Abandono de crianças, covardia ou necessidade?

Abandono de crianças, covardia ou necessidade?
PSICOLOGIA
Segundo a ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) toda criança tem direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, à liberdade, ao respeito e a convivência familiar e comunitária sendo considerada como criança a pessoa até os doze anos de idade. Todos esses direitos são deveres da família, da comunidade, da sociedade e do poder público. Porém não é o cumprimento da lei que vemos no nosso dia-a-dia. Além de milhares de crianças de rua espalhadas pelos quatro cantos do país também mães que abandonam seus bebês recém-nascidos em latas de lixo, jogados nos rios, ou deixam abandonados nas ruas à mercê da própria sorte e incapazes, muitos morrem. Mas muitos têm a sorte de serem encontrados por pessoas boas que fazem o que devem para salvá-los de uma morte cruel, chamam algum tipo de resgate para que seja feito o que é necessário para encaminhá-los à adoção.

Para quem tem conhecimento de um fato assim, não consegue entender o que leva uma mãe a abandonar um filho, abandonar uma criança incapaz de sobreviver sem alguém para cuidá-la. Quem seriam os responsáveis por tamanha injustiça, família? Sociedade? Poder público? A partir do estudo de algumas bibliografias poderemos ter uma referência sobre o abandono de crianças, porém os motivos são os mais diversos, cada mãe com sua história particular, nenhuma é igual, mas um ponto em comum pode ser encontrado, a maioria tem histórico de abandono familiar, seja quando criança, ou mesmo após a gravidez, ou ainda o abandono social, marginalizadas e discriminadas por algum motivo acreditam que suas crianças terão mais possibilidades longe delas.

Nessa época as crianças abandonadas, na maior parte das vezes, eram de mulheres solteiras, geralmente da alta sociedade, as quais não eram aceitas pelas famílias por serem símbolo da "desonra" da mãe. Também havia muitos casos de prostitutas, que não podiam criar seus filhos devido ao seu modo de vida. Porém devemos ressaltar que nessa época, as crianças eram abandonas em locais onde iriam ser criadas e educadas ou encaminhadas a famílias substitutas, estavam mais protegidas no que nos dias de hoje quando as mães as jogam no lixo ou nos rios. Atualmente no Brasil os dados de crianças que vivem em instituições são alarmantes e cresce a cada dia.

Segundo o último levantamento do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) existiam no Brasil, em 2004, 589 abrigos onde viviam mais de 80 mil crianças, a maioria em situação de extrema pobreza. Essa situação chamou atenção da sociedade e tornou-se estudo nas mais diversas áreas do conhecimento, priorizando a análise do contexto social, político, econômico e cultural.

Pode-se dizer que hoje esse fenômeno deve-se a crescente pauperização da sociedade, mulheres cada vez mais jovens, sem estrutura familiar, sem condições financeiras, sentem-se incapazes de criar seus filhos e os doam, ou em um momento de insanidade desespero os abandonam em locais onde uma pessoa normal não imaginaria em deixar um bebê recém-nascido nem por um minuto. se pode fazer para ajudar essas mulheres é criar políticas públicas para ampará-las, durante a gravidez para que haja uma possibilidade de desistirem da doação, ou para que se tenham um acompanhamento pós-parto, e que sejam tomados os devidos cuidados para que não aconteça mais uma gravidez indesejada.

Outro ponto importante é acabar com esse preconceito com mães que doam seus filhos, dar um filho para a adoção não é crime, mas abandono de incapaz é. A partir do momento em que essa situação ficar bem esclarecida com certeza haverá uma diminuição no número de crianças jogadas como lixo e um aumento no número de crianças doadas para famílias que querem muito ter m filho e não podem.

Franciele de Quadros Colombeli
Professora de anos iniciais e Assistente Social, cursando especialização em Gestão Social.
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