Alergia alimentar tardia

Alergia alimentar tardia
NUTRICAO
INTRODUÇÃO
A alergia alimentar é um problema nutricional que vem aumentando significativamente nas últimas décadas, supõe-se que a causa seja devido à maior exposição da população a um número maior de alérgenos alimentares (PEREIRA et al., 2008).

Estima-se que a alergia alimentar atinja cerca de 7% das crianças e 4% dos adultos. Normalmente nos adultos esse tipo de alergia persiste pela vida toda, e já nas crianças manifesta-se apenas na infância resolvendo-se após os quatro anos de idade espontaneamente (GALLO, 2008; TOPOROVSKI, 2007).

Existem diversas causas para que ocorram as reações alimentares, sobretudo, quando certas enzimas digestivas são produzidas de forma insuficiente podem ocorrer transtornos causando adversidade aos alimentos, pois são necessárias essas enzimas para a sua digestão, também podem ocorrer erros inatos do metabolismo (ANGELIS, 2005).

As reações alérgicas ou de hipersensibilidade envolvem mecanismos imunológicos que podem ou não ser mediados pela imunoglobulina E (IgE), sendo que estes mecanismos induzem a rápida liberação de mediadores como a histamina (PEREIRA et al.,2008).

As reações alérgicas mediadas pela IgE comumente encontradas são, asma atópica, eczema atópico, febre-de-feno e choque anafilático. Na enterocolite alérgica há sintomas como diarreia e vômitos, podendo causar desidratação (ANGELIS, 2005).

Diversos tipos de alimentos, como o leite de vaca, os ovos, os peixes e os frutos do mar, as frutas, as leguminosas, as oleaginosas, as hortaliças e os cereais podem levar ao aparecimento de manifestações alérgicas mediadas por IgE. Estas reações alimentares variam de acordo com a sensibilidade de cada pessoa, podendo ocorrer reações moderadas, com rinite, conjuntivite, espirros, cefaleia, irritações cutâneas, e em pessoas extremamente sensíveis, pode ocorrer um choque em poucos minutos (BAPTISTA; VENÂNCIO, 2003).

Segundo Morais e Fagundes Neto (2005), as reações alérgicas a alimentos podem ser classificadas em quatro categorias, sendo reação anafilática ou do tipo I, reação citotóxica ou do tipo II, reação vinculada aos complexos antígeno-anticorpo ou do tipo III e reação de imunidade celular ou do tipo IV. Dentre as reações alérgicas a alimentos, as tardias não são diagnosticadas corretamente, por isso, não são tratadas adequadamente por não ter seus sintomas associados com o alimento alergênico, levando ao uso descontrolado de medicamentos como corticoides, anti-inflamatórios, anti-histamínicos e psicotrópicos, podendo ocasionar um estado crônico e agravamento da doença (CARVALHO; ORLANDIM, 2005).

Estuda-se que há possibilidade de que filhos de pai e mãe hipersensíveis a certos alimentos são mais susceptíveis, no entanto, podem reagir de forma completamente diferente a determinados alimentos (ANGELIS, 2005). É imprescindível que sejam elaboradas estratégias para o controle das alergias alimentares, oferecendo assim uma melhor qualidade de vida para estes indivíduos. O presente artigo teve como objetivo analisar na literatura atual como os alimentos podem levar as reações de hipersensibilidade enfatizando a alergia alimentar de fase tardia.REVISÃO DE LITERATURA
Alergia alimentar
A alergia alimentar afeta 2,5% da população adulta. Entre 100 e 125 pessoas morrem por ano nos EUA por causa de uma reação alérgica alimentar (PEREIRA et al., 2008). As reações adversas aos alimentos podem ser classificadas de duas formas distintas, tóxicas e não tóxicas. As reações tóxicas vão depender das substâncias ingeridas, um exemplo disso seriam as toxinas bacterianas encontradas em alimentos contaminados, ou de substâncias farmacológicas contidas em alimentos, por exemplo, a cafeína no café, tiraminas em queijos maturados (SOLÉ et al., 2007).

Podem também ser ocasionadas por reações idiossincráticas e/ou doenças metabólicas, por exemplo, fenilcetonúria, ou ainda, devido a deficiências enzimáticas (VIEIRA, 2006). As reações não tóxicas são aquelas que dependem da predisposição do indivíduo, podendo ser classificadas em: não imuno-mediadas (intolerância alimentar) ou imuno-mediadas (hipersensibilidade alimentar ou alergia alimentar) (SOLÉ et al., 2007).

