Turismo em áreas de proteção ambiental

Turismo em áreas de proteção ambiental
TURISMO-E-HOTELARIA
As áreas de preservação ambiental têm assumido nos últimos tempos uma função que vai além da simples necessidade de preservar a natureza. O parque na concepção moderna, desenvolve também importantes e imprescindíveis funções de caráter social (REY, 1984, p.146).

Como exemplo disso podemos citar os projetos educativos, culturais, científicos e recreativos que podem ser desenvolvidos nos parques, sendo estes últimos um dos mais utilizados pelas instituições de áreas protegidas pelo fato de exercer forte atração sobre os fluxos turísticos e recreativos. A presença de um parque em uma localidade pode funcionar como uma "marca de qualidade ambiental" com grau de atração ao segmento da demanda turística designada "ecoturismo" (CEBALLOS, 1996).

O reconhecimento implícito e explícito de tais funções tem trazido uma progressiva extensão na área operacional dos parques que modificaram até mesmo sua razão de existir, ou seja, passaram de uma área de simples controle ambiental para áreas com funções de uso sustentável do território e do ambiente natural. Esta mudança de função do parque foi favorecida pela necessidade de compensar de alguma forma a comunidade local dos custos, verdadeiros ou pressupostos, que esta têm em conservar a natureza.

Desta forma, os órgãos responsáveis pela administração dos parques precisam estar capacitados para gerenciar e promover novas atividades, buscar novas fontes de renda e fundos necessários para financiar tais ações para assim valorizar a região turística e recreativamente e compensar a comunidade com o aporte de divisas. Além disso, a formulação de projetos de financiamentos públicos que controlem realmente a administração dos parques, a capacidade de despesas e o controle de gastos, assim como o monitoramento e quantificação dos resultados sociais econômicos provenientes da utilização dos parques como atrativos turísticos na localidade são de extrema importância.

Neste, a análise das necessidades de autofinanciamento e/ou concessões em busca da realização de projetos de desenvolvimento do território, definindo modos e tempos para verificação dos resultados conseguidos, além de estratégias de marketing para auxiliar o processo de desenvolvimento e promoção dos atrativos existentes na área de proteção ambiental, são ações que podem promover o turismo em harmonia com o ambiente natural e social.
A quantificação dos custos e benefícios (não necessariamente monetários) são instrumentos indispensáveis para poder operar corretamente os parques e aumentar a oportunidade de empreender ações de valorização da função turística e recreativa do território (MARAGON e MASSARITTO, Fórum Udine, 2000).

Além disso, é importante conhecer a demanda de cada parque e adotar instrumentos de gestão visando o aumento do bem estar social. Atualmente são as leis institucionais dos parques que preveem a definição das várias funções e possibilidades do uso dos mesmos, podendo ser estas: Conservação dos recursos de especial interesse ecológico, geomorfológico e estético; Fruição pública a fins recreativos, culturais e educativos; Constituição de âmbito privilegiado à pesquisa científica; Promoção ao desenvolvimento econômico e social da comunidade autóctone.

Entre as finalidades institucionais dos parques figura-se não somente a conservação e a tutela dos ecossistemas naturais, mas também a fruição pública a fins recreativos, à pesquisa científica e ao desenvolvimento econômico e social da localidade, para qual o parque constitui não somente um instrumento para a conservação do capital natural, mas também para a promoção de novas atividades produtivas, compatíveis com a conservação. (PANELLA,1992, p.6).

Neste sentido, destaca-se que a importância dos parques e as suas capacidades de despesas não são medidas abstratamente, mas em relação à eficácia e eficiência com que tais objetivos são alcançados. A economia afirma que quando se oferece um bem público, como é o caso de uma área protegida, não é correto discriminar ninguém e, então, não se deveria cobrar ingresso ou serviços fornecidos.

Neste contexto um parque deveria funcionar exclusivamente através das contribuições estatais derivados da imposição fiscal e não deveriam ser previstas formas de cobrança aos visitantes, ou seja, o bem estar social seria máximo se não houvesse barreiras para a entrada (acesso gratuito).

Esta afirmação a princípio perde sua validade quando: Há um melhoramento na utilização dos recursos naturais. Os recursos obtidos com a cobrança de ingressos são reinvestidos na valorização do ambiente. Quando os visitantes determinam uma redistribuição econômica em favor de zonas marginais, ou seja, os lucros são redistribuídos em favor de pessoas e áreas menos ricas e desenvolvidas. (MARAGON e TEMPESTA, 1998, p.8)
A possibilidade que um parque disponha de fontes próprias de financiamento obtidas através da cobrança de ingresso para uso da natureza é perfeitamente aceitável e justificável ao menos com referência ao primeiro ponto. Devemos relevar que a redução no número de visitantes em decorrência da cobrança de ingresso muito caro pode entrar em conflito com o terceiro objetivo.

Quando em face desta problemática, não há como se limitar a oferecer um "bem público parque", deve-se também se ocupar dos efeitos das políticas alternativas de gestão sobre o bem estar social. Somente a conservação não é suficiente, há a necessidade de passar a uma fase de gestão e programação das intervenções. Ou seja, os parques devem demonstrar a capacidade de gestão não somente no sentido de aplicar os recursos financeiros que para ele são transferidos, mas também levar em conta o dinheiro gasto para o aumento do bem estar da coletividade que passa ser medida pelos fatores da conservação ambiental, valorização da função social e cultural do território e a melhoria das condições de vida da população.

O conhecimento das preferências da demanda assume particular importância em vista dos vínculos e dos limites impostos à oferta de espaços. Esse conhecimento é relevante para que a organização "parque" detenha a sustentabilidade dos recursos em função da satisfação, da motivação e dos desejos dos consumidores (REY, 1984, p.143).

Considerando demanda como um desejo por produtos específicos, respaldados pela habilidade e disposição de comprá-los (KOTLER,1999, p.28) podendo ser esta demanda turística medida em termos numéricos de pessoas que chegam ou partem de um país ou região ou região. (PEARCE, 1988, p. 29).

A demanda em relação à fruição de áreas protegidas pode ser baseada sob a existência de recursos naturais de interesse particular (resource-based), sob a existência de uma infraestrutura útil ao exercício de atividade esportiva (user-based) e pode ser intermediária (CLAWSON e KNITSCH, 1966, p.104).
A primeira está baseada na modalidade de uso que privilegia o contexto ambiental (wilderness) mais que a atividade. Nesta os serviços são conexos à existência de recursos naturais de particular atratividade que tem uma precisa localização espacial e portanto, enquanto recurso não reprodutível considera-se uma oferta fixa, onde a disponibilidade dos consumidores a pagar pela fruição diminui ao aumentar o número de visitantes. (TISDELLl,1991, p.183).

Enquanto que, as áreas destinadas às atividades recreativas (user-oriented) são ao contrário caracterizadas por uma demanda elástica que pressupõe a existência de estrutura de alto conteúdo capital. (MARINELLI e ROMANO, 1992, p. 199-221). O critério ao qual se faz referência para estimar o valor dos recursos é aquele da disponibilidade que os consumidores têm em pagar para usufruir as atividades das áreas protegidas ou aceitar uma compensação para renunciar a esta.

A disponibilidade para tal pode ser obtida recorrendo a vários métodos, em particular em relação aos bens públicos destinados às atividades recreativas, ao custo do transporte, à valorização contingente (pesquisa de mercado hipotético) e aos preços idôneos.(JOHANSSON, 1987).

Deste modo, as áreas protegidas devem avaliar o produto disponível em função da demanda e dos recursos a serem preservados, lembrando que o produto turístico é um bem de consumo intangível (KRIPPENDORF, 1980, p.16) e que a satisfação dos desejos e necessidades dos turistas e adequação da oferta a eles, constituí o fundamento do marketing turístico. (RUSCHMANN,1999, p.101)

Assim, a valorização de áreas ambientais pode responder em larga escala a uma motivação de caráter ético e não somente monetário, sendo esta valorização responsável também por critérios de eficiência social, levando em conta os custos e benefícios que serão obtidos pelo uso do ambiente natural.

Claudia Cristina Sanzovo
Bacharel em turismo pela Unioeste e especialista em Marketing e Negócios pela Facinter. Com mais de 10 anos de experiência no setor de viagens e turismo internacional em agências e operadoras de turismo, atualmente trabalha como assistente diretora de cruzeiros a bordo de cruzeiros marítimos e publica seus artigos de viagens em sua página Cantinho da Viagem.
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