é considerado o que confere melhores resultados.

O prognóstico da babesiose depende do momento em que foi feito o diagnóstico, o estado geral do animal e se há ou não infecções concomitantes. Quanto mais brando o quadro e quanto antes o animal for tratado, melhor o prognóstico.

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