Tipos de drogas

Tipos de drogas
PSICOLOGIA
Conforme Hockenbury (2003), as drogas psicoativas são substâncias químicas que podem alterar a estimulação, o humor, o pensamento, a sensação e a percepção. Podem ser agrupadas em quatro categorias tais como:
• Depressores: drogas que funcionam como sedativos ou inibidores da atividade cerebral.
• Opiáceos: drogas que são quimicamente semelhantes à morfina, reduzem a dor e produzem euforia.
• Estimulantes: drogas que estimulam ou excitam a atividade cerebral.
• Alucinógenos: drogas que produzem distorções nas percepções sensoriais.

A droga como causa do gozo

O gozo deixa de ter sentido quando a destruição vai além do organismo. Quando a sedução a droga já não é a mesma, o sujeito perde a liberdade e vira escravo do seu próprio vício (Grifo da autora).

Na opinião de Almeida (2007), a droga aparece justamente como uma tentativa de encobrir uma falta.

Ao se drogar, o sujeito já está imerso num discurso adoecido, em que a vida é uma droga, em que o gozo é primordial e pelo qual o sujeito rompe quaisquer laços afetivos. Seu afeto, por dizer, está no gozo, na ilusória sensação de completude que a droga pode vir a propiciar. Em condição, o fazer se sobrepõe ao dizer e o corpo é o ponto por onde flui esse fazer (ALMEIDA, 2008, p.1).

Para o indivíduo, o prazer do uso da droga supera qualquer outro prazer da vida. O jovem se ver num discurso empobrecido, fragmentado e doentio, onde a aprovação do grupo é o que prevalece. É comum ver o jovem participar de rituais de gangs como: experimentar drogas ou praticar atos de vandalismo para se sentir aceito no grupo.

As drogas são tão cobiçadas que passam a ter sentido de valor. O jovem substituí uma produção de sentido por outra, ou seja, substituí os prazeres da vida pelo gozo da droga. A droga torna-se um refúgio de prazer para o jovem. No entanto, a sensação de gozo vai diminuindo com o tempo. Para encobrir esta falta, o jovem busca substâncias mais fortes, mesmo os efeitos não sendo tão prazerosos.

Outro fator que pode induzir ao jovem ao uso da droga é a incapacidade de lidar com as frustrações. Principalmente, aqueles que sempre tiveram tudo e nunca passaram por frustrações ou perdas significativas, acabam recorrendo às drogas. A justificativa para o seu uso é encobrir a sensação de vazio e desespero. No entanto, as drogas não resolvem nada, pelo contrário, quando passam os seus efeitos, o conflito continua ali enraizado.

Como é vista a toxicomania na psicanálise lacaniana?

“Uma das soluções para evitar o infortúnio da relação com o outro é o método de intoxicação. Ou seja, a escolha de uma substância como objeto, a partir do qual se evitaria toda problemática da relação” (FREUD, 1930, p.86).
A clínica psicanalítica reconhece o problema da relação com o outro a partir de um certo grau de crença na fantasia. Diferente disso, a toxicomania:

O tratamento do mal estar do desejo [da insaciedade do desejo] pelo método químico da intoxicação caracteriza-se, então, como uma técnica de limitação do ideal de felicidade suprema e inacessível, em que esta dimensão do gozo ilimitado é parte integrante e constitutiva (SANTIAGO, 2001, p. 108).

O indivíduo elimina os objetos de desejos e a busca da felicidade. O sujeito faz um atalho para a satisfação, via do corpo, não se envolvendo com o substrato que a vida em sociedade oferece, para lidar com as questões frente à falta.
Prevalecendo um ato de substituição que evita lidar com o insuportável da relação com a sociedade. “O ato toxicômano pode ser referenciado como uma técnica do corpo cuja particularidade reside em uma tentativa de recuperação do gozo que não passa pelo corpo do outro como objeto sexual” (SANTIAGO, 2001, p.170).

Segundo Miller (1995), “não podemos em nenhum caso fazer da droga uma causa de desejo. No máximo, podemos fazer dela uma causa de gozo” (p.17). Dessa forma, o gozo é entendido na psicanálise como algo que extrapola o prazer e se constitui como uma satisfação da pulsão prevalecendo a destrutividade do próprio corpo.

Os efeitos da droga no sistema nervoso central

No sistema nervoso central (SNC), a droga age na transmissão sináptica, afetando a produção de neurotransmissores. Quando há uma diminuição de neurotransmissores no cérebro, o indivíduo passa a ter uma tendência mais depressiva, quando há um aumento nessa proporção, pode ocasionar uma possível esquizofrenia. Um exemplo de droga é a cocaína que bloqueia a receptação de dopamina e causa sintomas de esquizofrenia.

Apesar do usuário de droga ser classificado como um perverso social. É possível que ele desenvolva a psicose. O quadro psicótico pode ser também desencadeado pelo uso contínuo das drogas. É bastante comum, o usurário apresentar surtos esquizofrênicos, como alucinações, delírios e prejuízo nas funções psíquicas.

Quando o indivíduo faz uso da droga, o seu estado neuronal se assemelha a uma patologia que pode ser: a esquizofrenia ou mesmo a depressão. O que vai determinar esta semelhança é justamente o tipo de droga utilizado pelo indivíduo.

As drogas psicoativas podem ser classificadas em três grupos, de acordo com as atividades que exercem no sistema nervoso central.

O primeiro grupo encontram-se as drogas que diminuem a atividade cerebral, ou seja, deprimem o funcionamento do sistema nervoso. Estas drogas são conhecidas como depressoras ou psicolépticos, incluem: o álcool, soníferos e ansiolíticos.


O segundo grupo encontram-se as drogas que aumentam atividade cerebral. O indivíduo se sente em um estado de alerta e potencialmente mais ativo. Estas drogas são conhecidas como estimulantes ou psicoanalépticos, incluem cafeína, coca, nicotina, anfetaminas, cocaína e até mesmo alguns tipos de chás.

Por último, temos as drogas perturbadoras ou psicodélicas que alteram significativamente as atividades cerebrais, incluem: maconha, LSD e mescalina. Neste grupo, o usuário tem uma perda nas funções psíquicas e no organismo. Ele já não consegue pensar, memorizar ou perceber com clareza o meio em que vive.

A função do analista lacaniano no tratamento da toxicomania

É importante considerar também a psicoterapia: o acolhimento, no sentido de criar um espaço para uma escuta permanente. De acordo com Olienenstein (1989), numa primeira etapa, o acolhimento e o diálogo. O acolhimento não é um lugar, nem tampouco se trata de um primeiro momento de encontro, nem um gesto único, nem a incumbência de uma pessoa determinada. O acolhimento é uma função operatória.

Deve-se também trabalhar a resistência a fim de que se favoreça a adesão do cliente; trabalhar os jogos psicóticos no qual o Outro é tratado como cúmplice. As atitudes de competição, principalmente em relação ao analista, acabam se voltando contra o próprio paciente. Outro passo é fazer com o paciente tome consciência de que o uso da droga é uma ilusão, pois esta não irá ser eficaz para preencher os vazios existentes.

É importante eliminar o sintoma da compulsão. A função do analista é separar o sujeito de seu objeto de desejo “a droga”, estabelecendo limites. O sujeito deve aderir ao preceito de dizer “não”, e essa posição implica em recusar esse objeto. O analista deve fazer a substituição desse objeto “droga” por outras situações que dão prazer ao paciente.

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