Uma opinião sobre árvores de natal

Uma opinião sobre árvores de natal
TURISMO-E-HOTELARIA
Por um lado, muitos defendem que a árvore de Natal ou o pinheiro enfeitado desempenha um papel importante na data comemorativa do nascimento de Jesus. Citam os cristãos da antiga Europa que ornamentavam suas casas com pinheiros no dia no Natal, a única árvore que nas imensidões da neve permanecem verde. Referem-se ao século XVI, na antiga Alemanha, a certo costume de famílias ricas e pobres em decorar árvores com papel colorido, frutas e doces, tradição que se espalhou pela Europa e chegou aos Estados Unidos pelos colonizadores alemães.

Também mencionam uma história de Martinho Lutero que, caminhando à noite olhou para o céu estrelado atrás de um pinheiro. Pensava em uma forma de celebrar o Natal com a família. De repente, ao olhar aquele pinheiro com as estrelas brilhando ao fundo, pensou em uma árvore com velas brilhando, imitando estrelas. Lutero, então, cortou um pinheiro, levou-o para casa e, juntamente com os filhos foi decorando com frutas, laços coloridos e finalmente, com velas que acendia as noites enquanto falavam sobre a vinda de Jesus, que trouxe luz às nossas trevas.[1]

Por outro lado, muitos sugerem um contexto ainda mais distante, anterior ao próprio Cristianismo. Referem-se à árvore do natal como um símbolo da vida e não como exclusividade de uma só religião. Citam os egípcios (a.C.) que traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano em dezembro como um símbolo de triunfo da vida sobre a morte. Mencionam os druidas como os primeiros a terem o costume de ornamentar a árvore, hábito derivado de outro, o decorar velhos carvalhos com maçãs douradas para as festividades deste mesmo dia do ano. Já dentro de uma visão intolerante, muitos asseveram a ilegitimidade deste símbolo no natal.

Dirão: "a árvore de Natal é de origem germânica, datando do tempo de São Bonifácio. Foi adotada para substituir os sacrifícios ao carvalho sagrado de ODIN, adorando-se uma árvore, em homenagem ao Deus-menino".[2]

Outros se lembrarão de uma lenda babilônica em que um pinheiro nasceu de um velho tronco. O velho tronco morto era Ninrod, que a Bíblia descreve como um neto de Ham (Cam), filho de Noé, "um poderoso caçador contra o Senhor" (Gn 10.9), isto é, em posição contrária a Deus, e fundador de Babel.[3]
Bom, primeiramente não creio que as Escrituras condenem o uso da árvore de Natal, como alguns gostam de afirmar. Empregar Jr 10.2-4 para demonstrar que Deus explicitamente condena árvores de Natal é de uma hermenêutica simplista demais. A descrição é de um ídolo, não de uma árvore de natal. É o que afirma o v. 5. O profeta Isaías (Is 40.18-20) ajuda-nos nesta compreensão. Também não creio que as Escrituras aprovem claramente o uso da árvore de Natal. Usar a "cipreste" de Os 14.8 ou o "tronco/renovo" de Is 11.1, Is 53.2 e Jr 33.15 para aprovar o uso deste símbolo é forçar o texto.

Obviamente os autores inspirados não tinham em mente a árvore de natal. Acredito que o uso ou não da Árvore de Natal deve ser avaliado na premissa individual do cristão frente à Palavra de Deus. Não a teremos como símbolo pagão, mas de um dia muito especial em nossas vidas. Ela simplesmente marcará um tempo: a chegada do natal. Não vejo mal algum neste símbolo. Inclusive, uma árvore de natal bem enfeitada é muito especial. Ora, se este símbolo tão antigo não fora objeto de profundas discussões ao longo dos séculos, por que seria agora? O silêncio dos reformadores parece-nos direcionador.

Referências
___________ [1] Esta história é muito linda, mas admito que ainda não a encontrei nos escritos de Lutero.
[2] A Enciclopédia Barsa, Vol. XI. p. 274.
[3] Dentro desta visão, vêem Ninrod como o homem que criou a instituição de ajuntamentos (cidades); construiu a torre de Babel (Gn 11.1-9) como um quádruplo desafio a Deus (ajuntamento, tocar aos céus, fama eterna, adoração aos astros); fundou Nínive e muitas outras cidades; e organizou o primeiro reino deste mundo. Segundo a lenda, e alguns escritos antigos, Ninrod casou-se com sua própria mãe, cujo nome era Semíramis. Depois de ele ter morrido, sua mãe-esposa propagou que Ninrod teria renascido (a doutrina da reencarnação) em seu filho Tamuz. Portanto, o velho tronco morto (Ninrod) teria renascido no pinheirinho chamado Tamuz! Daí, todo um culto pagão (muito antigo) começou: Semíramis se converteu na "rainha do céu" e Ninrod (encarnado em seu filho Tamuz) se tornou o "divino filho do céu"! Esta veneração de "a Madona e seu filho" (o par "mãe influente, filho poderoso e obediente à mãe") se estendeu por todo o mundo, com variação de nomes segundo os países e línguas. Que paralelo com a moderna adoração à Maria (a "Rainha do céu" nos dias de hoje), e muitos anos antes do nascimento de Jesus Cristo.

Angelo Vieira da Silva
Mestre em Ciências da Religião (Me.P) pela Faculdade Unida de Vitória (2011-2013). Bacharel em Teologia (Bel.) pela Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP (2008-2009) e Bacharel em Teologia (intracorpus) pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. Denoel Nicodemos Eller/MG (2002-2005). Pesquisador nas áreas de Apocalíptica, Escatologia e Angelologia. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8163422369950583
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