A importância de contar história em sala de aula: Instrumento de trabalho na EI

A importância de contar história em sala de aula: Instrumento de trabalho na EI
PEDAGOGIA
1.  A leitura literária na sala de aula da Educação Infantil

O educador tem um desafio grande em relação às mudanças na sociedade. Desse modo, é na escola que a criança tem o contato com os contos infantis, garantindo sua independência, perante o adulto quando a mesma alcança a capacidade de ler. Ler tem de ser algo bom, um prazer, nunca visto como um sacrifício tem de ser sempre desejado, tornando a leitura algo que faça tanta falta "como o pão para a boca". (Cavalcanti, 2009:).

Para Cavalcanti (2009), o leitor infantil pode ser muito facilmente envolvido pelo momento de ouvir a história, desde que este momento seja bem conduzido. Pensando nisso, para narrar a história de forma sedutora, prazerosa e envolvente o contador - no caso o educador - precisa ser apaixonado pelo mundo do faz-de-conta, pois estar comprometido afetivamente com a narrativa é ponto principal, isso porque a história precisa ser contada com sentimento, entrega e partilha.

De acordo com Cavalcanti (2009), o bom contador de história é alguém que possui a virtude natural para fazer da palavra o canto mágico das narrativas. Dessa forma, podemos dizer que a história leva a criança para um passado misterioso, o instiga para o futuro onde se pode viajar pelas galáxias, ou seja, é possível ir até onde sua imaginação chegar.

Segundo Cavalcanti (2009), quando realizamos a leitura ou contamos uma história, o fazemos através de um gesto voluntário de buscar um preenchimento que nos envia um prazer, nos mantendo em sintonia com a descoberta do novo. Sendo assim, o gosto pela leitura é algo que se provoca pelo afeto e o gosto e o prazer são recursos essenciais que devemos buscar para a inclusão do hábito de ler nas escolas alcançando nossos leitores que, por meio dessa prática, se tornaram leitores apaixonados e comprometidos.

Sobre o mesmo ponto de vista Costa (2007) acrescenta que cabe não esquecer que todo trabalho de formação de leitores para a literatura não pode, em momento algum, menosprezar ou deixar em segundo plano o papel do professor enquanto mediador e enquanto exemplo de leitor, pois "aprender a ler requer que se ensine a ler", tarefa importante para o educador ao inserir a leitura literária como caminho de transformação e conhecimento e de forma prazerosa.

Certamente, preparado para a leitura, a criança compreenderá que o livro é um passaporte para o ilimitado mundo da ficção ou da realidade.

1.1 Leitura Literária: construtora do conhecimento

Segundo Oliveira (2009), sugere-se que comece a resgatar os contos e histórias conhecidas pelas crianças, tanto eles quanto o professor poderão contar oralmente os contos e suas histórias para os demais.

Assim, o hábito da leitura torna-se a maneira de construção do conhecimento mesmo antes de saber ler, pois, é de ouvi-las que se treina a relação com o mundo, fazendo do momento de contar, recontar, inventar e ouvir o estímulo para manter viva a importância da leitura. Oliveira (2009) acrescenta que a criança que, desde muito cedo, entrar em contato com a obra literária, terá uma compreensão muito maior de si e do outro, tendo a oportunidade de desenvolver seu potencial criativo e ampliar seus horizontes da cultura e do conhecimento, dessa maneira, sua visão será melhor em relação ao mundo e da realidade que a cerca.

Certamente, por esse motivo que a autora Oliveira (2009) nos fala que a literatura infantil deveria estar presente na vida da criança da mesma forma que se oferece o leite em sua mamadeira, pois ambos cooperam para o desenvolvimento dos indivíduos, ou seja, um é o alimento para seu desenvolvimento físico e o outro para o desenvolvimento intelectual e afetivo.

Então, aos adultos, num geral, cabe a reflexão da importância desse assunto, pois contar e ouvir histórias para as crianças desde seus primeiros anos de vida é uma prática edificante que desperta dentro de cada um o gosto pela leitura e a construção e ampliação de seu conhecimento.

Isso porque, conforme Oliveira (2009), a literatura infantil descreve nas histórias o mundo de uma forma simbólica, por meio da fantasia, do sonho e do mágico, rompendo barreiras e limitações do real, criando circunstância para que a criança apesar da sua pouca idade, se defronte com questões complicadas da realidade como, por exemplo: o egoísmo, a fraternidade, a competição, a colaboração, a fidelidade, a falsidade, entre outras questões.

Dessa forma, a leitura é um recurso que trabalha de dentro para fora, do simples para o complexo, onde a criança irá fazer escolhas e se informar sobre o mundo que a cerca.

