Endocardite infecciosa

Endocardite infecciosa
ODONTOLOGIA
A endocardite infecciosa (EI) é definida como uma doença causada por infecção microbiana das válvulas cardíacas e do endocárdio, em sua maioria, apresentando proximidade com defeitos cardíacos congênitos ou adquiridos. Vírus, fungos ou bactérias podem causar endocardite infecciosa. A infecção causada por bactéria é conhecida como endocardite bacteriana (EB), sendo esta a mais prevalente.

A doença comumente é causada pelo Streptococcus faecalis e Staphylococcus aureus. Também pode ser causada por fungo como Candida e aspergilose, e outros como riquétsia e clamídia.

Os microorganismos normalmente encontrados na boca são responsáveis por uma grande proporção de agentes causais da endocardite infecciosa. Devido à manipulação odontológica frequente, esses organismos podem levar a uma bacteremia transitória e, por conseguinte, a endocardite bacteriana.

O Streptococcus viridans faz parte da flora bacteriana da faringe e do trato respiratório superior, e a infecção pode acompanhar extração dentária ou profilaxia oral. Devido a este motivo os cirurgiões-dentistas devem estar atentos:

- À população de risco do desenvolvimento da doença;
- À patogênese da endocardite infecciosa;
- Às características e investigações clínicas;
- Aos procedimentos envolvidos na terapia antibiótica profilática apropriada;

Fatores de risco


- Lesões cardíacas congênitas e adquiridas;
- Uso de drogas intravenosas;
- Indivíduos portadores de próteses valvulares cardíacas com história prévia de endocardite e com doenças cardíacas congênicas do complexo cianótico;
- Pacientes com ducto arterioso patente não corrigido, com defeito septal ventricular, com defeito septal atrial, com coarctação da aorta e / ou com válvula aórtica bicúspide;
- Indivíduos com doença valvular adquirida devido a doença cardíaca reumática ou com doença vascular do colágeno (por exemplo, Lúpus eritematoso) e / ou cardiopatia hipertrófica;

Fisiopatologia

As lesões iniciais ocorrem nas válvulas cardíacas, na maioria das vezes na válvula mitral. A injúria endotelial resultante do fluxo sangüíneo turbulento leva à deposição de plaquetas e fibrina. Lesões vegetativas ocorrem nas válvulas lesadas e também na área de contato do fluxo em jato causada por certas lesões cardíacas.

Uma massa amorfa de plaquetas fundidas, fibrina e bactérias faz parte dessas vegetações. Essa lesão vegetante evolui para uma endocardite infecciosa bacteriana. Se não existe invasão bacteriana, ocorre uma vegetação estéril.

As lesões vegetantes são friáveis e se desconectam facilmente, alojando-se em pequenos vasos do rim, cérebro, olhos e outros tecidos levando a hemorragias petequiais. A toximia nesses pacientes resulta em falência cardíaca, doença hepática e anemia.

Sinais e sintomas clínicos


- Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como febre, cultura sanguínea positiva para anemia e sopro cardíaco;
- As manifestações podem envolver qualquer sistema orgânico dependendo do local de embolia;
- Podem ocorrer petéquias na pele e nas mucosas;
- Nódulos de Osler (nódulos pequenos, dolorosos, amolecidos, avermelhados ou arroxeados);
- Lesões de Janeway (manchas vermelhas, planas e indolores) em regiões palmares e plantares;
- Esplenomegalia e / ou hepatomegalia;
- União dos dedos das mãos e dos pés;
- Hematúria;

Dados laboratoriais


Os dados laboratoriais indicativos da presença de infecção ativa demonstram:


- leucocitose, com neutrofilia;
- taxa de sedimentação eritrocítica elevada;
- proteína C reativa positiva;
- imunoglobulina sérica aumentada;
- proteinúria;
- hematúria;

Em 50% dos casos de endocardites bacterianas subagudas, o fator reumatóide é positivo. A cultura de sangue positiva ocorre em 85% dos pacientes. As ecocardiografias modo-M, bidimensional e as técnicas de DOPPLER, DOPPLER colorido e a ecocardiografia transesofágica têm papel importante na visualização das vegetações.


Tratamento médico


Os princípios básicos do tratamento consistem em tratar-se as lesões precocemente com antibióticos intravenosos apropriados, com base nos achados da sensibilidade da cultura.

A penicilina G é a droga de escolha para a maioria dos casos de endocardite causada por Streptococcus viridans. As doenças causadas por infecções estafilocócicas recebem naficilina. A gentamicina é administrada junto com antibióticos nos casos de infecções disseminadas. Os pacientes alérgicos à penicilina devem receber cefazolina ou vancomicina. O tratamento geralmente dura 4 semanas ou até a cultura se apresentar negativa para os microorganismos envolvidos.

São realizadas correções cirúrgicas quando ocorre falência cardíaca intratável e embolia sistêmica.

Tratamento odontológico


O uso de antibióticos profiláticos antes do tratamento dentário é amplamente aceito. A profilaxia antibiótica é utilizada para reduzir a bacteremia pós-operatória, inibir o crescimento microbiano e permitir a defesa do hospedeiro na eliminação dos microorganismos.

A bacteremia resulta dos procedimentos que causam sangramento dos tecidos moles e duros, incluindo cirurgias, raspagens, extrações, instalação de implantes, raspagens, reimplante de dentes avulsionados, colocação de bandas ortodônticas e anestesia intraligamentar.

Recomendações no atendimento aos pacientes suscetíveis ao desenvolvimento de endocardite bacteriana:


- Antibióticos administrados 2 horas antes do procedimento com possibilidade de sangramento;
- É aconselhável um intervalo de 9 a 14 dias entre as consultas para reduzir o aparecimento de microorganismos resistentes e permitir a repopulação da boca pela flora suscetível ao antibiótico;
- Se o paciente está fazendo uso de antibióticos, é recomendável que se selecione uma classe diferente, em vez de aumentar a dose do antibiótico utilizado pelo paciente no momento, prevenindo o desenvolvimento de classes microbianas resistentes.
- Enxágües bucais com clorexidine 0,12% ou 0,2% por 1 minuto antes do procedimento odontológico reduz a incidência e a magnitude da bacteremia.

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