Interpretação de Exames

Interpretação de Exames
NUTRICAO

-Avaliação da Tireoide (hipotireoidismo e hipertireoidismo)

- Tiroxina (T4 total e livre) e triiodotironina:
A tiroxina (T4) é um hormônio secretado pela glândula tireoide que sofre conversão a triiodotironina (T3). Embora T4 seja secretada em quantidade 20 vezes maior que T3, esta última é a responsável pela maioria das funções tireoidianas no organismo, visto que é de 3 a 4 vezes mais potente que T4. Valor de referência para T4 total em adultos: de 4,5 a 12 µg/dL. Valor de referência para T3 em adultos: de 1,13 a 3,14 mmol/L.

- Hormônio tireoestimulante (TSH): É produzido pela hipófise anterior e responsável direto pela estimulação da glândula tireoide, aumentando assim a secreção de hormônios T3 e T4. Os valores de referência são expressos em termos de inibição da ligação do TSH: positivo – a partir de 1,5U/L; normal - < 1U/L; indeterminado – entre 1 e 1,5U/L.


-Exames utilizados para acompanhamento de doenças renais

- Ureia: A ureia pertence ao grupo dos compostos nitrogenados não-proteicos. É uma molécula pequena que se difunde livremente entre os espaços extra e intracelular e, posteriormente, se concentra na urina para excreção. Níveis elevados de ureia na urina sugerem insuficiência renal. Níveis baixos podem estar associados com dietas pobres em proteínas, com a expansão do volume plasmático ou com hepatopatias graves. Valor de referência no soro ou na urina: de 10 a 45 mg/dL.

- Creatinina: A creatinina é o produto final do metabolismo da creatina. Sua quantidade é proporcional à massa muscular esquelética do indivíduo. A creatinina é excretada de forma muito eficiente pelos rins, e sua concentração plasmática torna-se elevada quando há insuficiência renal. Valores de referência no plasma: homens – de 0,8 a 1,2 mg/dL; mulheres – de 0,6 a 1,0 mg/dL.

- Clearance de creatinina: A depuração, ou clearance de creatinina, ou ainda, a taxa de filtração glomerular (TFG) é um indicador da função renal, principalmente nos casos mais avançados, em que os níveis encontram-se bem abaixo do valor mínimo de referência (80 a 120 mL/min/1,73m2).

Quando os valores estão ≤ 60 mL/min, indica-se um tratamento chamado conservador ou não dialítico, em que a oferta de proteína é controlada com o objetivo de retardar a progressão da insuficiência renal. O tratamento dialítico é indicado quando a TFG é inferior a 15 mL/min.

- Sódio: O sódio avalia os equilíbrios fluido-eletrólito e ácido-básico, bem como as funções nuromuscular, renal e adrenal relacionadas. Níveis séricos de sódio elevados (hipernatremia) podem resultar de ingestão inadequada de água, perda de água com excesso de sódio (diabetes insipidus, função renal prejudicada, vômito ou diarréia graves) e retenção de sódio (aldosteronismo). Níveis séricos anormalmente baixos de sódio (hiponatremia) podem resultar de ingestão inadequada, perda excessiva de sódio devido à transpiração profusa, terapia diurética, vômitos, queimaduras, síndrome nefrótica, insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência renal crônica com acidose. Valor de referência: de 135 a 145 mEq/L.

- Potássio: A deficiência de potássio (hipocalemia) prejudica a função neuromuscular, tendo como sinais clínicos fadiga, mialgia e fraqueza muscular, paralisia, alterações no eletrocardiograna, taquicardia com alterações na onda T (achatamento ou inversão), depressão do segmento ST, e nos casos mais graves, prolongamento do intervalo PR, arritmias ventriculares e parada cardíaca.

As causas de hipocalemias podem ser: acidose tubular renal, o uso de mineralocorticoides, aldosteronismo, uso de diuréticos e outras drogas, além de ingestão inadequada, má-absorção, perdas gastrointestinais por vômitos, diarréia, uso de laxativos, fístulas queimaduras e sudorese excessiva.
O excesso de potássio (hipercalemia) causa sinais clínicos como confusão mental, fraqueza, hipoventilação e bradicardia. Essa condição reflete excreção renal inadequada, mobilização do potássio dos tecidos, excesso do consumo oral ou de administração parenteral, uso de diuréticos poupadores de potássio e constipação intestinal. Valor de referência: de 3,6 a 5,o mEq/L.

- Fósforo: O aumento de fósforo sérico ocorre por diminuição da filtração glomerular, aumento da reabsorção tubular renal e aporte endógeno ou exógeno. Valores séricos diminuídos são encontrados com uso de diuréticos, antiácidos, hiperparatireoidismo primário, septicemia, deficiência de vitamina D, hemodialisados crônicos, presença de vômitos, e na Síndrome de Realimentação. Valores de referência no soro em adultos: de 2,4 a 4,6 mg/dL em homens e de 2,3 a 4,3 mg/dL em mulheres.

- Cálcio total: Os quadros de hipocalcemia podem ser observados nos pacientes com doença renal crônica, muitas vezes associados à deficiência de vitamina D. Por outro lado, a hipercalcemia é uma condição que está presente em administração crônica de diuréticos, uso da vitamina D e antiácidos. Valor de referência em adultos: de 8,4 a 10,2 mg/dL. - Magnésio: Os sinais clínicos da depleção de magnésio só se manifestam quando os níveis séricos se encontram muito comprometidos, ou seja, em valores abaixo de 1 mEq/L. As causas da depleção podem ser má-absorção, desnutrição, diarréia intensa, alcoolismo, pancreatite aguda, hiperalimentação parenteral prolongada, diálise crônica e hiperaldosteronismo. Os sinais clínicos de hipomagnesemia são: fraqueza, tremores, irritabilidade, delírio, convulsões, tetania e alterações no eletrocardiograma. O aumento dos níveis séricos de magnésio pode ocorrer nas desidratações intensas, na insuficiência renal, na insuficiência adrenocortical, em grandes traumas teciduais, no lúpus eritematoso sistêmico, no mieloma múltiplo, assim como pelo uso excessivo de antiácidos e de enemas ricos em magnésio. Os sinais clínicos da hipermagnesemia são: diminuição de reflexos, sonolência, arritmias e parada cardíaca. Valor de referência no soro: de 1,9 a 2,5 mg/dL.

- Ácido úrico: No ser humano, o catabolismo das purinas (adenina e guanina) gera como produto nitrogenado o ácido úrico. O aumento da concentração de ácido úrico no sangue (hiperuricemia) está relacionado com o diagnóstico de gota, cálculo renal, insuficiência renal, neoplasias, leucemia e linfomas.
Ainda, muitos estudos têm associado o aumento do nível de ácido úrico com hiperlipidemia, obesidade e diabetes tipo 2. Como estes são fatores de risco para aterosclerose, torna-se importante a avaliação desse parâmetro.
O nível de ácido úrico encontra-se diminuído em situações como Síndrome de Fanconi, doença de Wilson e secreção inapropriada de hormônio antidiurético; também diminui sob efeito de drogas como alopurinol, aspirina em altas doses, contrastes rediológicos e altas doses de vitamina C. Valores de referência no soro: de 2,4 a 6,0 mg/dL em mulheres e de 3,4 a 7,0 mg/dL em homens.


- Avaliação do oxalato na urina de 24 horas.

A necessidade de dosagem de oxalato em pacientes com nefrolitíase é imperiosa, em razão de 90% dos cálculos renais formados serem de oxalato de cálcio. A maior fração do oxalato urinário é endógena e do metabolismo do ácido ascórbico (vitamina C), com fração de apenas 10 a 15% do seu total excretado proveniente da alimentação. Valores de referência: de 17 a 43 mg/24h em homens e de 24 a 47 mg/24h em mulheres.

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