"O conto ajuda a tornar claro, complicada relação prática, pois suas imagens iluminam o problema relativo à vida, esse é o papel do conto com sua linguagem figurada e emocional" (1982 apud Oliveira, Maria Alexandre de, 2009:79).

Sendo assim, colocamos a importância de criar ocasiões e lugares onde a criança possa ampliar e adquirir novas experiências pessoais enriquecendo-as por meio da leitura. Nesse sentido, o educador ou o adulto em geral tem o papel fundamental de inserir ou oferecer o livro para as crianças, considerando que esse instrumento é de extrema importância para transformar o universo infantil no suporte para manifestar a imaginação e estimular a criatividade.

 Dessa forma, é na escola que a criança começa a ter um contato maior com a leitura onde a aparece a importância de contar histórias e a prática docente, assunto para o próximo capítulo.2. As práticas docentes e seus encantos: como contar histórias

Pensando em como a literatura contribui para o desenvolvimento da criança, podemos dizer que a interação é o que nos proporcionará um começo com esse trabalho, pois a escolha da história funciona com a chave mágica e tem influência no universo infantil, unindo uns aos outros.

Segundo Costa (2007), concentrar o ato da leitura no espaço escolar é reconhecer o efeito enriquecedor que se manifesta em cada pessoa, assim esperamos que o trabalho com a leitura literária pudesse produzir resultados eficazes e amadurecidos, pois a criança, ao manusear o livro ou o objeto de leitura, torna-se capaz de identificar a imagem e estabelecer uma relação direta com a linguagem, sendo muitos os benefícios que esse contato pode desenvolver, estimulando a memória e a capacidade de construir as informações por meio da fantasia vivendo um mundo repleto de conhecimentos.

Uma vez que compreendemos que as obras literárias fazem parte de um universo extenso que está relacionado à arte da palavra, da estética e do imaginário, mostrando a importância do adulto cativar em nossas crianças o gosto pela leitura, consideramos importantíssimo mostrar como acontece o trabalho com a leitura de histórias na educação infantil, auxiliando o educador nesse exercício temos como exemplo: a leitura em voz alta que ajuda a despertar a sensibilidade da criança para diferentes formas de linguagem e tem o efeito positivo em relação à chamada atenção seletiva, ou seja, a capacidade de se desligar de outras fontes de estimulo, mantendo-se concentrada na mesma atividade por período mais longo, não podemos nos esquecer da importância de citar o "era uma vez" passando a ideia de algo que acontecia e já não acontece mais, mostrando a existência do antes, do agora e do depois, ordenando o mundo da leitura com base para distinguir a temporalidade.

Abramovich (2009) acrescenta que a importância e a necessidade de partilhar experiência de ler, de falar da relação que acontece entre leitor e o livro são maneiras mais eficazes e significativas de trabalhar a leitura, sendo uma atividade fundamental que precisa ser desde cedo plena de valor, leitura prazer, leitura que nos acompanha por toda a vida, leitura fonte abundante de experiências insubstituíveis.

Nesse sentido, a leitura literária é um apoio extraordinário para provocar na criança o estímulo a leitura, pois o "conto de fada" permite ao leitor um envolvimento com os personagens da história e com o contexto vivido por eles, assim, a criança é conduzida a experimentar situações reais no imaginário por meio da fantasia.

Então, visando todas as crianças da educação infantil, podemos fazer valer o ato de contar e ouvir histórias uma ocasião de descobertas, sendo assim, o educador tem um desafio grande em relação às mudanças na sociedade, pois é na escola que a criança tem o contato com os contos infantis, garantindo sua independência perante o adulto quando a mesma alcança a capacidade de ler.

Dessa forma, como educadores, precisamos dar credibilidade no trabalho com a leitura literária e recorrer às inúmeras informações que podemos obter para proporcionar prazer, descontração e aprendizado, como no caso de nos apropriarmos do humor e das ilustrações para tornar esse momento sempre desejado por todos.

O humor, ao contar uma história, pode ser entendido como a disposição que leva as pessoas a encarar o mundo de uma forma mais agradável. A autora Fernandes (2003) nos fala que vários autores apelam para esse trunfo criando obras imortais pelo fato de divertir e ensinar de maneira útil.

Assim é para Monteiro Lobato no "Sítio do Pica-Pau Amarelo", onde um sabugo de milho pode falar e a boneca de pano ganha vida, entre outros personagens que vivem a aventura incomum.

Temos também Ziraldo em "O Menino Maluquinho", uma obra que está ligada a aspectos didáticos, ensina brincando de maneira agradável.