A alergia alimentar é frequentemente confundida com intolerância alimentar por ambas apresentarem sintomas muito parecidos. Porém, a alergia é causada por uma resposta do sistema imune, mediada pelas imunoglobulinas E (IgE), imunoglobulinas G (IgG) e imunoglobulinas M (IgM), contra algum componente específico do alimento (GALLO, 2009).

Observa-se que quando uma molécula ou parte desta capaz de induzir adversidades entra nos tecidos corporais sem ter sido digerida, comporta-se como um antígeno. O sistema imunológico reage a estes antígenos, liberando anticorpos, histaminas e outros defensivos. (ANGELIS, 2005).

Os alimentos responsáveis por mais de 90% de reações graves são ovos, leite, peixes, crustáceos, amendoim, soja, trigo e castanhas, principalmente em lactentes e crianças. Nos adolescentes e adultos, amendoim, peixe, mariscos e nozes, são responsáveis por 85% das reações alérgicas (MORAIS; FAGUNDES NETO, 2004).

Os alérgenos são proteínas que apresentam algumas características em comum, como o peso molecular entre 10 e 70 Kilo Dalton (KD), sendo glicoproteínas hidrossolúveis, estáveis e com baixo pH. Estas apresentam boa resistência à degradação pelo processamento, pela cocção, por enzimas e pelo trato digestório (CARVALHO; ORLANDIM, 2005).Alergias tardias
Os mecanismos imunológicos envolvidos no aparecimento das manifestações clínicas das doenças alérgicas são: tipo I ou mediado por IgE; tipo II ou de citotoxicidade; tipo III ou por formação imunocomplexos; tipo IV ou celular (SOLÉ et. al., 2007). Como em todos os órgãos do corpo existem fibras lisas e vasos sanguíneos, a alergia torna-se um processo de comprometimento quase geral (EVANGELISTA, 2000).

A maior parte das manifestações alérgicas alimentares conhecidas são as de hipersensibilidade tardia tipo III e IV, ou seja, as reações tardias, encontradas em 98% dos casos. Iniciam-se de duas horas a três dias após contato com o alérgeno, e comumente confundidas com alergias imediatas, pela liberação concomitante de anticorpo IgE e IgG, porém são mediadas principalmente pelo anticorpo IgG, com a formação de imunocomplexos, e IgM, e os indivíduos apresentam a sintomatologia mais tardia (CARREIRO, 2009).

Indivíduos normais e pacientes com alergia alimentar podem formar imunocomplexos, porém, pacientes alérgicos diferem no seu conteúdo de IgG e IgE, sendo maior que nos indivíduos não alérgicos (JACOB; PASTORINO, 1994). O lúpus eritematoso sistêmico é um exemplo de uma reação alérgica do tipo III podendo ocorrer produção de imunocomplexos, ativação de antígenos e liberação de anafilatoxinas que provocam a degranulação dos mastócidos. Os mediadores inflamatórios entram em ação, ocasionando uma inflamação e lesão tecidual generalizada (JANICE; JONEJA, 2008).

A sintomatologia alérgica ocorre quando a substância alergênica é consumida constantemente, pois se ingerida uma só vez, na maioria das vezes, não existirá sintomas. Outras evidências sugerem que no processo de hipersensibilidade há liberação de histamina de forma gradual, ocasionando um relaxamento cerebral, portanto, o consumo de alimento sensibilizante é primeiramente ligado ao prazer e não aos sintomas que ele trará, muitas vezes levando a uma dependência de consumo do alimento sensibilizante ou de seus derivados.

Como outra consequência da reação de um alimento alergênico, existe a diminuição dos níveis de serotonina plasmática desencadeando distúrbios neurológicos, como depressão, ansiedade, compulsão entre outros que colaboram para a dependência do alimento alergênico, já que a sensação inicial é de prazer (CARREIRO, 2003).

As alergias alimentares tipo IV, relacionadas aos alimentos manifestam-se pela infiltração dos linfócitos T e macrófagos com a liberação de linfoquinas, associadas com gastrenterites e distúrbios intestinais inflamatórios. A hipersensibilidade mediada por células tem sido citada em alergias tardias ao leite e ao milho (ANGELIS, 2005).

