Síndrome da apneia obstrutiva do sono

Síndrome da apneia obstrutiva do sono
NUTRICAO
A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) acomete de 0,7 a 3,0% das crianças e adolescentes com excesso de peso e é caracterizada por episódios repetidos de pausas respiratórias devido à obstrução das vias aéreas superiores durante o sono. A apneia do sono associa-se à interrupção do sono e queda na saturação da oxiemoglobina.

O diagnóstico da SAOS requer atenção, em virtude de seu impacto em distúrbios neurocognitivos, além de alterações que aumentam o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares futuras.

A pausa respiratória durante o sono é definida como parada (apneia) ou redução (hipopnéia) da passagem de ar pelas vias aéreas superiores com duração mínima de 10 segundos.

Deve-se ficar atento para a possível presença de SAOS quando a criança apresentar os seguintes sintomas:

- Sintomas noturnos: roncos (presentes em 90-95% dos casos), pausas respiratórias, sono agitado e com múltiplos despertares, hábito de dormir em posição de hiperextensão cervical, noctúria e sudorese;

- Sintomas diurnos: respiração oral, sonolência excessiva, cefaleia matinal, déficits neurocognitivos, alterações de comportamento, sintomas depressivos e ansiedade.

Os mecanismos que explicam a associação entre obesidade e SAOS ainda não foram completamente estabelecidos. Uma das hipóteses é que o excesso de peso causa estreitamento da faringe, por deposição de gordura na sua parede ou nas estruturas adjacentes, como língua, palato mole e úlvula.

Essa deposição de gordura reduz a complacência da faringe, favorecendo o seu colapso durante o sono.
Outras hipóteses seriam a alteração da forma da faringe em obesos e a restrição da caixa torácica, com redução do volume pulmonar e, em consequência, do diâmetro da faringe, a qual teria sua resistência e sua colapsabilidade diminuídas. A confirmação diagnóstica da SAOS é feita por um exame chamado polissonografia.

Durante o exame, o paciente é monitorizado com registro do eletroencefalograma, eletromiograma do queixo e das pernas, eletro-oculograma, eletrocardiograma, fluxo de ar nasal e bucal, esforço respiratório e saturação de oxigênio.

O exame é realizado durante uma noite inteira, durando de 6 a 8 horas seguidas e todas as variáveis descritas são monitorizadas simultânea e continuamente.

O exame permite a classificação das pausas respiratórias em quatro tipos:

- Apneia central, com ausência de esforço respiratório e de fluxo de ar;

- Apneia obstrutiva, com esforço respiratório na ausência de passagem de ar pelas vias aéreas superiores;

- Apneia mista, na qual a pausa inicia como central e evolui para obstrutiva;

- Hipopneia, com redução de pelo menos 50% na amplitude do fluxo aéreo com dessaturação de oxigênio de no mínimo 4%.

O manejo da doença está centrado em quatro pontos principais: tratamento da obesidade, tratamento comportamental, tratamento físico e procedimento cirúrgico.
 
As sequelas da respiração bucal crônica necessitam ser corrigidas com a atuação de equipe multiprofissional, utilizando-se terapia fonoaudiológica ou ortodôntica para restabelecer os padrões normais de respiração e de crescimento craniofacial.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER