História das mulheres e relações de gênero

História das mulheres e relações de gênero
PEDAGOGIA

De acordo com os estudos e pesquisas realizadas com o auxílio de entrevistas orais pode-se, no entanto, elaborar um trabalho voltado para a história das mulheres e as relações de gênero presentes em meu município.


Assim, vale ressaltar que o estudo de História Regional e Local embora incorporada ao mitificado universo acadêmico como modalidade aceitável do ofício de historiador, continua sendo vista como uma história de status inferior, que carece de legitimidade diante das grandes questões que permeiam as preocupações do ambiente intelectual, passando a ser vista como de interesse limitado e circunscrito às expectativas das comunidades que analisa recuperando atores e fatos que haviam se perdido no tempo e na memória.


Diante deste contexto é que abordarei a questão da história das mulheres e como elas apareceram a partir de 1970, na constatação da negação e do esquecimento, atrelada à explosão do feminismo, articulada ao florescimento da antropologia e da história das mentalidades, bem como às novas modificações da história social e às pesquisas sobre memória popular.


Este foi um período fundamental, no qual as feministas fizeram a história da mulher antes mesmo dos historiadores. Apesar das inúmeras diferenças nos recursos utilizados pelos estudiosos da mulher, por sua representação e pela posição a ela concedida nas universidades, não parece haver dúvida de que a história das mulheres é uma prática estabelecida em muitos lugares do mundo. Nos anos 80 e, depois, de uma farta produção, os historiadores se perguntavam em que os estudos sobre a mulher teriam modificado a história tradicional ou renovado seus métodos.


A verdade é que a história não tinha conseguido concretizar as necessárias rupturas a fim de realizar uma redefinição e um alargamento de noções tradicionais na ciência histórica, pois antigamente as mulheres eram encorajadas a se manterem castas até o casamento, pois servia de modelo para todas as gerações de mulheres.


Desde a década de 1970, o termo Gênero foi utilizado para teorizar a questão da diferença sexual pelas feministas americanas que queriam insistir no caráter fundamentalmente social das distinções baseadas no sexo, o gênero se torna, inclusive, uma maneira de indicar as construções sociais, ou seja, os papéis próprios dos homens e das mulheres e sublinha também o aspecto relacional entre as mulheres e os homens, o que quer dizer que, nenhuma compreensão e qualquer um dos dois podem existir através de um estudo que os considere totalmente em separado.

No Brasil, esta questão ainda está sendo discutida entre os historiadores, pois não se pode afirmar que aqui exista uma tendência definida sobre o assunto, pois maiorias dos historiadores continuam preocupadas com as mulheres, nas suas relações com os homens, no interior de recortes temáticos.


Quando um historiador se propõe a trabalhar dentro do âmbito da história regional, ele mostra-se interessado em estudar diretamente uma região específica, assim, o espaço regional, é importante destacar, não estará necessariamente associado a um recorte administrativo ou geográfico, podendo se referir a um recorte antropológico, a um recorte cultural ou a qualquer outro recorte proposto pelo historiador de acordo com o problema histórico que ele irá examinar.


Mas, de qualquer modo, o interesse central do historiador regional é estudar especificamente este espaço, ou as relações sociais que se estabelecem dentro deste espaço, mesmo que eventualmente pretenda compará-lo com outros espaços similares ou examinar em algum momento de sua pesquisa a inserção do espaço regional em um universo maior. Dentro desta perspectiva surge a maneira como a mulher era definida como um ser inferior, que precisava de um tutor para guia-la.


Mas atualmente a mulher tem conquistando cada vez mais seu espaço no ambiente profissional e participando das mudanças ocorridas na contemporaneidade. Aos poucos as habilidades e características femininas começam a ser valorizadas pela sociedade, deixando a mulher, aos poucos de ser uma mera coadjuvante em determinados segmentos sociais e profissionais, possibilitando cada vez mais o seu acesso às posições estratégicas em suas profissões relação ao trabalho, tais mudanças são ainda mais visíveis.


Com o processo de reestruturação produtiva e com o crescente número de mulheres no mercado de trabalho, a mão-de-obra feminina tem sido cada vez mais aceita e solicitada. Contudo, este contingente feminino ainda tem sido sujeito a algumas limitações, ou tem sofrido dificuldades quanto ao seu acesso a cargos que exigem maior qualificação ou que oferecem maiores possibilidades de ascensão na carreira, especialmente no que se refere à dinâmica de conciliação das demandas familiar e profissional.


Ao longo das últimas décadas do século XX, as conquistas sociais femininas e no mercado de trabalho foram muitas, no entanto ainda está aquém do ideal. As mulheres têm hoje maior participação, não só no mercado de trabalho, como também nas esferas política e econômica e elas já estão mais à vontade e escolhem de forma mais livre com quem e como querem estabelecer suas relações conjugais. A mulher na modernidade pode ocupar cargos públicos, políticos e administrativos, na realidade, as mulheres foram da esfera doméstica à ocupação de diferentes funções na sociedade moderna, mas estas conquistas sociais têm sido alcançadas e assimiladas de forma diferente pelas mulheres.


Vale ressaltar que o alcance e assimilação das conquistas sociais femininas de minha cidade variam de acordo com a classe social, o grau de escolaridade e a possibilidade real para superar as desigualdades de oportunidades entre homens e mulheres que ainda existem e persistem na sociedade atual, tanto na família como nas mais diferentes esferas sociais, pois as mulheres ainda ocupam menos cargos de poder e prestígio e continuam a ser vistas como as principais responsáveis pela casa e pela família, na sociedade atual a mulher vem aprendendo a lidar com os problemas e aos poucos vem aprendendo e sabendo discernir as dificuldades encontradas na dupla e algumas, na tripla jornada de trabalho, no lar e fora dele.


REFERÊNCIAS
BOFF, Leonardo. Ética da vida. Brasília: Letra viva, 1999. BRASIL. MEC - Coordenação de educação Infantil - DPEIEF/SEB - Revista CRIANÇA - do professor de educação infantil. Brasília, DF, nº 42, dez/2006.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, MEC/SEF, 1997.

DUBY, Georges. Isolda, Heloísa e outras damas do século XII. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. _________. História das Mulheres: a Idade Média. Porto: Afrontamento, 1990

Maria do Carmo S. de Jesus
Professora de Língua Portuguesa e Literaturas, no Colégio Estadual Luis Eduardo Magalhães e Colégio Estadual Gildásio Penedo.Licenciada em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia, Campus XXII; Graduada em Pedagogia pela Faculdade de Tecnologias e Ciências; Pós-graduanda em Gestão Educacional, Psicopedagogia Clinica e Educação Infantil.
Seja um colunista
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER