O Papel da Psicopedagogia Frente às Dificuldades Escolares

O Papel da Psicopedagogia Frente às Dificuldades Escolares
PEDAGOGIA
O presente trabalho tem como tema central o trabalho da psicopedagogia frente às dificuldades escolares das crianças por qualquer que seja o motivo não conseguem acompanhar de maneira natural as aulas.

Nessas perspectivas constituem-se várias questões que nortearam esse trabalho:
• O conhecimento é constituído naturalmente e continuamente pela criança, não sendo exclusivamente do ambiente escolar;

• Quando esse processo não ocorre naturalmente precisa-se de um apoio maior cabendo a entrada da Psicopedagogia que é uma área de conhecimento e de atuação dirigida diretamente para o processo de aprendizagem humana;

• Seu objeto de estudo é o ser, que apreende da realidade, e constrói o seu conhecimento, aprendendo;

• A Psicopedagogia pode auxiliar em várias áreas da atividade humana;

• As teorias vinculadas a ela são relacionadas à prática pedagógica, envolvendo o atendimento às necessidades individuais de aprendizagem, o fracasso escolar e a apropriação do conhecimento.

A Psicopedagogia ocupa-se da aprendizagem humana que adveio de uma demanda – o problema de aprendizagem, colocado num território pouco explorado, situado alem dos limites da Psicologia e da própria Pedagogia – e evolui devido à existência de recursos, ainda que embrionários, para entender a essa demanda, constituindo-se assim, numa prática. Como se preocupa com o problema de aprendizagem, deve ocupar-se inicialmente do processo de aprendizagem. Portanto, vemos que a Psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se aprende como essa aprendizagem varia evolutivamente e esta condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las(BOSSA, 2000, p.21).

Em suma, o psicopedagogo é um profissional envolvido com a aprendizagem humana, que congrega conhecimentos de diversas áreas intervindo neste processo, seja para potencializá-lo ou para amenizar dificuldades, atendendo as necessidades individuais de aprendizagem. Neste sentido pretende-se divulgar o caráter transdisciplinar da Psicopedagogia, suas ações e parcerias, nas diversas áreas de atuação do psicopedagogo.

O ato de educar:
Segundo Fonseca (1995), estatísticas comprova que os alunos das series iniciais de classes econômicas menos favorecidas, tem menor rendimento na aprendizagem do que alunos de classes mais favorecidas. Surge-se então a necessidade do professor alfabetizador utilizar-se de métodos no qual possa desenvolver a aptidão da aprendizagem.

Cabe ao professor saber identificar e aplicar o melhor método e desenvolver a melhor maneira de auxiliar o aluno no processo da aprendizagem, buscando cada vez mais desenvolver no aluno o seu potencial, suas habilidades, praticas e criatividade.

Segundo Vygostsky (1988) a aprendizagem da criança começa muito antes da aprendizagem escolar nunca partindo do zero, pois todo o processo tem uma historia. O professor, portanto deve sempre repensar sua prática docente, pois ela precisa ser concreta, consciente, atual e transformadora, elaborando vínculos afetivos com o ser aprendente, mesmo que não se deseje aprender naquele momento, por alguma circunstância. Se persistirem tais resistências, a frustração, em função do não alcance dos objetivos deve ser banida, pois, o trabalho é conjunto, e talvez seja o momento de compartilhá-lo com outro profissional especializado, pois como se viu a psicopedagogia trabalha concomitantemente com a aprendizagem e o desenvolvimento do seu processo.

É nas series inicias que a criança desenvolve sua base cognitiva, para que ocorra uma boa base cognitiva é necessário suprir as necessidades da criança na fase e no período em que se encontra caso contrario futuramente haverá a necessidade de suprir essas dificuldades.

No cotidiano em sala de aula depara-se com crianças que mesmo o professor utilizando de vários métodos essas crianças não aprendem e o professor fica sem saber o que fazer. Surge-se então a necessidade de investigar as dificuldades de aprendizagem para saber identificar a causa e o porquê da não aprendizagem, nos quais veremos a seguir. Dificuldades de Aprendizagem:
Hoje em dia é muito comum encontrarmos nas salas de aula alunos com dificuldades de aprendizagem, nos quais se sentem bloqueados e cada vez mais encontra dificuldades no processo natural da aprendizagem.

Fernández (1991) também considera as dificuldades de aprendizagem como sintomas no processo de aprendizagem, onde necessariamente estão em jogo quatro níveis: o organismo, o corpo, a inteligência e o desejo. A dificuldade para aprender, segundo a autora, seria o resultado da anulação das capacidades e do bloqueamento das possibilidades de aprendizagem de um indivíduo e, a fim de ilustrar essa condição, utiliza o termo inteligência aprisionada.

Uma criança com dificuldades de aprendizagem se sente muito desvalorizada chegando muitas vezes a se frustrar com os colegas, professores, escolar, familiares e contra si mesmo. É preciso que o professor perceba essa dificuldade de aprendizagem no inicio do processo de alfabetização para não acarretar mais prejuízos no desenvolvimento de sua personalidade. O professor percebendo essas dificuldades deve criar perspectivas preventivas para não ocorrer à exclusão dos alunos e para que o aluno não se exclua.

Segundo Rogers (2000), as dificuldades de aprendizagem, podem significar uma alteração no aprendizado específico da leitura e escrita, ou alterações genéricas do processo de aprendizagem, onde outros aspectos, além da leitura e escrita, podem estar comprometidos (orgânico, motor, intelectual, social e emocional).

Para Polity (2001) a dificuldade de aprendizagem pode ser definida como um sintoma psicossocial, com pelo menos três constituintes básicos: a criança, a família, a escola / profissionais especializados. Sua evolução está intimamente relacionada com a estrutura e dinâmica funcional do sistema familiar, educacional e social no qual a criança está inserida.

[...] As dificuldades de aprendizagem devem ser analisadas e compreendidas não somente como uma falha individual de um sujeito que resiste a adequar-se ao pré estabelecido, mas como uma confluência de fatores que incluem a escola, a família, os profissionais da educação e o sistema de relações sociais envolvidos (POLITY, 2001, p. 71).

A criança com dificuldade de aprendizagem não pode ser classificada como deficiente, pois se trata de uma criança normal que aprende num ritmo mais lento necessitando de um acompanhamento especial. Cabe ao professor identificar esses casos e proporcionar intervenções preventivas para que possa auxiliar essas crianças de maneira a não deixar que o problema se estenda, pois quanto antes diagnosticado e tratado mais rápido será o progresso.

Muitas vezes também o problema não está apenas na dificuldade da criança, mas sim na dificuldade que o professor encontra em ensinar determinadas crianças, o professor às vezes não consegue encontrar meio e métodos que facilitam a transmissão do conhecimento para auxiliar determinadas crianças.

Para que ocorra uma melhoria na educação é fundamental a participação de profissionais atuantes e comprometidos com a melhoria da educação. Para o próprio professor investigar, diagnosticar e intervir fica difícil. Seguindo esse contexto da-se ênfase a psicopedagogia que estuda e trabalha com a aprendizagem utilizando como agente principal a prevenção, investigação, diagnostico e intervenção na mediação do processo ensino aprendizagem nos quais veremos mais aprofundados a seguir.

Papel da Psicopedagogia:
A psicopedagogia é uma área que se preocupa com os fenômenos que ocorrem nas dificuldades de aprendizagem. Cabe ao psicopedagogo na instituição educacional compreender como se dá o processo do conhecer, que está ligado a maneira de ensinar. A psicopedagogia tem a ação de prevenir, auxiliar, diagnosticar, intervir e mediar ajudando o professor, o aluno e a escola.

Cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais; fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem (BOSSA (1994, p.23)). A psicopedagogia na instituição escolar tem por finalidade compreender os problemas escolares e intervir em relação a essas dificuldades encontradas pela criança dentro do seu aspecto cognitivo, psicomotor e afetivo. Pode-se perceber tem varias funções na pratica educacional, ela atua sensibilizando a criança para a construção do conhecimento, sensibiliza e auxilia o professor para utilizar de diferentes meios de ajudar a criança. A psicopedagogia mostra a questão do modo de ensinar para como deve ser o ensino.

O primeiro contato do psicopedagogo com a criança é investigar o que interfere no processo de aprendizagem. Inicialmente é feito um raporrt e depois é apresentada a caixa lúdica para que comece a ocorrer o processo da investigação, iniciado através do brincar, pois é através do brincar que a criança se expressa mostrando seus laços afetivos, cognitivos, motores e sociais.

O psicopedagogo também deve dar ênfase a perguntas e questionamentos para com a família, utilizando da anamnese, para coletar o máximo de informações possíveis. A família traz informações importantes, além desse objetivo de coletar dados outra informação é fazer com que a família participe cada vez mais da vida escolar da criança.

[...] O tratamento psicopedagógico adquire sentido na ação institucional. Isto permite uma rápida orientação destinada aos pais, seja para seu ingresso num grupo, seja para uma terapia familiar ou de casal; garante um bom controle do aspecto orgânico e neurológico; oferece a possibilidade de diálogo quando o paciente recebe mais de uma atenção e assegura a complementação integrada de outras técnicas pedagógicas (Pain, 1992, p. 75).

O psicopedagogo deve também deve coletar dados na escola, questionando professores, coordenadores e analisando o próprio material escolar da criança. Assim a psicopedagogia poderá diagnosticar a dificuldade de aprendizagem e iniciar a intervenção. Às vezes o psicopedagogo necessita de uma equipe multidisciplinar para chegar a um resultado mais seguro e com maior fidelidade.

Conclui-se que no trabalho do psicopedagogo tanto clinico quanto institucional deve sempre refletir sobre quem é, e de que meio vive, pois o aluno necessita do atendimento, buscando sempre entender em que contexto se situa o seu problema de aprendizagem. Deve haver uma reflexão no contexto escolar com a finalidade do professor reconstruir sua pratica pedagógica. Considerações Finais:
Em relação às questões abordadas nesse artigo pode-se perceber a grande importância do papel do psicopedagogo e o imenso valor da psicopedagogia tanto clinica quanto institucional, ela tem a arte de prevenir, investigar, diagnosticar e intervir para com as crianças com dificuldades de aprendizagem.

A psicopedagogia institucional contribui e compreende o processo de aquisição do conhecimento que se expande desde o processo do aprender como no processo de ensinar, pois tem a ação de intervir fazendo uma reflexão no contexto escolar com a finalidade do professor construir sua pratica pedagógica. Quanto à psicopedagogia clinica nela o psicopedagogo cabe avaliar o aluno e identificar os problemas de aprendizagem; buscando conhecê-lo em seus potenciais construtivos e em suas dificuldades, encaminhando-o, por meio de um relatório, quando necessário, para outros que realizam diagnóstico especializado e exames complementares com o intuito de favorecer o desenvolvimento da potencialização humana no processo de aquisição do saber.

Referências:
BOSSA, Nádia Ap. A Psicopedagogia no Brasil: Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
BOSSA, Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: Contribuições a partir da prática. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
FERNÁNDEZ. A. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e da família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991
FONSECA, V. da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
PAIN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4. ed.Trad Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artes médicas, 1992.
POLITY, E. Dificuldade de aprendizagem e família: Construindo novas narrativas 1º encontro Paranaense de Psicopedagogia ABPppr- nov./2003.
ROGERS, C. O tratamento clínico da criança problema. Revista Facilitaja.com.br. São Paulo: Martins fontes, 2000.
VYGOTSKY, L. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

Kelys Christiane Coura Martins
Trabalho na Secretaria de assistência social, psicopedagoga e psicóloga com atendimento em consultório particular. Marmelópolis, Minas Gerais.
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