Jean Piaget e Epistemologia Genética - Psicologia da educação

Jean Piaget e Epistemologia Genética - Psicologia da educação
PSICOLOGIA

Jean Piaget, é considerado um dos mais importantes teóricos no que diz respeito ao desenvolvimento humano cognitivo e sua relação com a aprendizagem.

Segundo Pirandello (1996, p. 41), “considerando em seu conjunto o grande foco de interesse da obra de Jean Piaget foi elaborar uma teoria do conhecimento, que implica saber como o ser humano consegue organizar, estruturar e explicar o mundo em que vive”. Esta preocupação conduziu este teórico a pesquisar e compreender em que circunstância se passa de um estágio de menor conhecimento para um estágio de maior conhecimento. Utilizando-se da metodologia clínica e estudando os atos infantis, Piaget construiu uma teoria a respeito do nascimento da inteligência e das operações envolvidas na construção do pensamento racional.

Desde quando iniciaram seus estudos científicos, Piaget deu aos seus trabalhos, um caráter epistemológico. Tais trabalhos não tinham vínculo direto com a educação. No entanto despertaram grande interesse entre educadores, isso fez com que sua teoria se desenvolvesse quase que exclusivamente na área educacional. A partir da década de 50, seguindo a interdisciplinaridade constantes no Centro Educacional de Epistemologia Genética, fundado em 1955, em Genebra, pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento começaram a se dedicar a estudos direcionados a teoria piagetiana (PIRANDELLO 1996).

Kayet et al. (2002) afirma que o estudo do desenvolvimento cognitivo nos leva a uma perspectiva da evolução da capacidade de pensar e de como a mente gera os conhecimentos a partir das experiências vividas. A forma pela qual uma criança pensa, resolve problemas e compreende o mundo torna-se mais complexa à medida que a criança vai crescendo e amadurecendo. A maturação cognitiva é necessária para a aquisição da linguagem. Alterações do pensamento modelam o curso e o nível final do desenvolvimento emocional, social e moral.

Piaget (1896 – 1980) estabeleceu no campo o desenvolvimento das cognições, e sua teoria de estágios do desenvolvimento cognitivo vem em forma de dominar este campo. Ele introduziu o conceito de esquemas, unidades de cognição ou representações mentais internas de algumas classes de situações, que possibilitam à criança responder de maneira consistente e coordenada a uma variedade de situações análogas. Os esquemas podem ser modificados pelos processos de assimilação e acomodação. Na assimilação, a criança internaliza um novo conhecimento organizando os novos estímulos de acordo com os esquemas que já existem em seus repertórios. Por exemplo, uma criança que vê um cachorro beagle pela primeira vez assimila beagle no esquema de cachorros. A acomodação ocorre quando a aquisição de uma nova informação ou um novo estímulo provoca a expansão do esquema ou altera sua estrutura de organização. Por exemplo, um esquema que classifica todos os animais de quatro patas na categoria de cachorros tende a ser alterado quando a criança vê um gato. Os dois processos, acomodação e assimilação, evoluem em complexidade sempre crescente conforme a criança se desenvolve (KAY et al. 2002).

Palangana (2001, p. 22) esclarece que:

Piaget especifica quatro fatores como sendo responsáveis pela psicogênese do intelecto infantil: o fator biológico, particularmente, o crescimento orgânico e a maturação do sistema nervoso; o exercício e a experiência física, adquiridos na ação empreendida sobre os objetos; as interações e transmissões sociais, que se dão basicamente através da linguagem e da educação; e o fator da equilibração das ações.

O autor destaca que o fator da equilibração, desempenha um papel muito importante no processo de desenvolvimento, colocando-se como o alicerce da teoria de Piaget, e sendo inclusive necessário para explicar todos os outros fatores. Em sua obra Psicologia e Epistemologia (1978, p. 54-55) o teórico explica que o desenvolvimento individual é, na realidade, função de atividades múltiplas em seus aspectos de exercícios, de experiência e de ação.

coordenação destas ações propõe um sistema de auto regulação ou equilibração que dependerá das circunstâncias e das potencialidades epigenéticas. Ou seja, quando a assimilação e acomodação entram em harmonia, o indivíduo está adaptado, isso quer dizer que ele está em equilíbrio.

Conforme as estruturas intelectuais disponíveis se fazem insuficientes para operar com a nova experiência, acarretando contradições em seu conhecimento atual, ocorre o desequilíbrio. Procedendo em um movimento espiral, de maneira natural, estas estruturas começam um novo processo de adaptação às novas circunstâncias, indo em direção ao estágio superior e mais complexo de equilíbrio.

Segundo Martí (1996, p. 23 apud CORREIA, 2001 p. 557) a partir da teoria de Piaget é possível fazer algumas considerações no que diz respeito às diretrizes educacionais:

Outorgar ao aluno um papel central em suas aprendizagens, aceitar que o processo de aprendizagem é um processo reconstrutivo, lento, no qual o aluno deve carregar o peso da atribuição de significados, pensar que o processo de equilibração é essencial em qualquer construção de conhecimentos, defender que o ensino deve favorecer as situações nas quais ocorra esta aprendizagem significativa e que não deve ser um processo mecânico e repetitivo.

As fases do desenvolvimento descritas pelo teórico que segundo a concepção piagetiana se compreende em quatro estágios:

Sensório-Motor (do nascimento aos 2 anos): os bebês recém-nascidos demonstram a capacidade de aprender por meio de associações. A rede cognitiva permite que os bebês procurem estimulação e possam interagir com os adultos. Entre 2 e 3 semanas, é desenvolvida a fluência modal cruzada – o reconhecimento de características inalteráveis dos estímulos percebidos por ele associado com a capacidade de interpretar estas características por meio de modalidades sensoriais – é demostrada pela capacidade de fazer imitações as expressões da face (KAY E TASMAN 2002).
Um desenvolvimento importante durante este estágio é o crescimento de uma consciência de permanência de objetos. Durante os 12 e 18 meses de vida, a criança parece não ter consciência de que as coisas continuam a existir mesmo depois de não estarem mais presentes no seu campo de visão, mas antes dos dois anos, este tipo de consciência já se manifestou (FONTANA 1998).

• Pré-Operatório: (2 a 7 anos). Segundo Fontana (1998) Piaget dividiu este estágio em dois subestágios, o subestágio pré-conceitual e o subestágio intuitivo. No pré-conceitual, o desenvolvimento cognitivo é cada vez mais dominado pelo surgimento de atividades simbólicas, onde a criança torna-se capaz de utilizar símbolos para representar ações, sendo capazes de representar estas ações para si mesmas, ou seja, ela passa a interiorizar ações. Com o desenvolvimento das habilidades de linguagem, as crianças a possuir os chamados signos, ou seja, sons que embora não tenham uma relação concreta com os objetos, são usados para representa-los. No subestágio intuitivo surgem as principais estruturas cognitivas utilizadas agora pela criança, denominadas egocentrismo, centração e irreversibilidade.

• Operações Concretas (7 a 11 anos) a criança atinge um sistema simbólico de pensamento organizado e coerentes que lhes permite antecipar e controlar o ambiente. O pensamento infantil avança de maneira considerável, se torna menos egocêntrico e as crianças desenvolvem a capacidade de demonstrar tanto a descentralização como a reversão. A partir daí surge a conservação, neste caso a conservação de substâncias vem primeiro entre os sete e oito anos e, posteriormente a de peso, entre os nove e dez anos, e a conservação de volumes por volta dos doze anos. Nesta fase a criança também desenvolve a capacidade de agrupamento, onde são capazes de reconhecer os membros de uma classe lógica real e, assim, organizar objetos e acontecimentos em conjuntos em termos de suas características definidoras comuns. Este agrupamento lhes possibilita encontrar sentidos nas experiências, solucionar problemas e avançar para um enquadre mais realista e preciso do mundo (FONTANA 1998).

• Operações Formais (a partir dos 12 anos), período conhecido por todos nós como adolescência. Agora as crianças já são capazes de acompanhar a forma de um argumento ou de formular hipóteses sem necessitar da experiência efetiva de objetos ou situações concretas de que eles antes dependiam. Começa também a compreender conceitos individuais ou categorias isoladas durante os estágios anteriores do desenvolvimento, conseguem entender que eles podem ser interdependentes em algumas circunstâncias. O adolescente passa a desenvolver o raciocínio hipotético-dedutivo, pois é capaz de criar hipóteses e fazer deduções a partir dos resultados, ampliando assim a compreensão do material com que está lidando (FONTANA 1998).

Compreender o desenvolvimento humano pela perspectiva deste teórico nos dá bases importantes para moldar ações pedagógicas apropriadas a cada idade obedecendo ao desenvolvimento de cada criança.

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