Exames Bioquímicos

Exames Bioquímicos
NUTRICAO
Os exames bioquímicos são medidas objetivas do estado nutricional e são usados para detectar deficiências subclínicas e para confirmação diagnóstica. Têm a vantagem de possibilitar seguimento de intervenções nutricionais ao longo do tempo (ACUÑA; CRUZ, 2004). Algumas desvantagens limitam o uso desses indicadores na avaliação do estado nutricional como: utilização de alguns medicamentos, condições ambientais, estado fisiológico, presença de estresse, injúria ou inflamação.

Sua interpretação deve ser feita com cautela, particularmente em doenças hepáticas, renal e câncer. Ressalta-se que dosagens sanguíneas de componentes nutricionais específicos (vitaminas, cálcio, ferro, etc) apresentam indicação específica e não são considerados métodos convencionais. Descreveremos alguns dos exames bioquímicos mais utilizados na prática clínica (ACUÑA; CRUZ, 2004, OLIVEIRA, 2007, COSTA, 2008).

a) Albumina Sérica:
proteína plasmática de importância significativa, pois mantém a pressão oncótica do plasma, transporta elementos pelo sangue (cálcio, ácidos graxos de cadeia longa, medicamentos, hormônios, etc). A redução dos níveis séricos de albumina é comum em pessoas com desnutrição calórico-proteica e está associada a prognóstico ruim. É um marcador tardio de desnutrição, pois sua meia-vida é longa (17 a 19 dias). Apesar das limitações, continua sendo um bom método para determinar risco de morbimortalidade.

O uso dos parâmetros bioquímicos para avaliar o estado nutricional de um indivíduo, de forma isolada, não é recomendado, pois também se correlacionam com a(s) doença(s) e podem gerar confusão no momento do diagnóstico nutricional. Portanto, devem ser usados em conjunto com os parâmetros antropométricos e de consumo alimentar para auxiliarem no diagnóstico e monitoramento nutricional. Os valores de referência para albumina sérica estão no quadro abaixo.

 

NORMAL

DEPLEÇÃO LEVE

DEPLEÇÃO MODERADA

DEPLEÇÃO GRAVE

ALBUMINA (g/dL)

4 a 6

2,8 a 3,5

2,1 a 2,7

< 2,1


FONTE: Oliveira, 2007.


b) Contagem Total de Linfócitos ou Linfocitometria: avalia a competência imunológica, indicando as condições de defesa celular do organismo. À medida que a desnutrição progride a imunidade celular e humoral decresce. A utilização deste teste deve ser avaliada com critério, pois há situações patológicas crônicas, e mesmo agudas (câncer, doença renal, etc) que levam à deficiência imunológica a despeito da condição nutricional.

CTL = % linfócitos x leucócitos/100


Resultados (referência) - Depleção Leve: 1.200-2.000/ mm3

Depleção Moderada: 800-1.199/mm3

Depleção Grave: < 800/mm3


c) Índice Creatinina-Altura (ICA): é um método que avalia a massa muscular corporal, baseando-se no fato de que 98% da creatinina estão localizadas nos músculos (ACUÑA; CRUZ, 2004). É calculada a partir da dosagem da creatinina na urina de 24 horas (deve ser rigorosamente coletada), portanto fica impossibilitada sua realização em pacientes com insuficiência renal ou em uso de diuréticos.

O cálculo e o padrão de referência adotada estão logo abaixo:

ICA(%) = creatinina urinária 24 horas (mg)/creatinina urinária ideal (mg) x 100


% ICA

CLASSIFICAÇÃO NUTICIONAL

> 90%

Normal

80-90%

Desnutrição Leve

60-80%

Desnutrição Moderada

< 60%

Desnutrição Grave


FONTE: Blackburn, 1979 apud Kamimura et al., 2002.

d) Colesterol Sérico: valores de colesterol sérico abaixo de 150mg/dL têm sido apontados como um importante índice prognóstico em desnutrição, com detecção de aumento da mortalidade e tempo de permanência hospitalar. Níveis elevados são fatores de risco para doenças cardiovasculares.Existem vários outros exames bioquímicos que podem ser utilizados na identificação do estado nutricional de indivíduos hospitalizados, entretanto, na rotina diária os exames acima citados fazem parte da rotina de pedidos médicos de exames, ficando a critério do nutricionista e do médico a realização de outros exames para auxiliar na determinação do diagnóstico nutricional.

Algumas considerações finais são necessárias para complementar todo o exposto anteriormente:
- A avaliação do estado nutricional de um indivíduo engloba vários métodos e técnicas que precisam ser revisados e treinados para seu aperfeiçoamento, a fim de garantir boa acurácia na tomada das medidas.
- Os equipamentos usados para obtenção das medidas passam por manutenção constante e devem ser bem manuseados para evitar descalibração.
- Os diferentes grupos etários (crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes, etc) têm diferentes padrões.
- Os indicadores a serem padronizados pela instituição hospitalar devem ser escolhidos com relação à disponibilidade financeira, material e humana, procurando-se selecionar indicadores de diferentes abrangências (antropométricos, bioquímicos, etc).
- Para maior fidedignidade das informações o indivíduo responsável pela obtenção dos dados deve ser adequadamente treinado e constantemente capacitado.
- A avaliação nutricional deve ser feita com periodicidade definida em curto intervalo de tempo. Para adultos: controle antropométrico 2-3 vezes/semana e bioquímicos na admissão e alta; para crianças: controle antropométrico semanal (com exceção do peso que deve ser diário) e bioquímico com maior frequência que adultos.
- A avaliação do estado nutricional, qualquer que seja o método e o grupo etário ou situação de injúria, deve ser realizada no máximo até 48 horas da admissão hospitalar.

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