Fitoterapia para nutricionistas

NUTRICAO

 INTRODUÇÃO

A palavra Fitoterapia deriva do termo “phyton” que significa vegetal e “therapeia” que significa terapia. Desta maneira se caracteriza pela terapêutica que usa as plantas medicinais nas diferentes formas farmacêuticas. Segundo a resolução, o fitoterápico é o produto obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais, que tenham conhecimento da eficácia e riscos do seu uso.1

 


Sendo assim, a fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas. As matérias-primas dos fitoterápicos são plantas (folhas, caule, flores, raízes ou frutos) com efeitos farmacológicos medicinais, alimentícios, coadjuvantes técnicos ou cosméticos.2

 


Hoje, a fitoterapia é uma ciência respeitada já que são necessários conhecimentos em fisiologia, fisiopatologia e outras áreas da saúde, para lidar tanto com a possibilidade de cura e prevenção oferecida pelas plantas medicinais, como para lidar com os efeitos colaterais que as mesmas podem oferecer se utilizadas de forma inadequada. E hoje, o Nutricionista tem a permissão legal para prescrevê-los. 2

 

O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) torna pública a abertura de Consulta Pública a fim de colher contribuições para a revisão da Resolução CFN nº 402/2007, que regulamenta a prescrição fitoterápica de plantas in natura frescas, ou como droga vegetal nas suas diferentes formas farmacêuticas, pelo nutricionista. 3

 



REFERENCIAL TEÓRICO

Regulamentação

A Resolução CFN nº 402 regulamenta a prescrição fitoterápica pelo profissional nutricionista, já que esta é parte do procedimento realizado pelo Nutricionista na prescrição dietética. A prescrição deverá conter, obrigatoriamente: 6


- Nomenclatura botânica, sendo opcional o nome popular
- Parte usada
- Forma farmacêutica/modo de preparo
- Tempo de utilização
- Dosagem
- Frequência de uso
- Horários



A Lei Federal n° 8.234/91 elenca as atividades do Nutricionista, entre as quais estão: 6
Art 3º. Inciso VIII – assistência dietoterápica hospitalar, ambulatorial e em nível de consultórios de nutrição e dietética, prescrevendo, planejando, analisando, supervisionando e avaliando dietas para enfermos;
Artº 4º. Inciso VII prevê “prescrição de suplementos nutricionais, necessários à complementação da dieta”;
O Profissional possui ainda inteira liberdade constitucional para o exercício das suas atividades profissionais legalmente fixadas em Lei.

 


A Resolução CFN Nº. 334/2004 que dispõe sobre o Código de Ética do Nutricionista estabelece:
Art.2°. Ao Nutricionista cabe a produção do conhecimento sobre a Alimentação e a Nutrição nas diversas áreas de atuação profissional, buscando continuamente o aperfeiçoamento técnico-científico, pautando-se nos princípios éticos que regem a prática científica e a profissão.

Art.6°. No contexto das responsabilidades profissionais do Nutricionista constituem seus deveres:
VI - analisar, com rigor técnico e científico, qualquer tipo de prática ou pesquisa, abstendo-se de adotá-la se não estiver convencido de sua correção e eficácia.

 


Art.7°. No contexto das responsabilidades profissionais do nutricionista são lhe vedadas às seguinte condutas:
IV - praticar atos danosos aos indivíduos e à coletividade sob sua responsabilidade profissional, que possam ser caracterizados como imperícia, imprudência ou negligência;
X - divulgar, fornecer, anunciar ou indicar produtos, marcas de produtos e/ou subprodutos, alimentares ou não, de empresas ou instituições, atribuindo aos mesmos benefícios para a saúde, sem os devidos fundamentos científicos e de eficácia não comprovada, ainda que atendam à legislação de alimentos e sanitária vigentes.

