A Importância da Literatura de Monteiro Lobato

A Importância da Literatura de Monteiro Lobato
PEDAGOGIA

Este trabalho examinará a importância de Monteiro Lobato, figura central e pioneira no crescimento da indústria do livro no Brasil. A partir de seus projetos nasce a primeira editora no Brasil, com isso o mercado de livros se desenvolve e cria um amplo mercado de consumo. Antes de Lobato, a maioria das publicações estava nas mãos de Portugueses ou de empresas com capital francês.

Lobato acreditava que uma crescente indústria do livro seria de grande ajuda para o desenvolvimento brasileiro. "Um País se Faz com Homens e livros" (KOSHIYAMA, 1982, p. 7) No primeiro capítulo, o estudo será direcionado à obra Jeca Tatu, analisando a temática e a ambiguidade de sentidos, examinada por Monteiro, e que apresenta um tom critico e irônico sobre a realidade brasileira.

Esta nova visão do autor sobre a referida obra desgastou a relação de Lobato com as autoridades de nosso país. Mediante estudos sobre Jeca Tatu, no capítulo de conclusão, serão abordados a importância das obras expostas no contexto social e político, na época de criação desta, e o que foi mudado na ideologia brasileira após a influencia Lobatiana, que permanece atual ainda hoje, tantos anos passados.

O Início do Mercado Editorial
"Livro não é gênero de primeira necessidade é sobremesa: tem que ser posto embaixo do nariz do freguês, para provocar-lhe a gulodice" (LOBATO, 2006, P.; 73) O personagem central no desenvolvimento da indústria editorial brasileira é José Bento Monteiro Lobato, não só autor de livros infantis e de ficção, mas de tratados sobre como tornar mais avançada a mentalidade do país.

Atuou também como editor, primeiro na Monteiro Lobato e Cia. e, posteriormente, na Companhia Editora Nacional, sendo o primeiro editor no país a procurar desenvolver um mercado de massa para livros e transformar a indústria editorial em uma indústria de consumo. Até então, a atividade editorial estava nas mãos de companhias portuguesas ou francesas, e o público alvo era a elite.

No entanto, apesar dessa exaltação do livro, este era, para o pragmático Lobato, um produto a ser comercializado em vários pontos de venda. Ele conseguiu aumentar os pontos de venda de seus livros de 40 - o número total de livrarias no Brasil - para 1.200, incluindo farmácias e bancas de jornal. Além disso, inovou em termos da apresentação visual do livro e foi responsável por produzir capas mais atraentes do que as tradicionais, que eram amarelas e sem vida e seguiam o estilo francês.

O sucesso inicial de Lobato foi com Urupês (1918), histórias sobre a vida rural inspiradas por sua experiência como proprietária de uma fazenda perto de São Paulo, onde surge Jeca Tatu, personagem caipira e indolente, que representava o atraso e a ignorância rural. Este foi seguido por sua primeira coleção de histórias infantis, A Menina do Narizinho Arrebitado (1921), no qual ele apresenta o seu elenco de crianças e bonecos no Sitio do Pica-pau Amarelo.

O sucesso de ambos os livros foi fenomenal e, em muitos aspectos começou a indústria do livro do mercado de massa no Brasil. Urupês atingiu a marca de cinco edições, e a primeira edição de Narizinho vendeu 50.500 cópias, 30 mil destes exemplares foram distribuídos às escolas do estado de São Paulo. Em 1920, mais da metade de todas as obras literárias publicadas no Brasil eram publicadas pela Monteiro Lobato e Cia. Ltda. E em 1941, um quarto de todos os livros publicados no Brasil foi produzido pela Companhia Editora Nacional Lobato, fundada após a Cia e Monteiro Lobato falir.

Lobato foi uma figura pública importante no Brasil entre os anos de 1918 e 1927, pois além do sucesso desses dois livros, ele escrevia uma coluna regular para o influente jornal "O Estado de São Paulo", e comprou a Revista do Brasil. Lobato destacou a importância de o Brasil apresentar e valorizar uma produção cultural própria, indo contra o senso dominante de que apenas as últimas modas parisienses na arte, música e literatura eram dignas de nota. Ele queria "abrir" o Brasil para que o resto do mundo travasse conhecimento de tudo o que a nação brasileira era capaz.

Ele traduziu e adaptou obras como Peter Pan, Alice no País das Maravilhas, Robinson Crusoé, Tom Sawyer, Huckle Berry Finn e As Viagens de Gulliver. Como veremos na sequência do trabalho.

O Jeca Brasileiro
A construção da representação de uma das figuras típicas do cenário brasileiro: Jeca Tatu, um caipira preguiçoso, foi iniciado por Monteiro Lobato, em A velha praga, e enraizadas pelo próprio autor com o conto Urupês. Diversos livros são lidos sem a atenção necessária e, muitas vezes, não se percebe como eles influenciaram na construção do cenário brasileiro educacional, construindo diversas representações que caracterizavam o povo brasileiro, dentre eles: Jeca Tatu, retrato dos jecas brasileiros, que por sua vez simbolizava o atraso econômico- social vivido pelo país.

Na época, impulsionadas pelo desejo ardente de desenvolvimento, as elites intelectualizadas procuravam detectar os entraves da falta de progresso e as raízes dos males que assolavam o Brasil. Estavam em busca de uma análise plausível sobre a incapacidade do povo brasileiro de construir uma Nação moderna, desenvolvida, a exemplo dos Estados Unidos. Nessa ânsia progressista, inclui-se Monteiro Lobato - fazendeiro por herança das terras do avô - que conseguiu perceber os aspectos negativos das queimadas realizadas por agricultores, moradores da roça e eleitores fiéis de partidos políticos, que lhes afiançavam o direito de queimar florestas e matas para ampliar a área de plantio.

Por isso, sob forma de protesto ele descreve o caboclo, no artigo "Velha Praga" para o Jornal de São Paulo (1914), assim: Este funesto parasita da terra é o CABOCLO, espécie de homem baldio, seminômade, inadaptável à civilização, mas que vive a beira dela na penumbra das zonas fronteiriças. À medida que o progresso vem chegando, vai ele fugindo em silêncio, com o seu cachorro, o seu pilão [...] de modo sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna.
Encoscorado numa rotina de pedra, recua para não adaptar-se [...] o caboclo é uma quantidade negativa. (LOBATO, 2007, p.; 161) Porém, Lobato não encerra seu descontentamento com o caboclo no artigo, ele dedicado um conto, o "Urupês", para complementar a sua caracterização do matuto, através da criação do Jeca Tatu.

Nas palavras do autor: "Pobre Jéca Tatú! Como és bonito no romance e feio na realidade! (LOBATO, 2007, p.; 170). Ainda continuou: Da terra só quer a mandioca, o milho e a cana. A primeira, por ser um pão já amassado pela natureza. Basta arrancar uma raiz e deixá-la nas brasas. Não impõe colheita, nem exigia celeiro. O vigor das raças humanas está na razão direta da hostilidade ambiente.
No meio da natureza brasílica, tão rica nas formas e de cores. (LOBATO, 2007, p.; 172) Assim, cria-se o discurso do caboclo preguiçoso, de nome: Jeca Tatu, símbolo do povo brasileiro, pobre, preguiçoso, responsável por todos os males do país, tornando-se uma das mais fortes representações da nossa identidade, na visão lobatiana. Logo, articula-se o retrato do pobre, do ignorante e do doente da sociedade, tornando-se ícone do atraso econômico, político e mental.

O regime dessa "verdade discursiva" produzida pelo autor, que ocupava lugar privilegiado no cenário brasileiro, influenciou a "consciência nacional" ao apresentar tal figura pejorativa e negativamente, estabelecendo pontos de discussão à cerca de como um cidadão brasileiro deveria agir, pensando sobre seu papel nas eventuais mudanças de um paradigma injusto e autoritário, que privilegiava apenas as elites econômicas. Portanto, havia a necessidade de superar: a preguiça, a ignorância, a passividade e a submissão aos coronéis. Este último aspecto está bem explícito no conto: O fato mais importante de sua vida é sem duvida votar no governo.

Tira nesse dia da arca a roupa de casamento, sarjão furadinho de traça e todo riscado de dobras; entala os pés num alentado sapatão de bezerro, ata ao pescoço um colarinho de bico e, sem gravata, ringindo e mancando. [...] Vota. Não sabe em quem, mas vota. Esfrega a pena no livro eleitoral, arabizando o aranhol de gatafunhos a que chama da sua graça. (LOBATO, 2007, p.; 173) Também deixa aflorar na obra aspectos inerentes à religiosidade do caipira: Todos os volumes de Larousse não bastariam para catalogar as crendices, e como não há linhas divisórias entre estas e a religião, confundem-se ambas Em marinhada teia, não havendo distinguir onde para uma e começa outra.

A ideia de Deus e dos santos torna-se Jéco-centrica. (LOBATO, 2007, p.; 176) A partir das citações percebe-se que Jeca Tatu "apresenta" grande carga negativa, pois era retratado como trabalhador rural inculto, como homem moral e fisicamente fraco, um piolho- da -terra. O próprio Monteiro Lobato ao perceber a repercussão de seu discurso sobre o caboclo, o caipira preguiçoso, tenta retratar-se na quarta edição do livro Urupês, ainda em 1918, através do seguinte texto: "Uma explicação desnecessária", assumindo outra postura: o pedido de perdão ao pobre e doente Jeca. Assim tentou: Cumpre-me, todavia, implorar perdão ao pobre Jeca.

Eu ignorara que era assim, meu caro Tatu, por motivo de doenças tremendas. Está provado que tem no sangue e nas tripas um jardim zoológico da pior espécie. É essa bicharia cruel que te faz papudo, feio, molenga, inerte. Tens culpa disso? Claro que não. Assim, é com piedade infinita que te encara hoje o ignorantão que outrora só te via em ti mamparra e ruindade. Perdoa-me, pois pobre opilado. (LOBATO, 2007, p.; 213) Ao tentar se redimir, Monteiro Lobato formula uma explicação médico-científico, que, porém, não suficiente para descaracterizar a figura anteriormente criada.
Portanto, a ineficiência de Jeca não era mais uma questão de inferioridade, ignorância, preguiça, mas um problema médico-sanitário: o caipira é doente. Na epígrafe do livro, o problema Vital, isso é bastante elucidativo: o Jeca não é assim, ele está assim. Infelizmente, essa retratação não apagou o discurso criado sobre o Jeca preguiçoso.

Ainda, no final dos anos 40, publica pela Editora Vitória: O Zé do Brasil, que seria um Jeca compreendido não como um preguiçoso, mas como um mero doente, um trabalhador doente "Coitado deste Jeca. Tal qual eu. Tudo o que ele tinha, tinha eu também. A mesma opilação, a mesma maluta, a mesma miséria e até o mesmo cachorrinho". Lobato procura denunciar a situação precária do caipira, e o desprezo do governo. Entretanto, nenhum discurso pós-Jeca Tatu teve o mesmo efeito na sociedade e não apagou a representação do jeca brasileiro pobre e preguiçoso, uma vez que era este discurso, o do caboclo preguiçoso e de cócoras, mais conveniente para a sociedade, dentro das relações de poder.

Surge então uma questão muito importante: já enterramos o Jeca Tatu? ou a representação do pobre preguiçoso ainda perpetua no contexto da nossa sociedade? É na música sertaneja que o caipira sente-se representado, pois com um chapéu de palha e cantando coisas diferentes do que se ouvia na cidade, o caboclo cantava suas cantigas relacionadas à roça, à sua condição. Portanto, adota o "sertanejo" como sua principal manifestação cultural musical. Para elucidar essa realidade caipira transposta em melodias sertanejas, a música "A tristeza do Jeca", um clássico de autoria de Angelino de Oliveira, pode ser vista como uma solução.

A tristeza do Jeca
A primeira gravação de Tristeza do Jeca feita em disco data de 1922 e foi interpretada pela orquestra Brasil-América, numa versão instrumental. A segunda gravação saiu em 1926, sob a interpretação de Patrício Teixeira, cantor carioca, conhecido por suas parcerias com grandes nomes da música da época como: Pixinguinha e Donga.

A tristeza do Jeca Nesses versos tão singelos Minha bela meu amor Pra você quero contar O Meu sofrer e a minha dor Sou igual a um sabiá Que quando canta é só tristeza Desde o galho onde ele esta Nessa viola canto e gemo de verdade Cada toada representa uma saudade Eu nasci naquela serra Num ranchinho beira chão Todo cheio de buracos Onde a lua faz clarão Quando chega a madrugada Lá no mato a passarada principia um barulhão Nessa viola canto e choro de verdade Cada toada representa uma saudade Lá no mato tudo é triste desde o jeito de falar Pois o jeca quando canta dá vontade de chorar E o choro que vai caindo devagar vai se sumindo Como as águas vão pro mar A "Tristeza do Jeca" foi publicada em partitura em uma época anterior ao primeiro "boom" da música caipira, ocorrido em 1929 com as gravações pioneiras de Cornélio Pires, quando autênticos caipiras entraram finalmente na indústria cultural. Hoje existem inúmeras versões de Tristeza do Jeca.
Porque o Jeca era triste?
Com base nestas observações como fazendeiro, o escritor Monteiro Lobato, transporta para a literatura as suas insatisfações, inquietações e desgosto com relação ao homem do campo. Então, Monteiro Lobato planta a semente do personagem Jeca Tatu, escrevendo a obra, Urupês, onde ele desfaz da imagem do caboclo romântico e constrói o anti-herói, o caboclo preguiçoso, piolho da terra, que vive de cócoras sem vocação para nada. O personagem Jeca Tatu passa a representar o homem do campo, franzino, amarelo, um ser inerte que provocava as queimadas, a morte dos animais e possui baixa produção.

Entretanto o sistema de ideias presente em "Urupês" abriu os olhos de artistas e políticos para defender o sentimento nacional que a figura de Jeca quebrantou. A figura foi utilizada pelo político Rui Barbosa, que fez dela um símbolo do descuido dos governos a população. Assim, participando progressivamente do debate em torno da campanha pelo saneamento nas áreas rurais, Monteiro Lobato se defrontou com outra realidade: o relatório do sanitarista Belizário Pena, com o titulo de "Saneamento do Brasil".

O relatório do sanitarista revelava as péssimas condições de higiene e a fraqueza dos trabalhadores rurais. Em particular, falava da peste do campo. Monteiro Lobato percebendo o erro que havia cometido, e tratou de arranjar uma maneira de se desculpar, pois, a criatura moldada por ele tinha mais problemas do que preguiça. Assim, Monteiro Lobato curvou-se à realidade, verificando que "os caipiras eram barrigudos e preguiçosos por motivo de doenças". Seres que tinham as suas entranhas corroídas por um parasita adquirido por falta de higiene e saneamento básico.

O medicamento que veio mudar a situação do Jeca foi um tônico, criado pelo farmacêutico, Cândido Fontoura, em 1910, na cidade de Bragança Paulista, como um antianêmico (ferro para o sangue e fósforo para os músculos e nervos).

Biotônico Fontoura
Formado em 1905, numa das primeiras turmas do curso de farmácia de São Paulo, Cândido Fontoura usou sua curiosidade e experiência de pesquisador para criar um tônico para a sua esposa, que tinha a saúde bastante frágil. A fórmula foi tão benéfica, que após três meses, outras pessoas também começaram a procurar aquele tônico, que, entre outras coisas, estimulava o apetite.

O tônico foi batizado de Biotônico Fontoura, por sugestão de Monteiro Lobato, que era amigo de Cândido. Algum tempo depois, o farmacêutico montaria o Laboratório Fontoura & Serpe para a produção em série desse produto. O principal problema de saúde a ser combatido no Brasil era a ancilostomíase, que é mais conhecido como amarelão causado por um parasita intestinal. Engajado na luta, Monteiro Lobato sente a necessidade de mudar o próprio Jeca. Idealiza e coloca em prática um novo personagem, o Jeca Tatuzinho, que depois de tomar o biotônico, fica forte e saudável.
Com isso surge o Almanaque do Jeca Tatu, idealizado por Monteiro Lobato e editado e distribuído pelo Laboratório Fontoura. O livrinho que acompanhava a embalagem do biotônico trazia histórias feitas por Monteiro com o personagem Jeca Tatuzinho, marcando bem o slogan da marca e apresentando o tônico como o responsável pela mudança do caboclo. E o arrependido Lobato escreve assim na 4º edição de seu livro Urupês: "Eu ignorava que eras assim, meu caro Jeca, por motivo de doenças tremendas.

Está provado que tens no sangue e nas tripas todo um jardim zoológico da pior espécie. É essa bicharada cruel que te faz papudo, feio, molenga inerte. Tens culpa disso? Claro que não. Assim, é com piedade infinita que te encara hoje o ignorantão que outrora só via em ti mamparra e ruindade". (LOBATO, 2006, p.; 216) Lobato foi um tipo raro de escritor cuja obra é o reflexo de sua prática.

Daí o sentido profundamente humano que ela encerra e o profundo interesse que possui para o público em geral. É por isso que Monteiro Lobato é mais que um literato, é uma espécie de próprio guia para a percepção de uma identidade nacional mais justa, com diferenças menos traumáticas para os financeiramente menos afortunados, consequentemente, menos instruídos.

O papel que Monteiro lobato exerceu na cultura nacional transcende de muito a sua inclusão entre os contistas regionalistas. Ele foi, antes de tudo, um intelectual participante que empunhou a bandeira do progresso social e mental de nossa gente. E esse pendor para militância foi se acentuando ao decorrer da sua produção literária, [...] (BOSI, 1994, p,; 215)

Conclusão
Monteiro Lobato mostrou ao Brasil através da obra Urupês, a realidade do trabalhador do campo, um modelo de caipira não idealizado, com isso, Lobato foi repudiado por autoridades e intelectuais da época, pois a imagem do Jeca representava o abandono do Estado, este por sua vez deixava a população menos favorecida a mercê de enfermidades típicas dos países subdesenvolvidos.

Todavia estas condições sociais eram contrárias ao romantismo e utopia narrados pelos escritores, que moldavam o caboclo brasileiro fora da realidade vivida. Na verdade, o Jeca era residente no Vale do Paraíba, em São Paulo, região muito arcaica, era visto pelas pessoas como preguiçoso e alcoólatra. A questão da saúde transparece no enredo quando um médico, ao cruzar o seu caminho, passa diante de sua humilde residência e se assusta com tanta pobreza.

Notando sua coloração amarela e a intensa magreza, decide examinar o caboclo. O paciente se queixa de muita fadiga e dores corporais. O doutor então diagnostica a presença de uma enfermidade tecnicamente conhecida como ancilostomose, o famoso amarelão. Ele orienta Jeca a usar sapatos e a tomar os remédios necessários, pois os vermes que provocam este distúrbio orgânico introduzem-se no corpo através da pele dos pés e das pernas. A vida de Jeca muda radicalmente. Ele se cura, volta a trabalhar, reduz à bebida, sua pequena plantação prospera e o trabalhador se torna um homem honrado pelas outras pessoas. A família Tatu agora só anda calçada e, portanto, saudável.
É assim que Monteiro Lobato denuncia a precária situação do trabalhador rural; ele revela que medidas simples poderiam transformar este cenário sombrio. Este personagem se torna o símbolo do brasileiro que vive no campo.

Bibliografia
BOSI, Alfredo. A história concisa da Literatura Brasileira. 43. Ed. São Paulo: Cultrix, 2006. Koshiyama, Alice Mítica. Monteiro Lobato, intelectual, empresário e editor. - São Paulo: Edusp: Com Arte, 2006. (Coleção Memória Editorial, 4) LOBATO, Monteiro. Urupês. - São Paulo: Globo, 2007 SANDRONI, Laura. De Lobato a Bojunga As reinações renovadas. RJ: Agir, 1987.

Bianca Elias dos Santos Elias dos Santos
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4972736J6
Seja um colunista

ASSINE NOSSA NEWSLETTER