Psicologia Ambiental

Psicologia Ambiental
PSICOLOGIA
Psicologia Ambiental

Definição de Psicologia Ambiental

A Psicologia Ambiental é uma área da atuação da Psicologia que estuda a inter-relação do homem com o ambiente em seu contexto físico e social. Mas o que caracteriza um ambiente em Psicologia. A definição de ambiente usado em disciplinas como física e ciências naturais é diferente da concepção de ambiente em Psicologia. Podemos definir ambiente como sendo algo real que potencialmente exerce algum efeito sobre o comportamento de um único indivíduo ou de grupo de indivíduos, o ambiente nunca é neutro, pois a ausência ou a presença de determinados elementos sempre potencializa uma mensagem. Esse ambiente estudado pode ser sua casa, seu bairro, sua cidade, sua escola. A relação indivíduo-ambiente é uma relação dinâmica, pois há uma reciprocidade de influências, o indivíduo molda o ambiente para que o mesmo supra suas necessidades. A preocupação da Psicologia Ambiental é de como o homem a partir de suas percepções o homem percebe e age sobre o ambiente e ao mesmo tempo como esse mesmo ambiente está influenciando no comportamento cotidiano desse indivíduo, “nós moldamos nosso próprio ambiente, e depois disso esse ambiente molda nosso comportamento” (CANTER, 1975).


Para se estudar essa problemática a Psicologia Ambiental mantém relações com outras áreas de conhecimento, como: Antropologia, Sociologia, Geografia, Planejamento, Arquitetura, Ecologia, além de usar referentes teóricos de outras vertentes da Psicologia como a Psicologia Social, não se esquecendo de fortes influências do Behaviorismo de Watson e da Gestalt de Kurt Lewin, tudo isso colaborou para tornar a Psicologia Ambiental uma área de caráter multidisciplinar. Facilitando assim uma visão de diferentes pontos de vista, devido à complexidade dos problemas ambientais. A PA também criou conceitos próprios como: cognição ambiental, mapeamento mental, historia residencial e identidade ambiental.


A Psicologia Ambiental está diretamente associada à qualidade de vida: pessoas que frequentam ou mesmo moram lugares revitalizados, limpos, agradáveis, possuem espaços de lazer e cultura, possuem experiências melhores do que aqueles que não têm esse privilégio. Um dos motivos muito usados ao explicar a alta taxa de criminalidade na periferia ou o alto número de menores que entram para o tráfico é a relação que possuem com o lugar aonde vivem. Normalmente em ambientes onde não existe a presença do Estado, as pessoas vivem em condições precárias, sem acesso a lazer, sem programas culturais, ou seja, em lugares que predomina as dificuldades sociais e financeiras.


Em Psicologia Ambiental usa-se um slogan que “define” muito sobre sua atuação, “pense globalmente, aja localmente”, esse seria o objetivo da Psicologia Ambiental, trabalhar na resolução de problemas ambientais a fim de colaborar na criação ou revitalização de ambiente procurando melhorar as condições de desenvolvimento do indivíduo e de uma sociedade.


A grande problemática da Psicologia Ambiental, é que a Psicologia geral não acredita na necessidade de uma psicologia ambientalista, por acreditar que todas as psicologias já se atentam aos aspectos ambientais. Essa argumentação pode ser contrapostas a partir da ideia de que outras áreas da psicologia segundo, Tassara e Rabinovich esvaziaram os ambientes, olhando apenas para o indivíduo e deixando de lado seu modo de vida e como ele modifica seu ambiente.

O surgimento da Psicologia Ambiental

Foi na procura de estabelecer a construção de um ambiente melhor que surgiu a ideia de uma Psicologia Ambiental. Após a II Guerra mundial com o processo de reconstrução das cidades e a preocupação do convívio social, arquitetos e urbanista conjuntamente com cientistas do comportamento, procuravam construir um ambiente mais agradável que influenciassem não apenas a construção dos espaços, mas os espaços deveriam também influenciar o comportamento dos indivíduos de maneira positiva. Essa nova preocupação na construção dos espaços surgiu com nome de Psicologia Arquitetônica e até então era uma área distinta da Psicologia.


Como toda a ciência, não é apenas um acontecimento que influencia a construção de uma nova vertente, a Psicologia ambiental recebeu influências da Geografia, que desde os anos 40 vinham apresentando interesses pelos processos de cognição espacial e percepção dos ambientes, e partiam do pressuposto de que fatores socioculturais influenciavam esses processos. Foi a partir desses estudos que se criou a ideia de topofilia (elo afetivo entre pessoa e ambiente físico). Outra influencia externa da Psicologia Ambiental foi a advinda das ciências naturais que se preocupavam com problemas ambientes e qual papel o homem desempenhava na formação desses problemas.


