Atividade física e mudanças no estilo de vida

Atividade física e mudanças no estilo de vida
NUTRICAO
Atividade física pode ser definida como qualquer movimento corporal produzido pelo músculo esquelético que resulte em aumento do gasto energético acima do nível basal. É importante diferenciar a atividade física do conceito de exercício físico, o qual constitui uma subcategoria da atividade física que é estruturada, repetitiva e cujo objetivo é a manutenção da forma física.

A atividade física deve ser parte de todos os programas multidisciplinares para o tratamento da obesidade infantil, uma vez que traz benefícios como aumento da massa magra, aumento do gasto energético, melhora do perfil metabólico e melhora do bem-estar geral. Independentemente de seu efeito na perda de peso, estes benefícios já justificam a promoção da atividade física em crianças.

Em adultos, já foi demonstrado que atividades moderadas, como caminhar durante 30 a 60 minutos diariamente, aumentam o gasto energético, reduzindo o peso corporal e a quantidade de gordura corporal.

Mesmo atividades comuns, como atividades domésticas e subir escadas, quando realizadas por pelo menos 30 minutos por dia, também são suficientes para promover a saúde, contribuindo para reduzir os fatores de risco associados à obesidade, como hipertensão, dislipidemia e intolerância à glicose.

Embora não existam diretrizes de atividade física específicas para crianças, parece sensato encorajar atividades como caminhar até a escola, brincar ao ar livre com os colegas e usar escadas comuns ao invés de escadas rolantes. Estas atividades ajudam a aumentar a demanda energética e, por conseguinte, a melhorar o balanço energético.

Os programas de atividade física devem considerar diversos fatores, como intensidade, duração, tipo de atividade (aeróbica ou anaeróbica), nível de treinamento, fadiga induzida pela atividade, efeito da atividade na ingestão alimentar e o risco de lesão ou trauma relacionado à atividade. Dessa forma, um programa de atividade física “ideal” deve ser desenvolvido para:

- Preservar a massa magra;
- Evitar a indução de ingestão alimentar compensatória;
- Estar adaptado às preferências da criança;
- Ser aeróbico (caminhada, andar de bicicleta, natação, etc.);
- Ser realista quanto à intensidade e duração;
- Evitar desconforto psicológico;
- Desenvolver um nível de atividade que possa ser mantido após o término do programa.

É impossível desenvolver programas de atividade física que sejam apropriados para crianças de diferentes idades, sexos e graus de obesidade. No entanto, alguns princípios podem ser delineados: os programas devem conter exercícios de aquecimento e de alongamento, exercícios direcionados para grupos musculares específicos (supervisionados por educadores físicos e desenvolvidos de forma individualizada para cada criança), exercícios como preparação para esportes coletivos, caminhadas alternadas com corrida leve ou dança.

Muitas crianças obesas apresentam problemas ortopédicos como má postura, escoliose moderada ou mesmo severa, joelho valgo, dentre outros. Esses problemas devem ser levados em consideração ao se desenvolver programas de atividade física para crianças obesas.

É necessário fazer com que a criança obesa tenha interesse em participar da atividade física, sendo a influência da família, do educador físico e do ambiente de extrema importância. O ambiente deve ser agradável, a atividade deve ser lúdica e o educador físico deve ser bondoso, paciente e alegre, sabendo corrigir os erros e apreciar os resultados positivos, mesmo que pequenos.

A redução da gordura corporal é mais facilmente alcançada com a realização de exercícios aeróbicos e dinâmicos, o que pode ser difícil para algumas crianças no início de seu tratamento.

Por esse motivo, pode ser mais indicado iniciar o programa de atividade física em piscinas, por facilitar a movimentação de crianças extremamente obesas. Mais tarde, depois de alguma redução ponderal e adaptação à rotina de atividade física, as crianças podem ficar mais aptas a realizar exercício deitadas ou sentadas e mesmo a utilizar bicicletas ergométricas por curtos períodos de tempo.

Os pais e outros membros da família devem ser incentivados a participar das atividades. Ao início, os movimentos devem ser realizados de forma lenta, eficiente e, quando possível, de forma rítmica.

Essa abordagem reduz a desarmonia de movimentos frequentemente observada em indivíduos obesos e ajuda a desenvolver e manter uma postura correta. Os exercícios direcionados para a correção postural estão entre os componentes mais importantes da terapia com movimentos.

Crianças obesas normalmente não conseguem fazer longas caminhadas quando começam a praticar atividade física, por isso deve-se orientar caminhadas curtas ou caminhadas alternadas com corrida em curtas distâncias, sempre com supervisão de um educador físico.

Em crianças mais velhas, exercícios voltados para a participação em esportes coletivos, como futebol, basquete, voleibol, dentre outros, ou esportes individuais como tênis ou natação, podem ser incluídos no programa.

Esportes como skate e esqui não são recomendados para crianças obesas, pois alterações ortopédicas, como o joelho valgo, podem piorar com essas atividades. É mais aconselhado esperar até que a criança tenha perdido um pouco de peso para realizar esse tipo de esporte.
Exercícios aeróbicos, alongamento e yoga se tornaram populares não só entre adultos, como também entre os adolescentes. Embora os dois últimos sejam úteis para melhorar a postura e o tônus muscular, o seu gasto energético é relativamente baixo. Os exercícios aeróbicos são os mais indicados, inclusive para manutenção do peso após perda ponderal importante.

Geralmente, a adesão de crianças obesas a programas de atividade física costuma ser muito baixa. As taxas de desistência parecem ser menores em programas mais baratos, que envolvam atividades aeróbicas em grupo e que sejam de baixa intensidade, porém tenham mais de 30 minutos de duração.

Além de participar de um programa de atividade física, é fundamental que a criança seja estimulada a realizar outras modificações em seu estilo de vida, tendo como objetivo diminuir o tempo total gasto com atividades sedentárias, tais como televisão, videogames, computador, falar ao telefone, etc., para no máximo duas horas por dia.

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