Afro-descendência

Afro-descendência
PEDAGOGIA
O texto As vozes e seu tempo de Florentina da Silva Souza, o qual faz parte do Periódico Afro-descendência em cadernos negros e jornal do MNU, aborda como vive os negros relacionados aos movimentos presentes em nossa sociedade, bem como a forma que eles encontraram para poder fazer valer sua cultura, visto que aprendemos na escola que a população brasileira foi formada pelos europeus colonizadores, que se mesclaram com os indígenas que aqui já viviam antes da chegada dos portugueses e com os africanos trazidos pelo escravismo.

A autora possui Licenciatura pela Universidade Federal da Bahia em Letras Vernáculas com Língua Estrangeira, Bacharelado também pela UFBA, mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba e doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira e Literatura Comparada, atuando principalmente nos seguintes temas: afro-descendência, identidade cultural, literatura afro-brasileira, literatura brasileira e cultura brasileira.

Diante desta perspectiva a presente resenha tem por objetivo mostrar como os textos deste periódico literário inovam na proposição de imagens que desestabilizam os estereótipos negativos dos afrodescendentes e na explicitação do desejo de emancipá-los, por meio da concretização de mudanças na ordem das representações e dos lugares sociais, um tema quase ausente na produção literária brasileira instituída, visto que os textos dos Cadernos Negros apresentam-se regidos por uma lógica que privilegia a comunicabilidade.

No intuito de ampliar o universo de leitores e simpatizantes, os escritores e os responsáveis pela edição usam, preferencialmente, uma linguagem despojada de rebuscamento, que faz da repetição de imagens e de propostas um recurso de grande eficácia. Os autores assumem, assim, uma função pedagógica e a missão político-cultural de alertar e unir os leitores para avaliação do lugar étnico de onde falam os grupos que constroem ou reelaboram os discursos nacionais, função que não poderá ficar imune a alguma perspectiva emancipatória herdada do iluminismo, acredito.

No entanto, percebe-se que as lutas dos negros por espaço de expressão vêm sendo travadas em diversas esferas políticas e culturais durante todo momento, tendo significativa contribuição através de negros que fizeram história nesta caminhada, como é o caso de Lélia Gonzalez, antropóloga militante de movimento negro. Esta destacou a necessidade de articular a cidadania negra com a questão de identidade como um fator primordial para a construção de um grupo sólido, e critica o apagamento do negro, de suas culturas africanas, e afirma a necessidade de compreender a cultura afrodescendente como parte do cotidiano brasileiro.

Quando trata-se da questão da inserção do negro, nas esferas sociais, políticos e culturais, faz-se necessário abordar também a questão do racismo que ainda vigora na nossa sociedade. A origem da sua significação remonta o conceito de raça do século XV, é uma construção histórica, social e cultural, fruto de um longo processo ideológico que foi se arraigando aos poucos e no presente contexto, o racismo pode ser compreendido como um fenômeno histórico-social ideológico, consolidado e manifestado por meio de preconceitos, discriminação e estereótipos.

Desde o século XVIII há muita luta e resistência negra as quais conseguiram articular diferentes organizações e movimentos que atuaram e continuam atuando na desconstrução do imaginário individual e coletivo da inferiorização. Isso fez com que muitas instituições, principalmente a escola, vêm através de seu papel de produtora de conhecimento, desenvolver o diálogo a respeito do preconceito racial, e combate-lo bem como a discriminação presentes no contexto escolar e em geral na sociedade, visto que é inadmissível alguém ter preconceito num pais misto como o Brasil, onde sua população é composta das três raças e por isso não deveria ocorrer este tipo de ação, visto que esta pode alimentar o preconceito e os estereótipos referentes à inferioridade negra.

Referências
SOUZA, Florentina da Silva. Afro-descendência em cadernos negros e jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. p. 31-49.

Maria do Carmo S. de Jesus
Professora de Língua Portuguesa e Literaturas, no Colégio Estadual Luis Eduardo Magalhães e Colégio Estadual Gildásio Penedo.Licenciada em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia, Campus XXII; Graduada em Pedagogia pela Faculdade de Tecnologias e Ciências; Pós-graduanda em Gestão Educacional, Psicopedagogia Clinica e Educação Infantil.
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