 


Informamos aos profissionais, que a ANVISA editou a Instrução Normativa Nº. 5, de 11/12/2008, que determina: - publicação da "Lista de Medicamentos Fitoterápicos de Registro Simplificado" com 36 medicamentos, estabelecendo os de venda sob prescrição médica e sem prescrição médica. Esta IN revogou o disposto na Resolução ANVISA RE Nº. 89, de 16/03/2004, que tratava da "Lista de Registro Simplificado de Fitoterápicos.” Quanto às substâncias encapsuladas, estas não são sinônimas de medicamentos, pois para isto deve-se observar a matéria-prima de fabricação do conteúdo, bem como sua concentração e o conteúdo ativo.3

 


Por tratar-se de uma prática diversa à formação do Nutricionista faz-se necessário a capacitação complementar específica para adoção da fitoterapia, assim como sua interação fármaco e nutrientes, e atualização constante quanto a Legislações do CFN e as publicações da ANVISA que versam sobre drogas vegetais e medicamentos fitoterápicos de registro simplificado.3

 


Ao adotar a estratégia de complementação dietética com fitoterápicos, o Nutricionista deve observar as indicações e ações terapêuticas do medicamento para que estejam em consonância com a área de competência profissional estabelecida na Lei Federal n° 8.234/1991 e a Resolução CNE/CES Nº 5/2001. 4



Alguns principais fitoterápicos e suas indicações. 1

Alho: utiliza-se o bulbo, sua indicação é no tratamento de hipercolesterolemia e expectorante;


Picão: muito utilizado pelas nossas avós no tratamento da icterícia. Realmente possui essa propriedade, utilizando-se as folhas na forma de chá. Não consumir na gravidez;


Capim santo: utiliza-se em quadros leves de insônia e calmante suave;


Anis estrelado: seu fruto é utilizado como expectorante na forma de chá, porém não deve ser consumido por gestantes;

Camomila: suas flores são indicadas para o tratamento de quadros leves de ansiedade e calmante suave, além de atuar nas cólicas intestinais;


Espinheira santa: utiliza-se como infusão as suas folhas nos distúrbios da digestão como azia e gastrite, entretanto não deve ser consumido por gestante;

Melissa ou erva cidreira e maracujá: reconhecidos por sua propriedade calmante, entretanto não é indicado para pessoas com hipotiroidismo;


Guaraná: muito utilizado pela sua propriedade estimulante, sua semente quando triturada torna-se pó, porém não deve ser indicado para pessoas com ansiedade, hipertensão e problemas cardíacos;


Erva doce: seus frutos são indicados para distúrbios gastrointestinais, cólicas e como expectorante;


Romã: na casca é que contém a substância com propriedades de combater inflamações e infecções da mucosa da boca e faringe;


Esses fitoterápicos são utilizados com muita frequência na medicina popular, nossas avós, mães e tias com seus conhecimentos e experiência de vida fazem o uso de tais plantas. Entretanto, para fazer o tratamento com fitoterápicos é importante que tenha o acompanhamento de um profissional de saúde uma vez que possuem propriedades farmacológicas e em alguns casos efeitos adversos à saúde. Portanto não deixe de consultar seu nutricionista e tire suas dúvidas a respeito dos fitoterápicos. 1

Mais alguns fitoterápicos, suas indicações e precauções na utilização: 5

Alcachofra.
Indicações: Má digestão. Advertências: Não deve ser utilizado por pessoas com doenças da vesícula biliar. Usar cuidadosamente em pessoas com hepatite grave, falência hepática e câncer hepático.


Camomila.
Indicações: Cólicas intestinais. Quadro leve de ansiedade. Advertências: Raramente podem ocorrer reações alérgicas.

Capim-santo, Capim-limão, Capim-cidreira.
Indicações: Cólicas intestinais e uterinas. Quadro leve de ansiedade e insônia. Advertências: Pode aumentar o efeito de medicamentos sedativos.


Carqueja.
Indicações: Má digestão. Advertências: Evitar o uso com medicamentos para hipertensão e diabetes. O uso pode causar queda de pressão.


Cavalinha.
Indicações: Edemas por retenção de líquidos. Advertências: Não deve ser utilizado por pessoas com insuficiência renal e cardíaca.

Eucalipto.
Indicações: Gripes e resfriados para desobstrução das vias respiratórias, como auxiliador no tratamento da bronquite e asma. Advertências: Não deve ser utilizada por pessoas com inflamação gastrointestinal e biliar, doença hepática grave e em menores de 12 anos. Evitar o uso junto com sedativos, anestésicos e analgésicos, pois pode potencializar suas ações. Pode interferir em hipoglicemiantes.

Espinheira-santa.
Indicações: Má digestão, pirose e gastrite, prevenção de úlcera por uso de anti-inflamatório não esteroidais. Advertências: pode provocar secura, gosto estranho na boca e náuseas.


Guaraná.
Indicações: Fadiga, como estimulante. Advertências: Não deve ser utilizado por pessoas com ansiedade, hipertireoidismo, hipertensão, arritmias, distúrbios cardíacos, estomacais e intestinais, gastrite e cólon irritável. Em altas doses pode causar insônia, nervosismo e ansiedade. Não associar com outras drogas que contenham bases xantínicas (café, noz-de-cola,mate) e anti-hipertensivos.


Guaco.
Indicações: Gripes e resfriados, bronquites alérgica e infecciosa, como expectorante. Advertências: A utilização pode interferir na coagulação sanguínea. Pode interagir com anti-inflamatórios não-esteroidais.


Hortelã-pimenta.
Indicações: Cólicas, flatulência e distúrbios hepáticos. Advertências: Não deve ser utilizado em casos de obstruções biliares, danos hepáticos severos. Na presença de cálculos biliares, consultar profissional de saúde antes de usar.


Maracujá.
Indicações: Quadro leve de ansiedade e de insônia. Advertências: Seu uso pode causar sonolência. Não deve ser usado junto com medicamentos sedativos e depressores do sistema nervoso. Não utilizar cronicamente.


Melissa, Erva-cidreira.
Indicações: Cólicas abdominais. Quadro leve de ansiedade e insônia. Advertências: Não deve ser utilizado por pessoas com hipotireoidismo. Utilizar cuidadosamente em pessoas com pressão baixa.


Unha-de-gato.
Indicações: Dores articulares e musculares agudas, como anti-inflamatório. Advertências: Não é recomendado o uso antes e depois de quimioterapia, nem em pacientes hemofílicos. Evitar o uso com imunossupressores e em pacientes transplantados ou esperando transplantes.

Como preparar os chás

A forma de preparo do chá irá depender da parte da planta utilizada:
Infusão: modo tradicional de preparar o chá. Utilizada para folhas e flores. Colocar a planta em um recipiente e jogar água fervente. Deixar em recipiente tampado por cerca de 10 minutos. Coar e beber em seguida.
Decocção: utilizar raízes, rizomas, caules, sementes ou cascas da planta. Colocar a planta em água fria. Deixar ferver por alguns minutos. Coar e servir.
A proporção utilizada para o preparo dos chás é de 1 a 2 colheres de chá para cada xícara de água. 5


Conheça os principais fitoterápicos e suas propriedades 6

Fitoterápicos, indicações e advertências.


Camomila (Matricaria recutita L.). Indicações: Cólicas intestinais. Quadro leve de ansiedade. Advertências: Raramente podem ocorrer reações alérgicas.


Capim-santo, Capim-limão, Capim cidreira (Cymbopogon citratus). Indicações: Cólicas intestinais e uterinas. Quadro leve de ansiedade e insônia. Advertências: Pode aumentar o efeito de medicamentos sedativos.


Carqueja (Baccharis trimera). Indicações: Má digestão. Evitar o uso com medicamentos para hipertensão e diabetes. Advertências: O uso pode causar queda de pressão.


Cavalinha (Equisetum arvense L.). Indicações: Edemas por retenção de líquidos. Advertências: Não deve ser utilizado por pessoas com insuficiência renal e cardíaca.


Eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.). Indicações: Gripes e resfriados para desobstrução das vias respiratórias, como adjuvante no tratamento da bronquite e asma. Advertências: Não deve ser utilizado por pessoas com inflamação gastrointestinal e biliar, doença hepática grave e em menores de 12 anos. Evitar o uso associado com sedativos, anestésicos e analgésicos, pois pode potencializar suas ações. Pode interferir em tratamentos com hipoglicemiantes.


Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia). Indicações: Má digestão, pirose e gastrite, prevenção de úlcera por uso de anti-inflamatórios não esteroidais. Advertências: O uso pode provocar secura, gosto estranho na boca e náuseas.

Guaraná (Paullinia cupana). Indicações: Fadiga, como estimulante. Não deve ser utilizado por pessoas com ansiedade, hipertireoidismo, hipertensão, arritmias, distúrbios cardíacos, estomacais e intestinais, gastrite e cólon irritável. Advertências: Em altas doses pode causar insônia, nervosismo e ansiedade. Não associar com outras drogas que contenham bases xantínicas (café, noz-de-cola,mate) e anti-hipertensivos.


