O papel do facilitador

O papel do facilitador
PSICOLOGIA

Toda atividade que envolve pessoas, geralmente está orientada num planejamento que foi coordenada por alguém e por algum motivo. Chamaremos aqui de facilitador a pessoa que coordena, dirige ou modera a dinâmica de grupo.

É imprescindível que o facilitador de um grupo possua habilidades para conduzir e ou mediar interações, portanto precisa ter competência interpessoal. Competência interpessoal nada mais é do que atuar de forma eficaz nos relacionamentos interpessoais, lidar com pessoas de forma adequada diante das necessidades de cada uma, e conforme as exigências da situação.

O facilitador deve ter habilidade em ouvir e interpretar esclarecendo as situações que ocorrem no decorrer da dinâmica. A sua comunicação deve ser clara e objetiva tantos nos comentários dirigidos a comportamentos individuais, como ao grupo.

Quando os comentários tomam uma direção diferente dos objetivos traçados é função do facilitador manter os comentários dentro do contexto que está sendo vivenciado. Sendo imprescindível que o facilitador tenha coerência entre sua verbalização e postura profissional perante o grupo.

O facilitador de Dinâmica de Grupo precisa ter claro que cada grupo é único, deve evitar fazer comparações, criar rótulos e principalmente precisa estar sempre aberto a opiniões divergentes das suas.

Para que se estabeleça no grupo, um clima de confiança e propício o facilitador deve abster-se de passar crenças pessoais, ou polemizar com alguém que não queira estar no grupo naquele momento. Utilizar a prudência, confiando na capacidade do grupo de estabelecer um clima agradável, e de encontro.

O facilitador precisa ser paciente, com os silêncios, monossílabos, risos, ansiedade e crítica, aguardando o momento oportuno de falar. Também deve ser flexível e respeitar o tempo necessário dos participantes em adquirirem confiança, respeitando o ritmo de cada um.

O facilitador de dinâmica de grupo deve estar apto a acolher as angústias do grupo que podem surgir no decorrer do processo. E, principalmente, deve estar preparado para conter suas próprias angústias que poderão surgir num processo grupal.

O ideal seria conhecer o grupo antes da escolha da dinâmica e sua aplicação verificando se este é receptivo ao trabalho com dinâmica de grupo e grau de exposição habitual do grupo é habituado. Caso isso não seja possível, o facilitador deve iniciar com uma dinâmica de socialização para um breve diagnóstico, incluindo perguntas sobre as expectativas dos participantes para o encontro.

Um grande erro cometido por facilitadores inexperientes é aplicar uma dinâmica para preencher tempo ou por falta de elaboração de outros conteúdos. Toda dinâmica tem seu significado, seus objetivos e podem desencadear situações constrangedoras ou de forte impacto emocional. Por isso a importância em verificar a maturidade do grupo, o grau de interação e conhecimento entre os participantes antes da aplicação de dinâmicas.

Assim que possível, o facilitador deve compartilhar com colegas de profissão; suas experiências, expectativas, inseguranças e objetivos que pretende alcançar com o grupo em questão.

É sensato ter em mente que o facilitador tem o papel de “facilitar” as atividades do grupo, portanto ele pode compartilhar o comando das atividades com os demais membros, estabelecendo um ambiente espontâneo e de livre expressão.

O facilitador deve fluir com o grupo, não comprometendo o desvelamento natural do grupo, “o facilitador conduz o grupo como um maestro conduz uma orquestra - com cientificidade, tecnicidade, espontaneidade, sensibilidade, poder de entrega e capacidade para criar" afirma Macedo (1998, p. 48).

O facilitador deve estar sensível a todos os movimentos do grupo, sua atenção deve estar totalmente direcionada ao grupo verificando as reações e direcionando de forma a potencializar seu rendimento.

É função do facilitador conduzir a dinâmica tomando por base o tempo previsto, no entanto, cabe a ele prolongar ou reduzir o tempo da dinâmica quando julgar conveniente desde que seja produtivo aos objetivos propostos. Quando o grau de interesse dos participantes é elevado explore todas as possibilidades, quando o grau de interesse é pequeno tente motivá-lo, se não há interesse, passe para outra fase da atividade.

O facilitador de Dinâmica de Grupo precisa ainda ser empático, com habilidade para dar e receber feedback, respeitando a diversidade de opiniões e diferenças individuais e ainda, deve estar motivado a aprender e disposto a ajudar. Deve mostrar interesse pelas pessoas do grupo e respeitá-las, sempre atento, para o movimento do grupo e movimento isolado de algum dos participantes.

Um facilitador de Dinâmicas de Grupos jamais deverá seduzir, mentir ou fazer promessas que não serão cumpridas. É importante lembrar que o facilitador não é um palestrante e por isso deve evitar o prolongamento de explicações desnecessárias tornando o momento cansativo e enfadonho. Na nomenclatura dinâmica já está subtendido o sentido de movimento, circulação e atividade. Fica ao encargo do facilitador proporcionar um clima facilitador de aprendizado, livre de ameaças, deixando os participantes à vontade para expressar opiniões, ideias e sentimentos e assim, desenvolver todo o seu potencial criativo. O facilitador deve respeitar os silêncios, e ser paciente com as hesitações procurando não completar as frases para o participante, permita que ele próprio encontre as palavras mais adequadas.

Por meio de dinâmicas de grupo é oportunizado que as pessoas aumentem o nível de conhecimento de si próprias e dos outros, e isso só acontece num clima de aceitação, empatia, respeito, confiança, liberdade, diálogo, encontro e partilha.

Nem sempre é possível fazer com que o grupo entre em consenso, é função do facilitador respeitar a maturidade do grupo evitando maiores desgastes ao insistir exageradamente em determinado exercício.

“Quando a confiança em si mesmo é insuficiente, não se desperta a confiança nos outros”, afirma Lao Tsé. Em suma, um facilitador precisa conhecer e dominar as habilidades que pretende ensinar.

Tratar sempre, todos com igualdade, sem mostrar predileções ou preconceitos. Utilizar o máximo possível de habilidades interpessoais de agregação do grupo, ser sensível e entusiasta usando um vocabulário acessível e adequado de acordo com o grupo.

A cada trabalho realizado o facilitador deve fazer uma autoanálise de seu desempenho refletindo e inserindo alterações em seu modo de atuar caso verifique serem necessárias. Também é apropriado inserir uma dinâmica de avaliação escrita ou oral para que os componentes do grupo ofereçam feedback sobre o desempenho do facilitador visando aprimorar suas habilidades.

Uma característica fundamental do facilitador de grupo é ser “gente”, gostar de “gente” e acreditar no grupo. Por mais sutis que sejam as mensagens o grupo capta o que o facilitador pensa e sente. Um facilitador de dinâmicas de grupo deve dedicar-se ao planejamento, organização e facilitação das atividades. Deve demonstrar interesse pelas pessoas observadas e ter respeito por elas, ao mesmo tempo, tem que ter atitude, ser dinâmico, entusiasta e transmitir segurança na condução da dinâmica.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER