Visita Domiciliar (VD)

Visita Domiciliar (VD)
ODONTOLOGIA

Dados a Serem Coletados Antes da Visita Domiciliar


• Unidade de Saúde.

• Data da realização da Visita Domiciliar.

• Número da equipe e da microárea.

• Nome e profissão do técnico que realizará a visita.

• Registrar o nome do usuário que é o alvo principal da VD ou do chefe da família quando se tratar do cadastramento familiar.

• Registrar o número de matrícula do usuário na Unidade.

• Anotar o endereço completo e pontos de referência (estabelecimentos comerciais) que facilitem sua localização.

• Registrar com objetividade o(s) motivo(s) do pedido da visita, o que auxiliará no esclarecimento do usuário sobre a sua validade.

• Devem ser estabelecidos tendo como base o(s) motivo(s) da solicitação da VD e devem ser passíveis de serem alcançados.

• Dados sobre a família: registrar somente os dados pertinentes aos objetivos definidos para a visita.

• Atividades a serem desenvolvidas: definir o tipo de atividade que será desenvolvida durante a visita, como coletar dados sobre as condições de vida e trabalho da família (segundo roteiro preestabelecido), demonstrar aplicação de medicamentos ou execução de técnicas, avaliar condições para dar continuidade à assistência.

• Registro de dados: registrar as observações feitas no domicílio e os dados coletados por informações verbais. Podem ser utilizados diferentes impressos, específicos para a finalidade a que se propõe a VD. Para as demais situações, podem-se elaborar outros impressos ou utilizar um modelo genérico que se preste a qualquer situação.

• Relatório da VD: deve conter uma síntese das informações coletadas, das observações e das intervenções realizadas. O relatório deve contemplar a avaliação da VD, que deve ser feita tendo como referência os objetivos propostos inicialmente. Anotar ainda as impressões sobre o relacionamento estabelecido com a família e as necessidades identificadas ou relatadas pelo usuário ou por seus familiares.



Conceito


O que é visita domiciliar?


A visita Domiciliar no Contexto da Saúde da Família é um instrumento de intervenção fundamental da estratégia de Saúde da Família, utilizado pelos integrantes das equipes de saúde para conhecer as condições de vida e saúde das famílias sob sua responsabilidade.




Utilizando suas habilidades e competências não apenas para o cadastramento dessas famílias, mas, principalmente, para a identificação de suas características sociais (condições de vida e trabalho) e epidemiológicas, seus problemas de saúde e vulnerabilidade aos agravos de saúde.

A caracterização das condições de vida e trabalho dessas famílias permite compor os perfis de reprodução e produção, respectivamente, os quais, por sua vez, permitirão conhecer grupos distintos no território, homogêneos em função dessas características identificadas. As condições de saúde, a vulnerabilidade aos agravos e as condições protetoras comporão perfis epidemiológicos desses mesmos grupos sociais.



Certamente, tal caracterização não se esgota na visita domiciliária, pois todos os momentos de intervenção junto a essas famílias permitem aprimorar a captação desses dados. Entretanto, por se dar no domicílio, a visitação possibilita compreender parte da dinâmica das relações familiares. A visita domiciliar só se configura como parte do arsenal de intervenções de que dispõe as equipes de saúde da família quando planejada e sistematizada. De outra forma, configura uma mera atividade social.




A territorialidade proposta na estratégia de Saúde da Família deverá eliminar um dos principais impedimentos para a implantação de Programas de Visita Domiciliária em serviços de saúde, que é a disponibilidade de um meio de transporte para o profissional realizar essa atividade.


A VD constitui uma atividade utilizada com o intuito de subsidiar a intervenção no processo saúde-doença de indivíduos ou o planejamento de ações visando à promoção de saúde da coletividade.


A sua execução ocorre no local de moradia dos usuários dos Serviços de Saúde e obedece a uma ordem prévia. Ela possibilita ao profissional conhecer o contexto de vida do usuário do serviço de saúde e a constatação in loco das reais condições de habitação, bem como a identificação das relações familiares. Além disso, facilita o planejamento da assistência por permitir o reconhecimento dos recursos que a família dispõe. Ela contribui para a melhoria do vínculo entre o profissional e o usuário, pois a VD é interpretada, frequentemente, como uma atenção diferenciada advinda do Serviço de Saúde.



Objetivos da Visita Domiciliar


Eles devem ser estabelecidos considerando o(s) motivo(s) da sua solicitação e estar em consonância com a finalidade para a qual a atividade foi proposta.

Pressupostos da Visita Domiciliar


Os pressupostos que orientam a Visita Domiciliar (VD) são:

• Nem toda ida ao domicílio do usuário pode ser considerada uma Visita Domiciliar.

• Para ser considerada uma VD, tal atividade deve compreender um conjunto de ações sistematizadas, que se iniciam antes e continuam após o ato de visitar o usuário no domicílio.

• A sua execução pressupõe o uso das técnicas de entrevista e de observação sistematizada.

• A realização da VD requer um profissional habilitado e com capacitação específica.

• Na elaboração dos objetivos da VD, é necessário considerar os limites e as possibilidades do saber específico do profissional/técnico que a executará.

• A relação entre o profissional e o usuário deve estar pautada nos princípios da participação, da responsabilidade compartilhada, do respeito mútuo (crenças e valores relacionados ao processo saúde-doença) e da construção conjunta da intervenção no processo saúde-doença.

• Podem existir diferenças socioculturais e educacionais entre os profissionais e os usuários dos Serviços de Saúde, que devem ser consideradas no planejamento e na execução da VD.

• A intervenção no processo saúde-doença pode ou não ser uma ação integrante da VD.




Descrição da Técnica de Visita Domiciliar


A VD compreende as seguintes etapas:

• Planejamento;

• Execução;

• Registro de dados;

• Avaliação do processo.


O planejamento da Visita Domiciliar


É recomendado um planejamento da VD para que sua finalidade seja alcançada. O planejamento garante que o profissional atinja o rendimento previsto para a realização dessa atividade e, ainda, que tenha clareza e segurança no que irá fazer durante a visita.




O planejamento inicia-se com a seleção das visitas, segundo os critérios estabelecidos pela equipe de saúde. É importante considerar o itinerário, o tempo a ser gasto em cada casa e o horário disponível do técnico e do usuário. Colocar em primeiro lugar as Visitas Domiciliares em que se gastará menos tempo e deixar por último àquelas que demandam um contato mais prolongado, como é o caso das doenças transmissíveis.


Em seguida, devem-se estabelecer os objetivos da VD, que irão orientar a revisão de conhecimentos necessária para embasar a entrevista com o usuário e a observação no domicílio.


Posteriormente, inicia-se a captação da realidade de vida e saúde do usuário e dos seus familiares por meio da leitura do prontuário e da troca de informações com os profissionais que já tiveram contato com algum membro da família, a fim de selecionar os dados essenciais e pertinentes aos objetivos da visita.


A cada etapa realizada, preencher o impresso utilizado na realização da VD, que deve conter: número de cadastro da família, quem realizou a VD, nome do(s) usuário(s), endereço, objetivos e dados coletados previamente. Se possível, deve-se entrar em contato com o usuário antes da realização da VD para agendar a data e o horário.




A execução da Visita Domiciliar


Durante a visita, alguns cuidados devem ser observados para evitar que a finalidade da atividade não seja alcançada:



• Adaptar o plano da VD, no caso de ocorrerem interferências durante sua realização e que podem impedir o alcance dos objetivos, para que na medida do possível as necessidades da família ali explicitadas possam ser atendidas.

• Na chegada ao domicílio, o profissional deve identificar-se (nome e função) e expressar de maneira informal, mas com clareza, os objetivos da visita.

• Ser cordial no relacionamento, evitando os extremos da formalidade e da intimidade no contato com os usuários.




Após esse contato preliminar, iniciar a entrevista ou executar os procedimentos previstos, segundo os objetivos propostos para a VD. Se esta tiver como objetivo a coleta de dados, deve-se explicar o motivo da anotação das informações e destacar o caráter sigiloso do registro.


Durante a VD, realizar a observação sistematizada da dinâmica da família e ao término, o profissional deve resgatar os seus objetivos e fazer uma síntese do que foi realizado (se houve algum tipo de intervenção: procedimento, orientação ou encaminhamento) para a família.



Relatório da Visita Domiciliar


Ao retornar à Unidade, o profissional deverá elaborar um relatório escrito sobre a VD e anexá-lo ao prontuário do usuário ou utilizar o verso do próprio impresso usado para a realização da VD.



O relatório é essencial para que as informações coletadas por meio da entrevista ou da observação sejam compartilhadas com os membros da equipe e para que não se percam ao longo do tempo, subsidiando a continuidade da assistência à família.


O relatório deve ser claro, objetivo, sintético, ter uma sequência lógica e ser iniciado com as informações colhidas, seguido das observações feitas e, por fim, das intervenções realizadas.



Ainda no relatório, devem-se informar as necessidades da família, que ela própria expressa ou que foram detectadas pelo profissional, e registrar, se houver, aspectos que precisam ser explorados no próximo contato com a família.



O relatório deve ser apresentado à equipe, que tomará as providências necessárias para dar continuidade à assistência à família.


Avaliação do Processo da Visita Domiciliar


A avaliação é necessária para que a equipe estabeleça o “passo seguinte” na assistência à família visitada e também, para que o profissional possa fazer a autoavaliação na realização da VD:


• Os objetivos propostos foram atingidos?

• O preparo para a realização da atividade foi adequado?

• O tempo estimado foi cumprido?

• Os pressupostos da VD foram contemplados?

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