Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono

Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono
PSICOLOGIA
I) Dissonias
A) Intrísecas
Insônia Psicofisiológica;
Percepção Inadequada do Estado do Sono;
Insônia Idiopática;
Narcolepsia.

A Narcolepsia, segundo o DSM IV (1995), consiste em ataques irresistíveis de sono reparador, ocorrendo diariamente ao longo dos últimos três meses. Deve ter a presença de um ou ambos dos seguintes sintomas:

Cataplexia (isto é, episódios breves de perda bilateral súbita do tônus muscular, mais frequentemente em associação com intensa emoção).

Intrusões recorrentes de elementos do sono de movimentos oculares rápidos (REM) na transição entre o sono e a completa vigília, manifestadas por alucinações hipnagógicas ou hipnopômpicas ou paralisia do sono no início ou final dos episódios de sono.

Este distúrbio não é devido aos efeitos fisiológicos de uma substância (por exemplo, droga de abuso, medicamento) ou de outra condição médica geral.

Hipersonia Recorrente;
Hipersonia Idiopática;
Hipersonia pós-traumática;
Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono;
Síndrome da Apneia Central do Sono;
Síndrome de Hipoventilação Alveolar Central;
Movimentos Periódicos dos Membros;
Síndrome das Pernas Inquietas;
Distúrbios Intrínsecos do Sono não relacionados em outras partes.

B) Extrínsecas
Higiene do sono inadequada;
Distúrbio do sono relacionado com o ambiente;
Insônia da altitude;
Distúrbio do sono de ajustamento;
Síndrome de sono insuficiente;
Distúrbio do sono por limite de horário;
Distúrbio de associação com o início do sono;
Insônia por alergia alimentar;
Síndrome do comer/beber noturno;
Distúrbio do sono por dependência de hipnóticos;
Distúrbio do sono por dependência de estimulantes;
Distúrbio do sono por dependência de álcool;
Distúrbio do sono induzido por toxinas;
Dissonia extrínseca não relacionada em outra parte.
C) Relacionadas com o ritmo cardíaco
Síndrome do jet lag;
Distúrbio do sono do trabalhador de turno;
Padrão sono-vigília irregular;
Síndrome do atraso de fase do sono;
Síndrome de avanço de fase do sono;
Distúrbio do sono por sono-vigília diferente de 24 horas;
Outros Distúrbios do ritmo circadiano não relacionados em outra parte.

Em relação ao Transtorno do Ritmo Circadiano do Sono (DSM IV, 1995), há um padrão persistente ou recorrente de perturbação do sono, levando à sonolência excessiva ou à insônia devido a um desajuste entre o horário de sono-vigília exigido pelo ambiente e o padrão circadiano de sono-vigília do indivíduo. A perturbação do sono causa sofrimento clinicamente significativo ou comprometimento no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de outro Transtorno do Sono ou outro transtorno mental. O distúrbio não é devido aos efeitos fisiológicos de uma substância (por exemplo, droga de abuso, medicamento) ou de outra condição médica geral.

II) Parassonias
A) Distúrbios do despertar
Despertar confusional;
Sonambulismo;
Terror noturno.

B) Distúrbios da transição sono-vigília
Distúrbios do movimento rítmico;
Mioclonias do sono;
Sonilóquio;
Cãibras noturnas.

C) Relacionadas com o sono REM
Pesadelos;
Paralisia do Sono;
Perda da ereção noturna relacionada com o sono;
Ereções dolorosas relacionadas com o sono;
Parada sinusal relacionada com o sono REM;
Distúrbio de comportamento do sono REM.

D) Outras Parassonias
Bruxismo do sono;
Enurese do sono;
Síndrome de deglutição anormal relacionada com o sono;
Distonia paroxística noturna;
Síndrome da morte súbita noturna inexplicada;
Ronco primário;
Apneia do sono infantil;
Síndrome de hipoventilação alveolar congênita;
Síndrome da morta súbita infantil;
Mioclonia do sono neonatal benigna;
Outras parassonias não relacionadas em outras partes.

III) Distúrbios do sono associados a doenças médico-psiquiátricas
A) Associadas a doenças mentais
Psicoses;
Distúrbios do humor;
Distúrbios de ansiedade;
Doença do pânico;
Alcoolismo.

B) Associadas a doenças neurológicas
Doença degenerativa cerebral;
Demência;
Parkinsonismo;
Insônia familiar fatal;
Epilepsia relacionada com o sono;
Estado de mal eletrográfico do sono;
Cefaleia relacionada com o sono.

C) Associadas a outras doenças médicas
Doença do sono;
Isquemia cardíaca noturna;
Doença pulmonar obstrutiva crônica;
Asma relacionada com o sono;
Refluxo gastroesofágico relacionado com o sono;
Úlcera péptica;
Fibromialgia.

IV) Distúrbios do sono propostos
Dormidor curto;
Dormidor longo;
Síndrome de subvigília;
Mioclonia fragmentada;
Hiper-hidrose do sono;
Distúrbio do sono relacionado com a menstruação;
Distúrbio do sono relacionado com a gravidez;
Alucinações hipnagógicas assustadoras;
Taquipneia neurogênica relacionada com o sono;
Laringoespasmo relacionado com o sono;
Síndrome de choque noturno. Em relação à Classificação Internacional de Transtornos Mentais (CID-10) (OMS, 1993), essa é destinada para o uso clínico, educacional e assistencial em geral. A versão “Critérios diagnósticos para pesquisa”, de 1998, tem propósitos de pesquisa e são projetados para serem usados em conjunto com a primeira versão. O glossário bem mais curto, providenciado pelo capítulo V (F) para a própria CID-10, é adequado para uso por codificadores ou escreventes e também serve como um ponto de referência para compatibilidade com outras classificações.

