A Formação Crítica do Coordenador

PSICOLOGIA
Em educação não podemos nos ater somente às experiências testadas em algumas comunidades escolares específicas como forma de estudar comportamentos, pois a sala de aula sofre influências muito mais avassaladoras do que as geradas em seu próprio meio, por exemplo, da política educacional, da sociedade barbarizada, da economia capitalista. Ou seja, toda sala de aula é um pequeno recorte da realidade da educação e da sociedade como um todo, e está composta de indivíduos que não foram selecionados para estarem juntos a fim de serem observados.

PERRENOUD (1997) afirma que é necessário que as práticas pedagógicas dentro do ambiente escolar (seja do CoordPed ou dos docentes) se orientem por uma teoria mais realista, mais descritiva do que prescritiva, estando sempre atentas ao que acontece em volta, ao que está externo. Esse modo de repensar a escola a partir das práticas do CoordPed e dos professores a transforma em um espaço em que todos podem repensar seus saberes e fazeres a partir da análise e reflexão crítica do seu papel na sociedade.

O desenvolvimento do ser crítico e reflexivo só pode se concretizar a partir do momento em que a ele forem apresentados problemas, dificuldades que pode enfrentar a partir do momento em que estiver frente a frente com a realidade escolar, para que este profissional desenvolva uma forma própria de equacionar e lidar com seus problemas e com os que se apresentarem a ele nas diversas situações com as quais irá se confrontar.

Segundo SCHÖN (2000), a um profissional da educação compete se formar a partir da percepção de um “saber-fazer” que se aproxima da sensibilidade de um artista que se vê frente a situações inesperadas e que mescla seus conhecimentos técnicos à criatividade para a resolução de seus problemas. A reflexão sobre suas ações pedagógicas, processos e técnicas em que acredita e a observação sobre o que foi feito à luz de uma visão diferente da habitual, sob várias perspectivas de análise da ação, é que ajudam a determinar as ações futuras, a compreensão de futuros problemas e suas resoluções.
Usaremos, como base para nossos estudos sobre o papel do CoordPed e a formação do profissional reflexivo, as teorias da Psicologia (mais especificamente das de Piaget e Vygotsky) que podem ser vinculadas à educação, procurando entender e relacionar corretamente seus conceitos ao papel do CoordPed na conjuntura escolar e na formação intelectual do homem. Há semelhanças no pensamento interacionista de Piaget e Vygotsky, que consideramos de suma importância para a educação.

Conseguir ensinar docentes e discentes a obter autonomia, tanto em sala de aula quanto na vida, não é o único desafio do CoordPed dentro da escola. Um dos mais importantes é ajudar a comunidade escolar a construir um contexto que não acentue a desigualdade e que interprete efetivamente os novos paradigmas que se apresentam.

Para Vygotsky, mais importante que analisar a relação sujeito-objeto é buscar compreender as especificidades dessa relação, a historicidade existente entre eles e como isso se dá. Já para Piaget (ano, p. 42):

O conhecimento adquirido por aprendizagem não poderá mais ser considerado como devido a uma ação com um único sentido do objeto sobre o sujeito, mas como uma interação no seio da qual o sujeito introduz adjunções específicas.

Ou seja, entendemos que é a ação do sujeito que estimula a sua própria vontade de aprender. Segundo PIAGET, o papel da motivação é, nesse processo, responsável em parte pela ação do sujeito, que deve sentir a necessidade e o interesse em se desenvolver. Na medida em que o reforço externo atuar sobre o indivíduo haverá sempre uma resposta interna de coerência e dedutibilidade por parte do sujeito, chamada por Piaget de reforço interno, ou seja, um êxito com relação à atividade dedutiva desse sujeito. Mas como poderíamos usar essa teoria para a realidade do CoordPed? Quanto, nesse sentido, a Pedagogia e as ações do CoordPed poderiam absorver dessas teorias?

Mais uma vez usando os pensamentos de Piaget, que tem como lema principal a crença de que “o conhecimento é fabricado e não descoberto”, cabe ao CoordPed ficar atento à fase de amadurecimento das relações de ensino e aprendizagem que o ambiente escolar determinará, a fim de proporcionar a todos estímulos e condições de assimilação de programas, conceitos e até de quebra de paradigmas.

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