Nos EUA, psicólogo Kurt Lewin (1890-1947) foi um dos primeiros a dar importância à relação entre o ser humano e o ambiente. Lewin, criador do termo ecologia psicológica e da equação C=f(P x A), seu objetivo principal era determinar a influência que o meio ambiente exercia sobre as pessoas, as relações que com ele estabelecem, o modo como as pessoas agem, reagem e se organizam conforme o meio ambiente.


No Brasil, a pioneira do gênero foi Professora Doutora Maria do Carmo Guedes, que não possui formação em psicóloga, mas trouxe grandes avanços para a Psicologia comportamental e ambiental. Os primeiros estudos datam dos anos 70 e surge entrelaçada a arquitetura, principalmente em temas como habitação e moradia. Depois disso foram surgindo na década de 80 publicações não interdisciplinares da PA. Só em após 1990 surgirem mais nomes brasileiros no âmbito de pesquisa ambiental e foi criando-se centros de estudos e os laboratórios de pesquisa. Mas, ainda assim a Psicologia Ambiental é uma área de atuação nova na Psicologia e como toda abordagem nova, possui dificuldades de se estabelecer.

Atuação da Psicologia Ambiental

Antes de pensarmos na atuação do psicólogo devemos lembrar tanto do conceito de ambiente citado na primeira parte desse trabalho, como no conceito de ecologia, que se define pelos estudos das relações entre seres vivos e o ambiente que usufruem, bem como a influencia que exercem um sobre o outro. Além disso, existem dois tipos de meio ambiente, o natural (florestas, mares, solo) e o artificial (construídos e modificados pelo homem) Pois é com esse tipo de interação que a Psicologia ambiental irá de adentrar em sua ciência.


A Psicologia Ambiental analisa como as condições ambientais afetam a capacidade cognitiva, social e física dos indivíduos. Além de contribuir para a análise de percepções e interpretações do indivíduo sobre o meio ambiente. Esta psicologia tem como principal objetivo a qualidade de vida do sujeito e como ele interage com as possíveis futuras gerações.


Uma pesquisa apresentada pelo Bechetel (1997) Environment and behavior: An introduction, aborda em um de seus capítulos a partir da teoria da evolução com o intuito de conhecer o comportamento humano, a preferência das pessoas por ambientes naturais em detrimento de ambientes construídos, como um produto da evolução. Então, porque vivemos cercados de concreto?


Frente ás atuais crises ambientais os estudos dessa nova psicologia é essencial para se entender o mecanismo homem/ambiente e pensar em soluções para áreas naturais ou construídas.


Para Moser existem três maneiras de funcionamento dessa nova Psicologia que remetem a pratica: a acadêmica que se preocupará com a sistematização do conhecimento referente à relação indivíduo-ambiente; o pratica ligada à demanda social, tendo um caráter de investigação, funcionaria na área de pesquisa aplicada; e uma engenharia socioambiental, que é a parte da pesquisa orientada, preocupada em acompanhar as mudanças introduzidas (2005). Tudo isso deve vir atrelado segundo Berenice Carpigiani de a uma, “(...) sensibilidade para o fato de que inúmeras variáveis, muitas vezes não aparentes, permeiam a percepção, análise e interpretação do espaço e do ambiente”.


O psicólogo deve atuar também nas questões de educação ambiental, no intuito de promove consciência ecologia par que os cidadãos sejam capazes de refletir sobre o porquê de fazer algo e não somente, como fazer, ou seja, uma educação para o meio ambiente, mudando o comportamento e construindo valores, assim a pratica da educação ambiental não ficara reduzida a indivíduos únicos, ela será passada de um indivíduo para outro, essa é a metodologia de pesquisa-ação.
O ambiente é uma troca cotidiana, cenário de convívio social, cheio de estímulos complexos e subjetividade, e para isso são necessários estudos que possibilite ao ser humano aproveitar melhor o meio ambiente, evitando sua degradação e permitindo outras gerações usufruam desse espaço.



Bibliografia


CARPIGIANI, Berenice. Lugares da Psicologia. (pp. 87-100) Editora Vetor, 2008. São Paulo


PINHEIRO, J.Q. Psicologia Ambiental: a busca de um ambiente melhor. Disponivel em [http://www.scielo.br/pdf/epsic/v2n2/a11v02n2.pdf] Acesso em outubro/2013


PINHEIRO, J.Q; HURTMUT, Gunthüer; GUZZO, R.S.L. Editora Alínea. 2004. Campinas-SP.


TASSARA, E. T. O; RABINOVICH, E. L. Perspectiva da Psicologia Ambiental. Disponivel em [http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000200018&script=sci_arttext]. Acesso em Outubro/2003

Jessica dos Anjos da Silva
Jessica Silva , estudante de Psicologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, monitora do Laboratório de Análise Experimental do Comportamento.
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