Teoria de Campo

Teoria de Campo
PSICOLOGIA
Para entender o método chamado de Teoria de Campo Fenomenológica é preciso entender a concepção do fenômeno. Primeiro, todo fenômeno deve ser considerado legítimo e pode ser investigado. Segundo, experienciar um evento significa clarificar os sentimentos, apontar os aspectos subjetivos e os objetivos da experiência, e dar-se conta dos aspectos inibidos e negligenciados, sempre buscando o processo de aware do cliente (falaremos sobre a awareness mais adiante).

Estes pressupostos só poderão tornar-se viáveis quando a abordagem enfatiza o “agora”. Esta ênfase no presente é uma influência direta da Psicologia da Gestalt. A abordagem fenomenológica de campo utiliza a experimentação sistemática para encontrar uma descrição que seja verdadeira para o estudo do fenômeno. Esta experimentação capacita a pessoa a perceber o que é adequado ou verdadeiro para si mesmo.

A teoria de campo está muito ligada ao processo cognitivo, ou seja, ela indica o processo pelo qual pensamos. Ela nos orienta em relação aos mecanismos de avaliação, assimilação de ideias e metodologias e um referencial de comunicação. Para entendermos o processo de conscientização da awareness é necessário que haja uma interação entre a maneira de pensar e a de estar inserido no mundo.

A Teoria de Campo se contrapõe às ideias mecanicistas newtonianas, contrariando também os pensamentos reducionistas ou dualistas. Ela traz o conceito de holismo para dentro do seu escopo teórico e abrange uma perspectiva onde fornece uma integração do corpo, da mente, das interações sociais, além dos aspectos espirituais e transpessoais. Esta troca é tão intensa e dinâmica que o campo indivíduo/ambiente influencia o resto do campo, e o resto do campo influencia o indivíduo.

A Teoria de Campo capacita a Gestalt-terapia a manter o foco na pessoa como agente ativo. Neste ponto, podemos descrever a relação entre o conceito de self e a Teoria de Campo. Se self fosse entendido fora do contexto da Teoria de Campo, este poderia ser entendido como um existente concreto, retirando o caráter ativo da pessoa, ou seja, haveria um “centro” que faz coisas, mas o “Eu” deixaria de ser este centro do agente ativo.

A Teoria de Campo também ajuda a manter em mente as complexidades das relações de campo no presente e das mudanças que, inevitavelmente, ocorrem com o passar do tempo e os diferentes contextos e maneiras pelas quais as pessoas constroem os seus selfs. O self é a fronteira de contato em funcionamento; sua atividade é formar figuras e fundos. O self é a interação contínua no campo organismo/ambiente, e que faz parte do campo.

“Campo” é um instrumento básico na abordagem da Teoria de Campo e traz uma visão holística e interativa das forças presentes nele. Para a Gestalt-terapia, o relacionamento é inerente à existência. Ou melhor, tudo que existe consiste de uma teia de relacionamentos que é determinada por uma multiplicidade de variáveis. O contato-relacionamento constitui a primeira realidade para a pessoa, e o organismo não tem significado separado do seu ambiente.
Outro ponto importante de destacar é que os relacionamentos se constituem dentro de uma organização dinâmica e sistêmica inerente ao todo. A proposta do campo é fazer com que a pessoa perceba de forma dinâmica e energética que existem possibilidades para o movimento e a interação global do mundo. Podemos então dizer que tudo pode ser definido em termos de um campo todo. Cada evento é único, ordenado, e pode ser estudado, independente do número de repetições para classificá-lo.

O campo psicológico não existe independente das pessoas; as pessoas não existem sem esse campo. O indivíduo é definido, num dado momento, apenas pelo campo do qual faz parte, ou seja, os fatores contextuais são considerados inerentes e necessários para a compreensão da pessoa, inclusive, pois o comportamento também é uma função do campo. O campo organismo/ambiente determina a pessoa.
A seguir alguns outros conceitos nos ajudarão a compreender a Teoria de Campo formulada por Kurt Lewin.

Devemos perceber que o comportamento é regulado pelo meio, mas não um meio geográfico (onde se está), e sim um meio comportamental (onde se pensa que está). O meio comportamental é uma ligação, um meio termo, entre o meio geográfico e o comportamento. O interessante é que a partir do meio comportamental podemos, em terapia, conhecer melhor o fenômeno trazido pelo cliente, e colocando-o dentro do seu campo, compreender como o todo funciona. É o próprio conceito de campo que nos conduz a uma totalidade em que se unem os conceitos de meio geográfico e meio comportamental num único campo, o psicofísico, que é o lócus do comportamento.

Ou seja, é a pessoa sendo vista como um todo na sua relação dentro-fora com o ambiente.
A teoria de campo de Lewin influenciou fortemente a Gestalt Terapia (GT), e apresenta uma grande influência dos constructos da física. Atualmente esta teoria também é aplicada no trabalho com grupos e na psicologia social. As principais características de sua teoria são: o comportamento é uma função do campo que existe no momento em que ocorre o comportamento; a análise começa com a situação como um todo, a partir do qual as partes componentes são diferenciadas; a pessoa concreta em uma situação concreta pode ser representada matematicamente, ou seja, a pessoa é sempre vista dentro de um espaço maior que ela.

Um campo é definido como a totalidade de fatos coexistentes que são concebidos como mutuamente interdependentes, e traz em si uma noção dinâmica e não estática.
“O comportamento deixa de ser entendido apenas como resultado da realidade interna da pessoa e passa a ser analisado em função do campo que existe no momento em que ocorre. A situação comportamental é vista como um todo, da qual decorrem partes diferenciadas”. (Ponciano, 1985: 95)

O espaço de vida, proposto por Lewin, composto pela pessoa + ambiente psicológico, é o universo do psicólogo, é o todo da realidade psicológica, e contém a totalidade dos fatos possíveis capazes de determinar o comportamento de um indivíduo; é onde o comportamento ocorre. Fora do espaço de vida, temos o meio não-psicológico que é considerado o meio físico (podendo incluir alguns fatos sociais).
O espaço de vida consiste em uma rede de sistemas interconectados, com fatos empíricos e fenomenais e fatos hipotéticos ou dinâmicos. As formas como as áreas interconectadas irão se comunicar, determinam o que ele chama de dimensões.

A dimensão proximidade-distância diz que duas regiões são acessíveis aos fatos de outra região; a dimensão firmeza-fragilidade determina a resistência de uma fronteira, ou sua permeabilidade, e é representada pela largura da linha da fronteira; a dimensão fluidez-rigidez é a mais importante delas, e determina a qualidade de sua superfície, facilitando a criatividade. Um meio fluido é aquele que responde rapidamente a qualquer influência agindo sobre ele, é flexível e maleável. Um meio rígido resiste à mudança, é duro e inelástico.

Os principais fatos da região intrapessoal são chamados de necessidades, enquanto os fatos do ambiente psicológico são chamados de valências. Cada necessidade ocupa uma célula separada na região intrapessoal e cada valência ocupa uma região separada no ambiente psicológico. O aumento de tensão ou a liberação de energia em uma região intrapessoal é causado pelo surgimento de uma necessidade. Lewin conectou a necessidade à ação, por meio da ação motora.

Ele ligou a necessidade a certas propriedades do ambiente que então determinam o tipo de locomoção que vai ocorrer. Essa é uma maneira muito interessante de conectar a motivação ao comportamento.
Por valência, entende-se o valor daquela região para a pessoa, que pode ser: positivo e negativo. Uma região de valor positivo é aquela que contém um objeto-meta que reduzirá a tensão quando a pessoa entrar na região, ao contrário da negativa, que vai aumentar a tensão.

Uma valência é uma força, afinal ela dirige a pessoa através de seu ambiente psicológico, mas não proporciona a força motivadora para a locomoção. As propriedades conceituais da força são: direção, potência e ponto de aplicação. A direção para a qual esse vetor aponta representa a direção da força, o comprimento do vetor representa a potência da força, e o lugar onde a ponta da flecha se insere na fronteira externa da pessoa representa o ponto de aplicação.

A mudança do cliente se dá quando estes três conceitos ficam claros para ele. Ele sabe que quer ir, em que direção, sente-se com energia e para onde ir. As ações que ocorrem dentro do campo são momentâneas em função da inter-relação entre as forças e da interdependência entre elas.
Conhecer todos esses conceitos, principalmente esta forma fenomenológica de lidar com as situações, nos leva a um ponto muito interessante que é perceber a Gestat-terapia como uma abordagem em que se referencia à filosofia do óbvio. O óbvio não é tão nítido como parece, pois está repleto de preconceitos, crenças, etc. Porém, o maior desafio do óbvio é conseguir ser agarrado.

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