Dobras cutâneas

Dobras cutâneas
NUTRICAO
 Aspectos gerais
A dobra cutânea é uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente. Várias dobras cutâneas podem ser avaliadas isoladamente ou em conjunto.

Entre estas, podemos citar as dobras cutâneas tricipital, bicipital e da panturrilha, indicadoras de gordura periférica, e as dobras subescapular e suprailíaca, indicadoras de gordura central. A dobra cutânea mais utilizada em crianças é a tricipital.

Devido à existência de uma relação entre gordura subcutânea e gordura corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal total.

A validade e confiabilidade das medidas de dobras cutâneas são influenciadas pela habilidade do avaliador, pelo tipo de adipômetro, pelos fatores do indivíduo avaliado e pela equação utilizada para estimar a gordura corporal.

A localização imprópria dos locais das dobras cutâneas e a medida feita de forma incorreta são as maiores causas da baixa confiabilidade interavaliadores. Para solucionar esse problema, foram desenvolvidos procedimentos padronizados de coleta de dados e descrições detalhadas para identificação e medida dos locais das dobras cutâneas

A confiabilidade intra-avaliador, que é a consistência das medidas feita por um mesmo avaliador de dobras cutâneas, é outra fonte de erro deste método. Medir espessura de dobras cutâneas consistentemente é difícil em obesos, porque elas podem exceder a abertura máxima do adipômetro.

Além disso, em indivíduos obesos com muita massa muscular a gordura subcutânea pode não ser facilmente separada do músculo que está abaixo. Assim, a colocação apropriada do adipômetro, perpendicular à dobra, não é possível.Para melhorar a confiabilidade dos dados, as medidas devem ser coletadas, no mínimo, em duplicata, e então calculada a média.

Tanto os adipômetros de metal de alta qualidade como os de plástico podem ser utilizados para medir dobras cutâneas. O custo dos adipômetros varia segundo o material utilizado em sua composição e a precisão e exatidão de sua escala de medida. Instrumentos de alta qualidade, como os adipômetros Lange®, Harpenden®, Holtain® e Lafayette® exercem pressão constante durante todo o alcance da sua escala de medida.

Os adipômetros de plástico não são a melhor escolha para medir dobras cutâneas, pois tem menor precisão de escala, tensão inconstante através da sua faixa de medida, escala de medida menor (cerca de 40 mm) e fornecem menos consistência quando usados por avaliadores menos experientes.

A variabilidade em medidas de dobras cutâneas entre indivíduos pode ser atribuída não apenas à diferença na quantidade de gordura subcutânea no local, mas à diferença na espessura da pele, compressibilidade do tecido adiposo e grau de hidratação.

Um acúmulo de água extracelular (edema) no tecido subcutâneo, causado por fatores como vasodilatação periférica ou certas doenças, pode aumentar a espessura da dobra cutânea. Por isso, não se deve realizar medidas de dobras cutâneas imediatamente após o exercício, sobretudo em ambientes quentes.

As equações de predição de gordura corporal total baseadas em dobras cutâneas devem ser selecionadas baseadas em idade, sexo, etnia e nível de atividade física. Slaughter et al. (1988) desenvolveram equações para estimar a
porcentagem de gordura corporal de crianças, usando o somatório de duas dobras cutâneas (tríceps + subescapular ou tríceps + panturrilha).

Essas equações podem ser utilizadas para avaliar a composição corporal de meninos e meninas negros e brancos, de oito a 17 anos de idade.
Deve-se seguir os seguintes procedimentos padronizados para aumentar a exatidão e confiabilidade das medidas de dobras cutâneas:

- Tomar as medidas do lado direito do corpo;

- Identificar, medir e marcar cuidadosamente o local da dobra cutânea;

- Segurar firmemente a dobra entre o polegar e o indicador da mão
esquerda. A dobra deve ser destacada 1 cm acima do local a ser medido;

- Destacar a dobra, colocando o polegar e o indicador a uma distância de 8 cm, em uma linha perpendicular ao eixo longo da dobra. Para indivíduos com dobras extremamente grandes, o polegar e o indicador precisarão se separar por mais de 8 cm para que se consiga destacá-la;

- Manter a dobra pressionada enquanto a medida é realizada;

- Colocar as hastes do adipômetro perpendiculares à dobra, aproximadamente 1 cm abaixo do polegar e do indicador, e soltar a pressão das hastes lentamente;

- Anotar as medições de dobras cutâneas 4 segundos após a pressão ter sido aplicada;

- Afastar as hastes do adipômetro para removê-lo do local. Fechar as hastes lentamente para prevenir danos ou perda da calibragem.

- Aplicação na prática clínica

A medida de dobras cutâneas tem sido utilizada há muitos anos em estudos de nutrição e composição corporal, por ser considerada uma ferramenta atrativa devido ao seu caráter não invasivo e específico para avaliar gordura subcutânea.
Antigamente, recomendava-se o uso do método de dobras cutâneas como componente da avaliação clínica a fim de distinguir, dentre as crianças com excesso de peso, aquelas que apresentavam excesso de gordura corporal.


Há concordância na literatura quanto ao fato de que as dobras cutâneas predizem gordura corporal total em crianças e adolescentes. Mais do que isso, quando medidas de dobras cutâneas são incluídas em modelos de regressão, providenciam informações que explicam variações em indicadores de risco de
doenças, incluindo concentrações plasmáticas de lípides, pressão arterial, glicemia, insulinemia, resistência à insulina e inflamação.

Quando categorias de dobras cutâneas baseadas em pontos de corte de classificações em percentis são usadas para identificar os indivíduos com maior quantidade de gordura corporal ou aqueles com síndrome metabólica, o desempenho das dobras cutâneas mostra-se tão bom quanto o do IMC ou da circunferência da cintura.

Ainda assim, existem poucas evidências demonstrando que, uma vez que se conheça os dados de peso e altura (ou IMC), a medida das dobras cutâneas aumenta a precisão na identificação daquelas crianças com maior quantidade de gordura corporal ou outros fatores de risco.

Dessa forma, especialistas não recomendam o uso de medidas de dobras cutâneas para avaliação da obesidade infantil na prática clínica. Essa recomendação baseia-se na falta de informações nacionais disponíveis em relação à distribuição de crianças segundo medidas de dobras cutâneas, no risco potencial de erros de mensuração por avaliadores inexperientes e sem treinamento adequado e a ausência de um critério definido para servir de base para intervenções (pontos de corte para classificação das crianças de maior risco).

Todavia, o método das dobras cutâneas continua sendo de grande utilidade em pesquisas, sobretudo naquelas que buscam estabelecer pontos de corte para classificação de adiposidade segundo as dobras cutâneas em crianças de diferentes faixas etárias.

Uma possível aplicação clínica da medida de dobras cutâneas é o acompanhamento individual de pacientes, nesse caso utilizando as medidas não para classificar a obesidade ou definir os pacientes de maior risco de doenças, e sim para avaliar o progresso da criança no tratamento, comparando medidas a fim de observar se houve redução na gordura corporal.

Aqui também é importante que as medidas sejam feitas sempre pelo mesmo avaliador, devidamente treinado, para evitar erros de mensuração e permitir que as medidas possam ser adequadamente interpretadas.

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