Síndrome do intestino curto

Síndrome do intestino curto
NUTRICAO
As causas mais comuns que levam á ressecção intestinal são: isquemia intestinal aguda, doenças intestinais inflamatórias, tumores e traumas abdominais, enterocolite necrotizante e malformações congênitas.

A extensão do segmento retirado está diretamente relacionado ao prognóstico e ressecções maiores que 70-80% promovem alterações metabólicas importantes, dependendo da extensão e segmento remanescente. As ressecções jejunais são mais bem toleradas que as ileais, pois estas resultam na perda de sais biliares, afetando a absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis, irritação da mucosa colônica por ação dos sais biliares e ácidos graxos não absorvidos, enquanto que aquelas determinam hipersecreção gástrica, diarreia osmótica e este atorreia. Os pacientes deverão receber suplementação medicamentosa, injetável, de vitamina B12 uma vez por mês, e de vitaminas lipossolúveis, e a dieta deverá ser pobre em oxalato, pois estes pacientes apresentam um risco aumentado de desenvolver cálculos renais de oxalato de cálcio.

Os pacientes apresentam diarreia secretória, devido à desconjugação bacteriana dos sais biliares não absorvidos, e é mais frequente nas ressecções ileais.

O cólon, tendo uma importante função na absorção de água e ácidos graxos de cadeia curta (produzidos pelas bactérias colônicas, a partir da fermentação das fibras da dieta), quando ressecado cirurgicamente, ocasiona aumento das perdas hidreletrolíticas. A ressecção da válvula íleo-cecal, está associada ao pior prognóstico, pois a mesma contribui para aumentar o tempo de trânsito intestinal e aumentar o tempo de contato dos nutrientes com a mucosa, além de prevenir o refluxo cólon-ileal de bactérias, o que poderia agravar a diarreia.

O intestino remanescente, após a ressecção, responde por um determinado grau de absorção, suficiente ou não para a manutenção de níveis nutricionais normais, dependendo da extensão, localização e qualidade do intestino remanescente. Entretanto, este quadro disabsortivo não permanece constante, pois o intestino remanescente se adapta às necessidades do organismo, pelo aumento da absorção de nutrientes e pelo retardo no tempo de trânsito intestinal.

As principais adaptações pós-enterectomia incluem o aumento do diâmetro e peso da mucosa intestinal, da altura das vilosidades, do número de células por vilosidades, da zona proliferativa da cripta e da taxa de migração, da taxa de renovação das células epiteliais, da taxa de absorção por unidade de superfície. Pelo retardo no esvaziamento gástrico, diminuição do tempo de trânsito intestinal por unidade de comprimento do intestino remanescente.

O tratamento da síndrome do intestino curto, após a enterectomia, pode ser dividido em três fases, como se segue:
Duração Características Conduta
7 – 10 dias Diarreia intensa e distúrbios hidreletrolíticos Acesso venoso central;
Repleção hidreletrolítica;

Tratamento cirúrgico de focos sépticos
1 – 3 meses Estabilização da diarreia NPT;
Tratamento farmacológico da diarreia;
Estimulação gastrointestinal com dieta oral ou enteral.

3 – 12 meses Diarreia controlada e melhor tolerância oral Aumento gradativo da dieta (oral ou enteral);
Diminuição ou suspensão da NPT
Adaptado de Campos (2001).

A avaliação do estado nutricional pode ser realizada pela ANSG e por parâmetros clínicos, antropométricos e laboratoriais.

A terapia nutricional deve levar em consideração a absorção comprometida e a adaptação intestinal, devendo, portanto, receber análise individualizada, para estabelecimento do plano terapêutico.

A terapia nutricional deve buscar corrigir os déficits nutricionais, decorrentes da insuficiência intestinal, suprir as necessidades nutricionais diárias e estimular mecanismos de adaptação intestinal.

A estimativa das necessidades nutricionais deve basear-se em 30 a 35 Kcal/Kg peso/dia, 1,5 a 2,0g Ptn/Kg/dia, 35ml água/Kg peso/dia e suplementação de vitaminas, eletrólitos e minerais, de acordo com o grau de deficiência, de acordo com o esquema abaixo:

Suplementação de vitaminas hidrossolúveis
Vitamina Suplemento Dose diária Via de administração
Folato Ácido fólico Inicial: 5mg/dia por um mês
Manutenção: 1mg Oral;

Oral
B12 Cianocobalamina Inicial: uma dose de 1000cgm
Manutenção: 100 –300mcg Intramuscular;
Intramuscular
Suplementação de vitaminas lipossolúveis
Vitamina Suplemento Dose diária Via de administração
A Retinol Inicial: 100.000-200.000 UI
Manutenção: 25.000-50.000 UI Oral;

Oral
D Vitamina D3
Colecalciferóis 50-100 mcg
50.000UI Oral;
Oral
K Menadiona
Mefitona 4-12 mg
5-10mg
50mg Oral;
Oral;
Endovenosa.

Suplementação de minerais
Mineral Suplemento Dose diária Via de administração
Cálcio Carbonato de cálcio
Gluconato de cálcio 500mg, 3-4x/dia
5-10mg, 3x dia Oral;
Magnésio Gluconato de magnésio
Sulfato de magnésio 1-4g até 1,0 mEq/min Oral;
Endovenosa.
Suplementação de oligoelementos
Nutriente Suplemento Dose diária Via de administração
Ferro Sulfato ferroso
Ferro-dextran 325mg Oral;
Endovenosa.
Zinco Sulfato de zinco 220mg Oral.
Cobre Sulfato de cobre 7,5mg Oral.
Adaptado de Campos (2001).
A adição de fibras à dieta, principalmente de fibras solúveis, também apresenta efeitos positivos na adaptação intestinal.

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