O preconceito da sociedade em relação ao homossexualismo

O preconceito da sociedade em relação ao homossexualismo
PSICOLOGIA

 Resumo:

O presente artigo enfatiza o tema “preconceito contra homossexuais”, sendo um tema muito comentado, não só atualmente, pois é um tema bem antigo, porém apenas era encoberto pela sociedade, e hoje se tornou mais comum ver os homossexuais “assumidos”.




Introdução

O presente artigo tem como finalidade analisar a realidade sobre o preconceito sexual, onde podemos perceber que a sexualidade continua sendo o grande enigma do ser humano. Embora tantas coisas venham mudando, tanta tecnologia, tanta modernidade surgindo, as pessoas continuam com um pensamento fechado sobre homossexuais, continuam com seus “tabus e preconceitos” diante desse assunto. Neste artigo pretendemos identificar e conhecer realmente como as pessoas homossexuais enfrentam no dia a dia esse preconceito.




A palavra preconceito, assim como é definido na sociologia e para Paula Faria, o próprio nome já diz, é algo que está preconcebido ou predeterminado é a atitude de espanto e indignação das pessoas diante daquilo que é diferente a elas ou aos seus padrões dentro de uma sociedade. Sem saber o que é realmente aquilo que está a nossa frentes criaram esse preconceito, onde muitas vezes julgamos outras pessoas injustamente ou as maltratamos, sem pensar nas consequências desses atos.




Para tanto se utilizou principalmente os autores que abordaram em seus livros questões relacionadas com o tema, como Marta Suplicy, Perry Garfinkel, Sigmund Freud e Burrhus Frederic Skinner.



A pesquisa visa identificar se as questões expostas pela literatura consultada se fazem presente em nossa sociedade.




Metodologia

O trabalho foi construído tendo como base uma pesquisa qualitativa, semiestruturada. Sendo realizada com três indivíduos, onde dois era homens e uma era mulher, na faixa etária de 18 a 27 anos de idade.

De acordo com algumas definições para pesquisa qualitativa, ela seria aquela que trabalha com descrições, interpretações e comparações, ao invés de se utilizar de cálculos, estatísticas, generalizações e regras. Este tipo de pesquisa é mais participativa e mais difícil de ser controlada (REIS, 2006).




Foram elaboradas nove questões, referentes ao tema Preconceito contra homossexuais, que teve como o objetivo “Verificar a auto percepção de homossexuais referente ao modo como são tratados pela sociedade”. Depois de elaborada as questões foram entrevistadas três pessoas, sendo dois do sexo masculino e uma do sexo feminino, todos acadêmicos. Para a realização das entrevistas não foi levado em conta nenhum fator socioeconômico.



Resultados e Discussão

A pessoa entrevistada com as inicias C. D., do sexo feminino relatou que: “Desde criança se sentia atraída por outras mulheres, quando percebeu, assim de início ficou com medo, mas depois resolveu encarar”. Já a segunda pessoa entrevistada com as iniciais W.A., do sexo masculino disse que: “Começou a se sentir atraído pelo mesmo sexo a partir dos 12 e 13 anos de idade”. A terceira pessoa entrevistada T. M., também relatou que: “Desde pequeno ele era diferente mais não por ser uma criança não normal, mas mesmo assim não acreditava, achava que era apenas uma fase de sua vida, mas aos 17 anos passou a ter certeza e resolveu contar para sua família e para sociedade”.



De acordo com o que os três entrevistados responderam a questão 1, Freud explica que muitos de nossos desejos sexuais foram reprimidos quando éramos crianças. Estes desejos e instintos, sensibilidade sensitiva, que todos nós temos, são a parte inconsciente de nossa mente chamada id. É onde armazenamos tudo o que foi reprimido, todas as nossas necessidades insatisfeitas é o "princípio do prazer" é a parte que existe em cada um de nós.



Mas, existe uma função reguladora deste "princípio do prazer", que atua como uma censura ante aos nossos desejos, que é chamada de ego. Precisamos desta função reguladora para nos adaptar ao meio em que vivemos. Nós mesmos começamos a reprimir nossos próprios desejos, já que percebemos que não vamos poder realizar tudo o que quisermos.

Já na segunda pergunta sobre se a família sabe da sua conduta sexual e como eles ficaram sabendo. A primeira pessoa entrevistada com as iniciais C. D. respondeu que: “Sim, é que foi tranquilo”, já a segunda pessoa entrevistada com as iniciais W.A. disse que: “Foi difícil para mim, porque primeiro você procura saber se você é ou não, para isso tive relações sexuais com heterossexuais para saber , depois comecei a pensar no que as pessoas iam pensar”. A terceira pessoa, T. M., disse que: “Sim meus pais e irmãos sabem, mas eu mesmo contei para a família”.


Relacionado ao modo como a família descobriu a conduta sexual dos filhos e se ela sabe Souza (1999) diria que os filhos passam pela vida dos pais, esperando ajuda para se prepararem a enfrentar o mundo em que vivem. Entretanto os adolescentes precisam ser preparados, estimulados para reagirem satisfatoriamente no momento oportuno da sua vida sexual.




Na terceira pergunta sobre a relação com os colegas no trabalho ou na faculdade. A entrevistada C. D. disse que: “No trabalho ela não coloca suas questões pessoais, é tudo normal, mas na faculdade, principalmente no curso de Psicologia, sente que tem muito preconceito e se sente bastante incomodada”. Já o segundo indivíduo W.A. que também é acadêmico do curso de Psicologia diz que: “Não tem problemas pelo fato do curso ter mais mulheres e ele se identifica com elas”. O T. M. diz que: “Não sofre influência, para ele é tudo normal, não se sente constrangido com isso”.


De acordo com o que foi relatado pelos entrevistados Skinner, (1993), diz que: “os sentimentos sempre são derivados de uma série de contingências vividas pelo indivíduo. Neste caso as contingências de controle do comportamento de culpa estão relacionadas com o controle coercitivo, ou seja, pela presença de punição ou reforçamento negativo”.




Na quarta pergunta, foi perguntado aos participantes se eles já sofreram algum tipo de agressão por ser homossexual. A primeira participante C. D. relatou que: “Agressão física não. Mas, verbal sim, principalmente com a família de sua namorada, mas ela aceita e não se preocupa”. Já o segundo participante W.A. disse que: “Preconceito escachado nunca sofreu, mas que o preconceito existe, mas está mascarado. Sofri somente preconceitos mais sutis”. O terceiro participante T.M. disse que: “Não, eu respeito a todos e gosto de ser respeitado, não sou diferente de ninguém”. Para a Psicologia Social, “agressão é qualquer comportamento que tem a intenção de causar danos físicos ou psicológicos em um outro organismo ou objeto” (Rodrigues, 2002).

Na quinta questão, foi perguntado a opinião deles em relação à maneira de que como é encarada a homossexualidade pela população em geral. O indivíduo C. D. apenas relatou que: “Como muito preconceito, mas não generaliza, depende da cultura”. O indivíduo W.A. disse que: “A população tem um ideia muito distorcida, as pessoas usam muito o senso comum, ficou muito estereotipada a questão de homossexuais”.



O terceiro indivíduo T.M. disse que: “As pessoas acreditam não existir este perfil de público. As pessoas aqui acham que gays são coisas do demônio”. Com o fato de serem discriminados por serem homossexuais Garfinkel (1985), diz que uma das possíveis causas da discriminação seria a ideia de que “heterossexuais são direito, correto, normal e bom e os homossexuais são anormais, errados, pervertidos e maus, onde esses não tem o direito de frequentar os mesmos lugares como a igreja e os clubes” (SUPLICY, 1983, p. 215).




Baseado nas respostas dadas pelos participantes das entrevistas pôde se concluir que um dos motivos que levam um homossexual a não querer se expor, segundo Garfinkel (1985), seria que: “os homossexuais assimilam muito dos estereótipos que o público acata como sendo verdade e, diante de tantas críticas em relação a sua conduta, esse cria uma auto-aversão sobre si mesmo”.




Conclusões

De acordo com a literatura consultada, principalmente de Garfinkel e Suplicy, pode-se perceber que o preconceito e a visão estereotipada do homossexual é antiga. Apenas o que mudou foi que apesar do homossexual sempre estar presente em nosso meio e sempre ter existido, eles eram encobertos pela sociedade e até mesmo algumas vezes reprimidos pela mesma, e passaram a lutar mais por seus direitos como cidadão, a reivindicar mais.




No entanto, constatou-se que o preconceito não parte somente da sociedade e sim também do próprio homossexual, pois eles próprios deixam de frequentar lugares, sentem medo de que sua sexualidade interfira nos seus assuntos acadêmicos e profissionais. Até mesmo na hora em se referir a si mesmos eles se referem como pessoas diferentes ou inferiores, pois muitas vezes limitam-se sem perceber com seus dizeres ou com seus atos e gestos.



O preconceito dos entrevistados se faz presente principalmente quando um deles relata não querer adotar uma criança simplesmente pelo fato de não ser egoísta e pensar nessa criança, no preconceito que ela sofreria nos lugares que frequentasse, o que ela própria pensaria por ter um “pai” e uma “mãe” do mesmo sexo, isso demonstra que muitas das vezes que acreditam estar sendo alvo de preconceito pelas pessoas da sociedade esses homossexuais assumem em primeiro lugar por própria iniciativa um preconceito estabelecido sobre si, pois não dão abertura para outras pessoas ou estão sempre com essa ideia fixa na cabeça que todos estão olhando ou falando deles.





Referências

GARFINKEL, Perry. NO MUNDO DOS HOMENS. São Paulo: Melhoramentos, 1998.

SUPLICY, Marta. CONVERSANDO SOBRE SEXO. 4ª. Ed. Petropolis: Vozes, 1983.

Amstel van Frederick. Como fazer uma pesquisa qualitativa. Disponível em: http://usabilidoido.com.br/como_fazer_uma_pesquisa_qualitativa.html. Acesso em 02 de Dezembro de 2009.

Reis, MSC Cássia Barbosa. Adaptado por Tanaka e Melo (2001). PESQUISA QUALITATIVA. Disponível em: http://64.233.163.132/search?q=cache:PrNmwRF0w6AJ:www.unigran.br/proreitoria/prppg/cep/palestras/qualitativa.ppt+o+que+%C3%A9+pesquisa+qualitativa&cd=9&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em 02 de Dezembro de 2009.

Camila Fernanda Amancio
Graduada em Psicologia pela Faculdade Guairacá, Guarapuava-PR. Pós-graduação em andamento em Gestão Estratégica em pessoas. Atuo na área de Recursos Humanos há 3 anos.
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