Para cada transtorno é fornecida uma descrição dos aspectos clínicos principais e também de quaisquer outros aspectos associados importantes, mas menos específicos. São fornecidas “diretrizes diagnósticas” na maioria dos casos, indicando o número e o balanço de sintomas usualmente necessários antes que um diagnóstico confiável possa ser feito.

Essas descrições e diretrizes não contêm implicações teóricas e não pretendem ser proposições completas acerca do estágio atual de conhecimento dos transtornos. Elas são simplesmente um conjunto de sintomas e comentários sobre os quais houve uma concordância, por parte de um grande número de conselheiros e consultores em vários países diferentes (OMS, 1993).

Os distúrbios do sono encontram-se no capítulo F50 - F59 (Síndromes Comportamentais associados a perturbações fisiológicas e fatores físicos). São eles:

F51 – Transtornos não orgânicos de sono;
F 51.0 – Insônia não orgânica;
F 51.1 – Hipersonia não orgânica;
F 51.2 – Transtorno não orgânico do ciclo sono-vigília;
F 51.3 – Sonambulismo;
F 51.4 – Terrores noturnos;
F 51.5 – Pesadelos;
F 51.8 – Outros transtornos não orgânicos de sono;
F 51.9 – Transtorno não orgânico de sono, não especificado.

Essa seção inclui somente aqueles transtornos de sono nos quais as causas emocionais são consideradas como sendo um fator primário. Transtornos de sono de origem orgânica, tais como a síndrome de Kleine-Levin (G 47.8), estão codificados no capítulo VI da CID-10. Transtornos não psico-orgânicos, incluindo narcolepsia e cataplexia, e transtornos do ciclo do sono vigília, também estão no capítulo VI, como estão a apneia de sono e os transtornos episódicos de movimentos que incluem a mioclonia noturna.

Finalmente, enurese está listada com outros transtornos emocionais e de comportamento, com início específico na infância e adolescência, enquanto que enurese primária, a qual é considerada como sendo decorrente de um retardo na maturação do controle vesical durante o sono, está listada no capítulo XVIII da CID-10, entre os sintomas envolvendo o sistema urinário.
Em muitos casos, uma perturbação de sono é um dos sintomas de outro transtorno mental ou físico. Sempre que a perturbação de sono está entre as queixas predominantes, um transtorno de sono deve ser diagnosticado. Entretanto, é preferível listar o diagnóstico do transtorno específico de sono junto com tantos outros diagnósticos pertinentes quantos forem necessários para descrever adequadamente a psicopatologia e/ou a fisiopatologia envolvida em um dado caso (OMS, 1993).

Vê-se que a CID-10 não agrupa especificamente os distúrbios do sono, tornando-se difícil tecnicamente o seu uso na clínica e em pesquisas. Fato este comprovado na nota inicial da CID-10, critérios Diagnósticos para pesquisa, seção F 51: há disponível uma classificação dos transtornos de sono mais completa (International Classification of Sleep Disosders, 1990), no entanto, organizada de modo diferente da CID-10 (OMS, 1998).

A CID-10 tem poucos itens, é muito resumida, ultrapassada, se assim se pode dizer, e com poucos distúrbios tipo parassonias. A classificação internacional de 1990 é de mais fácil entendimento, mais ampla e completa, portanto mais prática e mais recomendada no estudo dos distúrbios do sono.

O Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios Mentais é uma publicação da Associação Americana de Psiquiatria (APA), de 1994, e tem relação direta com a CID-10 e com a Classificação Internacional dos Distúrbios de Sono de 1990.
O texto do DSM-IV descreve sistematicamente cada transtorno sob os seguintes títulos: “Características Diagnósticas”, “Subtipos e/ou Especificadores”, “Procedimentos de Registro”, “Características e Transtornos Associados”, “Características Específicas à Cultura, à Idade e ao Gênero”, “Prevalência”, “Curso”, “Padrão Familiar” e “Diagnóstico Diferencial”.
Quando não há informações disponíveis para uma seção, esta não é incluída. Em alguns casos, quando muitos dos transtornos específicos em um grupo de transtornos compartilham características comuns, essa informação é incluída na introdução geral ao grupo.

O texto para cada um dos Transtornos do Sono contém uma seção descrevendo seu relacionamento com transtornos correspondentes na classificação internacional de 1990. De fato, mesmo com esta seção de relacionamento, percebe-se uma deficiência no DSM-IV quanto ao número de distúrbios do sono descrito e à abrangência de suas descrições, como, por exemplo, a Síndrome de Mudança Rápida de Fuso Horário (jet lag), um dos Distúrbios do sono relacionados com o ritmo circadiano, na classificação de 1990.

Outro exemplo é a Insônia Primária (Código 307.42 no DSM-IV). Há evidências de que a classificação de 1990 é mais completa, específica e abrangente que o DSM-IV e deve ser a referência para os Centros de Distúrbios do Sono e para os profissionais da área de saúde, tanto clínicos como pesquisadores.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER