Talento Profissional na Visão das Organizações Liquidez Social ou Dinamismo?

Talento Profissional na Visão das Organizações Liquidez Social ou Dinamismo?
RECURSOS-HUMANOS

Atualmente, nossa sociedade encontra-se em uma verdadeira torrente de revoluções e transformações; seja nas esferas macro –, sociedades, culturas, nações – ou micro –, indivíduos, famílias nucleares, “tribos” – as relações e percepções psicossociais refletem essa sociedade/cultura cada vez mais globalizada, conectada e informatizada; onde nossos cenários internos e externos sofrem constantes pressões vindas de diversas direções.

Influenciadas pelos meios midiáticos – talvez os maiores formadores de opinião das massas – nossas preferências, percepções e apercepções, assim como “filtros” tomam novas formas e padrões; alguns sonhos e valores particulares se esvaem frente às demandas externas, impostas por tantas convenções sociais descartáveis e modismos; a “liquidez Social” que Zygmunt Bauman tanto nos alerta, turva e enfraquece nossas estruturas individuais, a despeito de aparentemente ínfimas ou particularmente imperceptíveis, suas consequências vão exponencialmente se ampliando de forma caótica – imprevisível – culminando geralmente no distanciamento de nós mesmos; para além, cabe refletir sobre esses mesmos resultados projetados em escalas coletivas e massivas, os quais são necessariamente muito mais perniciosos em essência.

 

...o mundo que chamo de “líquido” porque, como todos os líquidos, ele jamais se imobiliza nem conserva sua forma por muito tempo. Tudo ou quase tudo em nosso mundo está sempre em mudança: as modas que seguimos e os objetos que despertam nossa atenção [uma atenção, aliás, em constante mudança de foco, que hoje se afasta das coisas e dos acontecimentos que nos atraíam ontem, que amanhã se distanciará das coisas e acontecimentos que nos instigam hoje]; as coisas que sonhamos e que tememos, aquelas que desejamos e odiamos, as que nos enchem de esperanças e as que nos enchem de aflição. (Zygmunt Bauman, 2009, pag 8.)

 

Dentro desse cenário, a maioria das grandes organizações ainda se mantém dentro da filosofia do capitalismo selvagem – pensamento onde os lucros da alta gestão e diretoria superam valores morais e éticos humanos, assim como a competitividade justifica comportamentos nada ascéticos. A partir dessa premissa, os olhares e perspectivas à cerca do talento podem se tornar controversos; não em sua característica necessariamente semântica, mas sob um ponto de vista e numa análise mais profunda e processual, filosófica e sociológica.

Tanto a própria definição de talento quanto a sua aplicabilidade nas organizações, existem inevitavelmente graças a sua própria interdependência, a qual passa pelo escopo perceptual das próprias organizações; tanto a definição quanto a valorização de tais características pessoais/profissionais, assim como suas aplicabilidades, coexistem concentricamente se auto-alimentando mutuamente de acordo com as correntes líquidas do mercado, influenciado principalmente pelas tendências “do momento”.

Seja direta ou indiretamente o que ontem fora valorizado, hoje talvez não mais o seja, como currículos onde predominam a quantidade de empresas e experiências ainda que incipientes – pouco tempo de ligação com a empresa – são interpretadas por algumas organizações como sinônimo de agilidade, pro atividade, dinamismo e senso de iniciativa do profissional, em detrimento de um perfil mais estável onde predomina a constância e dedicação – muito tempo de ligação com a empresa – a poucas organizações em seu histórico profissional. Em síntese, a quantidade de experiências supera o compromisso e fidelidade. Senso assim, torna-se urgente a busca de um Ethos  capaz de universalizar o conceito, que determine e norteie de forma clara o profissionalismo assentando-o sobre os valores éticos e humanos comprometidos com a equanimidade, respeito e cooperação, e não com a famigerada competitividade.

David Alexandre Martins
Cursando Gestão de Recursos Humanos - ênfase em Gestão Estratégica de Pessoas, Gestão de Conflitos, Coaching e Psicodinâmica do Trabalho. Pesquisador nas áreas de Comportamento Humano, Filosofia, Sociologia, Psicologia, Psicanálise, Sexologia, Antropologia, dentre outras.
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