Guaco (Mikania glomerata). Indicações: Gripes e resfriados, bronquites alérgica e infecciosa, como expectorante. Advertências: A utilização pode interferir na coagulação sanguínea. Pode interagir com antiinflamatórios não-esteroidais.

Hortelã-pimenta (Mentha piperita). Indicações: Cólicas, flatulência e distúrbios hepáticos. Não deve ser utilizado em casos de obstruções biliares, danos hepáticos severos. Advertências: Na presença de cálculos biliares, consultar profissional de saúde antes de usar.


Maracujá (Passiflora incarnata). Indicações: Quadro leve de ansiedade e de insônia. Seu uso pode causar sonolência. Não deve ser usado junto com medicamentos sedativos e depressores do sistema nervoso. Advertências: Não utilizar cronicamente.


Melissa, Erva-cidreira (Melissa officinalis L.). Indicações: Cólicas abdominais. Quadro leve de ansiedade e insônia. Não deve ser utilizado por pessoas com hipotireoidismo. Advertências: Utilizar cuidadosamente em pessoas com pressão baixa.


Unha-de-gato (Uncaria tomentosa). Indicações: Dores articulares e musculares agudas, como anti-inflamatório. Advertências: Não é recomendado o uso antes e depois de quimioterapia, nem em pacientes hemofílicos. Evitar o uso com imunossupressores e em pacientes transplantados ou esperando transplantes.



ATENÇÃO: as ervas medicinais devem ser utilizadas com orientação de um profissional. São contraindicados para gestantes, lactantes e crianças.



Fonte: VALÉRIA PASCHO, A. L., 2008.

Fitoterápicos sob Prescrição Médica ou não. 7

Disponível em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/IN_N_5_2008_anvisa.pdf

Alcachofra (Cynara cardunculus L.). Indicações: Má digestão. Não deve ser utilizado por pessoas com doenças da vesícula biliar. Advertências: Usar cuidadosamente em pessoas com hepatite grave, falência hepática e câncer hepático.

CONCLUSÃO

A Fitoterapia possui uma grande interface com a Nutrição, uma vez que as plantas são comumente ingeridas nas mais diversas formas e apresentam finalidades terapêuticas e bioativas. Na prática clínica da nutrição, os fitoterápicos têm colaborado para melhora de quadros clínicos diversos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. FITOTERAPIA. Disponível em: <http://www.anutricionista.com/fitoterapicos.html>. Acesso em: 30 ago. 2012.
2. FITOTERAPIA PARA NUTRICIONISTAS. Disponível em: < http://www.nutricaoespecializada.com.br/CursosDet.aspx?IdCurso=24>. Acesso em: 01 set. 2012.
3. CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Resolução CFN nº 402/2007. Disponível em: < http://www.cfn.org.br/novosite/conteudo.aspx?IdMenu=220&idconteudo=616>. Acesso em: 01 set. 2012.
4. FITOTERAPIA. Disponível em: < http://www.asbran.org.br/sitenovo/noticias.php?dsid=623>. Acesso em: 30 ago. 2012.
5. FITOTERAPIA E SEUS BENEFÍCIOS. Disponível em: <http://mundoverde.com.br/blog/2010/08/09/conheca-a-fitoterapia-e-seus-beneficios/>. Acesso em: 01 set. 2012.
6. VALÉRIA PASCHO, A. L. Fitoterapia Funcional: dos Princípios à Prescrição Fitoterápicos – Parte 1. Lucyanna de J.H. Kalluf. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda., 2008. Disponível em: <
7. FITOTERÁPICOS SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA OU NÃO. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/IN_N_5_2008_anvisa.ppd>. Acesso em 01 set. 2012.

Amanda Dezze do Amaral
Amanda Dezze do Amaral, 34 anos, Nutricionista. Possuo diversos cursos de atualização, dentre eles: Nutrição Clínica e Avaliação Nutricional, Fitoterapia para Nutricionistas, Nutrição apl. à Medicina Estética, Nutrição Funcional, Nutrição e Envelhecimento, HAS, DM, DRC, Doenças Cardiometabólicas, Aconselhamento Nutricional da Obesidade na Infância e Adolescência.
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