Dessa forma, nós educadores podemos aplicar em sala de aula essa maneira gostosa de ler e aprender para garantir que o hábito e o gosto pela leitura seja algo tão importante como o alimento para a sobrevivência. Nesse trabalho, apresentamos a proposta da dramatização sendo outro modo de ler e que a criança irá expor o que ouviu por meio da encenação, assunto que iremos ver no próximo capítulo.3.    Metodologia da Prática Pedagógica: o trabalho com a leitura na Educação Infantil

A dramatização, além de contribuir para a aprendizagem, tem o papel de socializar propondo uma interação uns com os outros e uma troca de informações entre os mesmos, sendo uma prática que colabora para o crescimento cultural, da linguagem oral e corporal.

"Sendo assim, escolhemos para a atividade de dramatizar o conto "Chapeuzinho Vermelho". As crianças têm fascinação por histórias que tenham "lobo mau", podemos vivenciar isso quando estamos contando a história e falamos assim: "ouvi dizer que na floresta existe um lobo que devora todo o mundo que por lá passa", são gritos e agitações por todos os lados, chegam a puxar o livro, pois precisam ver a cena bem de perto, isso se dá devido ao valor da entonação, esse é o momento em que o contador dá vida à história.

Durante o processo da dramatização, todos participaram, montaram o cenário com os objetos que tinham em sala de aula, apesar de serem tão pequenos, são bem inteligentes e criativos, cantaram, dançaram e narraram de forma extrovertida e empolgante.

O educador e contador de história ao narrar o conto faz as intervenções necessárias para que as crianças brinquem de teatro sendo os personagens da história, podendo mudar as cenas, as falas e até o final.

As etapas que seguimos para o desenvolvimento da dramatização foi a roda de conversa, apresentamos diversas obras literárias para a escolha da história, proposta de brincar de encenar o conto, a dramatização sendo o teatro apresentado pelas crianças e, no final, outra roda de conversa para a troca de experiências uns com os outros e com o educador.

Esse desafio de contar história e dramatizar permite que a criança participe ativamente, firmando a importância de tornar o momento da leitura algo que lhes tragam prazer.Considerações finais

Ao realizar este estudo sobre a leitura literária como instrumento de trabalho na educação infantil, nosso intuito foi a todo o momento desfazer a equivocada imagem que as pessoas têm de que ler é algo difícil e requerem sacrifícios. Ler pode ser muito mais do que podemos ver. Se mantermos o hábito de ler desde os primeiros anos de vida, nos tornaremos indivíduos mais sensíveis, mais reflexivos, mais seguros e altamente crítico. Então, contar e ouvir histórias continua e permanecerá em nossas práticas e vivências sendo aprimorada e utilizada como recurso para conquistar o leitor, proporcionado a ele ampliar suas informações gerando conhecimentos e pode-se estender por toda a vida, isso requer força de vontade, cumplicidade com a leitura de todos que fazem parte da vida de uma criança.

É considerável que os educadores e adultos num geral tenham a consciência de que precisamos contribuir para o desenvolvimento num todo das crianças e que ao desenvolver esse trabalho podemos observar que um dos caminhos pelo qual a criança se desenvolve é através do que se pode tocar. Assim, é importante que os livros sejam oferecidos às crianças da mesma forma que são oferecidos outros itens, pois livros com capas novas nas bibliotecas fechadas e livrarias de difícil acesso não são sinônimo de contato, de aprendizado e não irão em momento algum estimular o gosto pela leitura.

Portanto, a literatura tem o objetivo de abrir caminhos. Nos resta agarrar essa oportunidade e promovê-la para o bem e a formação de indivíduos mais sensíveis, reflexivos, criativos e críticos. Sendo assim, concluímos que o universo literário nos dá a oportunidade de trabalhar, de forma agradável, a leitura permitindo um contado ativo a todos que desse momento possam participar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 2009.

CAVALCANTI, Joana. Caminhos da literatura infantil e juvenil: dinâmicas e vivências na ação pedagógica. 3° Ed. São Paulo: Paulus, 2009.

COSTA, Marta Morais da. Metodologia do ensino da literatura infantil. Curitiba: IBPEX, 2007.

FERNADES, Dirce Lorimier. A literatura infantil: coleção 50 palavras. São Paulo: Loyola, 2003.

FERREIRA, Aurora. Contar história com arte e ensinar brincando: para A educação infantil e series inicial do ensino fundamental. 2° Ed. Rio de Janeiro: Wak, 2010.

OLIVEIRA, Maria Alexandre de. Leitura prazer: interação participativa com a literatura infantil na escola. São Paulo: Paulinas, 1996.

Rosana Januário
Sou graduada em Pedagogia, atualmente trabalho na educação infantil. Conclui o curso de Arteterapia no Portal da Educação e pretendo me especializar em Artes Visuais, no entanto, adoro a literatura e por esse motivo no meu trabalho de conclusão de curso abordei o tema do qual apresento no artigo.
Seja um colunista

ASSINE NOSSA NEWSLETTER