Imunonutrição - resultados clínicos

Imunonutrição - resultados clínicos
NUTRICAO

Apesar dos avanços terapêuticos para tratamento do paciente crítico, a infecção, sepse e falência de múltiplos órgãos ainda representam a maior causa de mortalidade, eventualmente associada à imunossupressão. Pela forte relação entre nutrição e imunidade, já comprovada na literatura clínica, o uso de nutrientes específicos visando à restauração e manutenção da resposta imune é cada vez mais freqüente, tanto com nutrientes isolados quanto em formulações (FERREIRA, 2007). Neste tópico, serão apresentados os resultados dos principais estudos que avaliaram a eficácia das dietas imunomoduladoras em diversas situações clínicas.



Os pacientes submetidos a cirurgias estão sujeitos a complicações pós-cirúrgicas incluindo: infecções, recuperação lenta, extensa permanência em leito e consequente aumento das despesas hospitalares. O controle pró-ativo da infecção é um foco recente na prática médica. O método envolve o tratamento pré e pós-operatório, e tem mostrado redução efetiva das complicações e diminuição dos custos do tratamento como um todo (BAXTER, 2007).



DALY et al. em 1992, estudaram um total de 85 pacientes no pós-operatório de câncer do aparelho digestivo. Esses pacientes foram divididos em 2 grupos, que receberam dieta suplementada com imunonutrientes ou dieta padrão após a cirurgia. O grupo observou melhora no balanço nitrogenado, na cicatrização e redução na quantidade de complicações infecciosas e tempo de internação no grupo suplementado.



BRAGA e sua equipe (2002) estudaram os efeitos da nutrição enteral em pacientes com câncer do trato gastrointestinal, submetidos à cirurgia gastrointestinal de grande porte. Os pacientes foram divididos em três grupos. O primeiro grupo recebeu por 5 dias anteriores à cirurgia, dieta imunomoduladora e no pós operatório, solução de glicose e eletrólitos; segundo grupo recebeu dieta imunomoduladora antes e depois da cirurgia e o terceiro grupo não recebeu nenhuma suplementação antes da cirurgia e após a cirurgia, solução de glicose e eletrólitos. Os autores verificaram que a suplementação pré-operatória é tão eficaz quanto a perioperatória (que abrange os períodos pré e pós-operatório) nas melhorias de parâmetros clínicos e que a suplementação traz resultados melhores do que as fórmulas padrão.



A lesão e/ou ferimento causado por um trauma, é a principal causa de morte em pessoas acima de 44 anos, com maior prevalência nos homens. As pneumonias, infecções abdominais e no ferimento, são os tipos mais comuns de infecções no paciente com trauma.

Para melhor ilustrar o uso de imunonutrição em pacientes com trauma, Beale e col avaliaram em uma meta análise, 12 estudos randomizados comparando uma dieta hiperprotéica com dieta enriquecida com nutrientes imunomoduladores. Aproximadamente 1500 pacientes foram analisados (dieta controle = 732 e dieta estudo = 750).



Os pacientes cirúrgicos, politraumatizados ou gravemente enfermos, que receberam imunonutrição tiveram redução de 30% nas taxas de complicações infecciosas; 2,6 dias a menos com ventilação mecânica e 3 dias a menos no tempo de internação versus o grupo controle (BAXTER, 2007).


Estudos com crianças em estado crítico demonstram a existência de benefícios a partir da instituição de nutrição enteral precoce com fórmulas hipercalóricas e hiperprotéicas.



BRIASSOULIS et al (2003), avaliaram o efeito da imunonutrição em 50 pacientes com idade média de 103 meses, admitidos em UTI infantil, apresentando sepse, falência respiratória e injúria cefálica severa. Esses pacientes foram divididos randomicamente em 2 grupos, um recebendo fórmula imunomoduladora e o outro fórmula convencional. A equipe verificou que 64% dos pacientes que receberam dieta imunomoduladora tiveram balanço nitrogenado positivo versus 40% do grupo que recebeu a fórmula convencional, no 5º dia de tratamento.

 

As complicações mais frequentemente observadas foram diarréia no grupo que recebeu a fórmula com imunonutrientes e distensão gástrica no grupo tratado com fórmula convencional. A mortalidade e tempo de internação hospitalar não diferiram entre os grupos avaliados, mas houve uma menor tendência a infecções nosocomiais no grupo que recebeu os imunonutrientes, levando a conclusão de que a dieta imunomoduladora é benéfica a populações infantis, embora seja necessária a disponibilidade no mercado, de dietas modificadas especificamente para este público, visando a maior tolerância gastrointestinal.


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