Nas doenças mediadas por anticorpos IgE, o aparecimento dos sinais e sintomas após a ingestão geralmente é agudo; porém na alergia alimentar tardia, essa reação ativa os mastócitos teciduais e basófilos, resultando na sensibilização. Após uma exposição subsequente, os alérgenos alimentares causais ligam-se as moléculas IgE específicas e liberam os mediadores que causam os sintomas da alergia tardia (FERREIRA; SEIDMAN, 2007).A feniletilamina é uma amina com atividade vasoativa, que consegue ultrapassar a barreira sangue/cérebro, alterando o fluxo sanguíneo cerebral, por isso os alimentos contendo feniletilamina, sem a tiramina, estão estritamente relacionados aos sintomas como enxaqueca nas alergias alimentares tardias (ANGELIS, 2005).

A hipersensibilidade tardia, relacionada aos alimentos, pode provocar diversos males à saúde do indivíduo, como letargia, cefaleia, oscilação de humor e falta de concentração, bem como condições crônicas, como artrite reumatoide e a síndrome do cólon irritável (CARPER, 1995). Alguns distúrbios adicionais que se referem à alergia alimentar incluem cólicas, refluxo gastroesofágico e a constipação intestinal (VIEIRA, 2006).

Ainda considerando os sintomas que estão relacionados com a dieta e o consumo de alimentos, tem-se: fadiga, cansaço, depressão, irritabilidade, alucinações, colite, doença fibrocística de mama, enxaqueca, dependendo da sensibilidade de cada um em outras situações aparecem o lúpus eritematoso, náuseas, vômitos, diarreia, constipação, flatulência, eructação, gastrite, cólicas intestinais, doença de crohn, prurido anal, língua saburrosa, problemas de vesícula.

Na parte dermatológica tem-se os seguintes sintomas: erupções, assaduras, eczemas, dermatites herpetiformes, pele seca, caspa, unhas e cabelos fracos, na cardiopulmonar haverá palpitações, arritmias, taquicardia, asma, congestão no peito e bronquite, devendo seguir com mais outros diversos sintomas, entre eles estão dores de garganta, surdez, tosse crônica, artrite, dores musculares, edema de mãos, pés e tornozelos (FELIPE JUNIOR, 2008).

Os aditivos alimentares são relacionados às reações do tipo IV, sendo considerada qualquer substância não consumida normalmente como alimento, nem utilizada como ingrediente característico de alimentos independentemente do seu valor nutritivo. A adição intencional de aditivos ao alimento dá-se para fins tecnológicos, inclusive organolépticos, sendo utilizados na fabricação, processamento e conservação de alimentos (BAPTISTA; VENÂNCIO, 2003).

Dentre os aditivos, os sulfitos são utilizados como conservantes em frutas desidratadas, vinhos, sucos industrializados e medicamentos e têm sido relacionados a crises de asma em pessoas sensíveis. O metabissulfito de sódio causa reações mais frequentes como urticária e exacerbação da asma. O citrato de sódio, usado como antioxidante pode causar reações alérgicas cutâneas, vermelhidão da pele, além de queda da pressão arterial e cefaleia (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008).Os alimentos causadores
Mecanismo de defesa da mucosa gastrointestinal

O trato gastrointestinal e o sistema imunológico deparam com inúmeras proteínas exógenas e de substâncias patogênicas ao longo de toda vida. Enquanto o sistema digestório processa as proteínas em sua digestão, o sistema imunológico deve diferenciar o que é patogênico, respondendo agressivamente ao organismo. As desordens de hipersensibilidade gastrointestinal percebem fundamentalmente reações mediadas por IgE, reações não - mediadas por IgE e reações mistas (ANGELIS, 2005).

A mucosa gastrointestinal forma uma porta de entrada aos antígenos alimentares e as bactérias não patogênicas da microflora. É na mucosa que se localiza o maior número de macrófagos, polimorfonucleares, células dendrídicas, linfócitos T e linfócitos B secretores de imunoglobulinas. As células T e B reconhecem os antígenos, mas não são capazes de distinguir entre os que são e não são perigosos.

A chave desta explicação está na interação com o sistema imune intestinal, nas placas de Peyer, onde inicia-se a resposta imunitária das mucosas, com a produção da imunoglobulina IgA secretora (SIgA). A SigA age como a primeira linha de defesa, servindo como interface entre os meios externo e interno (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008).

O trato gastrintestinal representa a maior superfície de contato com o meio externo tornando possível à exposição de substâncias presentes na dieta e microrganismos. Em condições normais há passagem de pequena quantidade de macromoléculas através da barreira mucosa intestinal, sendo a reatividade imunológica para antígenos alimentares um fenômeno encontrado em pessoas normais. Assim, a alergia alimentar representa um distúrbio desse processo (SAMPAIO; GRUMACH,1994).

Vários mecanismos são responsáveis pela barreira do trato gastrintestinal, como os mecanismos não imunológicos, que são os fatores próprios do trato gastrintestinal, incluindo a acidez gástrica, proteólise enzimática, presença de muco, maturidade das microvilosidades e peristaltismo. A acidez gástrica interfere no crescimento microbiano, já a proteólise enzimática no processo digestivo limita a absorção de macromoléculas, juntamente com a maturidade das microvilosidades.

A peristalse é um mecanismo não imune que favorece a defesa pela limitação do tempo de exposição à carga antigênica, reduzindo o crescimento de microrganismos e na ausência desta motilidade ocorre o crescimento bacteriano intenso (SAMPAIO; GRUMACH,1994).Etiologia da alergia alimentar
Geralmente o sistema imunológico protege nosso organismo contra substâncias potencialmente nocivas, como bactérias, vírus e toxinas, porém, pode desencadear uma resposta imune contra uma substância (alérgeno) levando ao desenvolvimento de alergias (VIEIRA, 2005). Várias teorias tentam explicar essas reações estranhas e debilitantes relacionadas à ingestão de alimentos (CARPER, 1995).

No desenvolvimento da alergia alimentar os fatores de risco incluem a herança genética, idade de exposição ao alimento, permeabilidade da mucosa intestinal, quantidade de alérgeno ingerido e fatores ambientais (VIEIRA, 2006), e ainda, monotonia alimentar, capacidade funcional de destoxificação hepática e do trato gastrintestinal (CARREIRO, 2009).

A probabilidade genética de uma criança vir a desenvolver alergia alimentar é de cerca de 30%, caso um dos pais apresentem alergia, sendo o dobro se o pai e a mãe ou um dos pais e um irmão forem alérgicos (KALLUF, 2006), apesar da hereditariedade, estas crianças podem reagir de forma diferente a determinados alimentos (ANGELIS, 2005).

Concomitantemente, há evidências de que o uso de leite de vaca nos berçários antes da amamentação colabora para o aparecimento precoce da alergia em filhos de pais alérgicos (VIEIRA, 2006). Algumas características das reações alérgicas podem estar relacionadas com a absorção gastrintestinal e deposição aleatória de proteínas alimentares, estando estas, imunologicamente intactas nos órgãos alvos. Por meio da circulação, a deposição do alérgeno estimula a ligação das imunoglobulinas e a desgranulação dos mastócitos, e então as manifestações clínicas ocorrem (CARVALHO; ORLANDIM, 2005).

As reações na pele e no sistema respiratório são manifestadas especialmente porque a maior parte dos mastócitos encontram-se nessa região (ANGELIS, 2005). Na alergia alimentar tardia há evidências que as inflamações intestinais crônicas, levam ao aumento da permeabilidade intestinal, permitindo que partículas não digeridas dos alimentos atravessem, através da parede intestinal para a corrente sanguínea, sendo reconhecidas pelo sistema imunológico como invasoras, gerando um tumulto alérgico (CARPER, 1995).

Os alimentos que causam prazer, saciedade e bem estar momentâneo, e por isso são consumidos com maior frequência, geram resposta imunológica tardia, impossibilitando sua relação com doenças (CARVALHO; ORLANDIM, 2005).Diagnóstico das alergias alimentares
Um diagnóstico preciso é essencial para determinar os alérgenos alimentares responsáveis pelo aparecimento da alergia e o risco de atopia, devendo relacionar o tempo entre a ingestão e o aparecimento dos sintomas e ao tipo de sintomas (FERREIRA; SEDMAN, 2007), entretanto, nem sempre o diagnóstico é feito com facilidade, pois o preceito básico para a confirmação diagnóstica não é seguido de forma apropriada. Há hipótese que isso ocorra porque o paciente pode desenvolver a tolerância ao alérgeno antes que se indique o desencadeamento, pois a alergia alimentar tem caráter potencialmente autolimitado, e, provavelmente pelo desinteresse tanto do médico quanto da família em realizar o exame em um paciente que se encontra bem adaptado à dieta, no sentido de poupá-lo do desconforto de um teste de desafio positivo (MORAIS; FAGUNDES NETO, 2004).

Torna-se importante diferenciar os distúrbios alérgicos de outras causas de sintomas parecidos, já que o tratamento tem por base a identificação dos alimentos responsáveis e na utilização de dietas terapêuticas (VIEIRA, 2006).

Carvalho e Orlandim (2005) afirmam que o diagnóstico da alergia alimentar fundamenta-se em três pontos principais, sendo a suspeita diagnóstica de acordo com as manifestações clínicas obtidas em detalhada anamnese e exame físico, realização da dieta de eliminação dos alimentos suspeitos, proporcionando desaparecimento das manifestações clínicas de alergia alimentar e teste laboratorial com resultado positivo confirmando o diagnóstico. Os exames laboratoriais utilizados na avaliação da alergia alimentar imediata ou tipo I são feitos por dosagem de anticorpos IgE específico para alimentos, o radio allergo absorbent test (RAST), prick test ou testes cutâneos, endoscopia com biópsia, além da dosagem de IgE total sérica, para avaliar o risco de atopia (VIEIRA, 2006).

O ensaio imunoenzimático fluorescente (Cap-system) foi mais indicativo na alergia alimentar sintomática mediada por IgE, reações do tipo I, eliminando a necessidade de se fazer testes de provocação alimentar em aproximadamente 50% dos casos (FERREIRA; SEIDMAN, 2007).

A determinação de marcadores inflamatórios no sangue e nas fezes com acurácia para diagnosticar a reação dos alimentos seria eficiente, mas os resultados têm se mostrado duvidoso em relação à hipersensibilidade imediata do tipo I (FERREIRA; SEIDMAN, 2007).
O RAST identifica a IgE circulante específica para determinado alimento alergênico, porém não apresenta vantagens sobre os testes cutâneos realizados com técnicas e extratos adequados. O RAST deve ser realizado quando há lesões cutâneas extensas, história prévia de anafilaxia ou em pacientes com demografismo evidente, onde o "princk test" seria de difícil interpretação no diagnóstico de hipersensibilidade imediata (JACOB; PASTORINO, 1994).

O teste cutâneo é um método diagnóstico seguro e indolor, utilizado na investigação da alergia alimentar imediata ou tipo I, devendo ser realizado por médico especialista. Na maioria das vezes é realizado no antebraço após a higienização local com álcool e algodão, tem-se o resultado em 15 a 20 minutos e a reação positiva consiste na formação de pápula vermelha com prurido e coceira. Esta reação indica presença de IgE específico ao alimento testado, algumas vezes o teste pode ser realizado com o próprio alimento in natura (PEREIRA et al., 2008).

O princk test é contraindicado em pacientes com histórico de anafilaxia, neste caso deve-se utilizar o RAST (JACOB, PASTORINO, 1994). O teste de provocação oral é um método confiável, consiste na oferta de alimentos e/ou placebo em doses crescentes e intervalos regulares, sob supervisão médica e com monitoramento de prováveis reações clínicas (COCCO ET al., 2007).

Para a adequada interpretação do teste de provocação oral, os alimentos podem ser introduzidos por várias técnicas como o teste aberto, sendo este com o conhecimento por parte do médico e do paciente ao alimento que será introduzido, o simples cego com o conhecimento apenas por parte do médico e o duplo-cego sem conhecimento do médico e do paciente. Este teste pode auxiliar quando há resultados negativos ou duvidosos em testes cutâneos ou se a história não é consistente com reações mediadas por IgE, podendo ser utilizado no auxílio do diagnóstico tanto na hipersensibilidade alimentar do tipo I como na investigação da alergia alimentar tardia tipo III e IV (JACOB; PASTORINO, 1994).

Quando a história e os testes laboratoriais indicam uma resposta imunológica mediada por células, podem ser necessário testes complementares para a confirmação do diagnóstico de intolerância alimentar do tipo III, como o teste de hidrogênio expirado para intolerância à lactose ou biópsia gastrintestinal para determinar infiltração eosinofílica ou atrofia de vilosidades (FERREIRA; SEIDMAN, 2007).

Na hipersensibilidade alimentar tardia tipo III ou tipo IV, o único teste que realmente confirma se o alimento é a verdadeira causa do problema é a eliminação do alimento da dieta alimentar e sua posterior inserção, constando assim, a verdadeira causa do problema (CARPER, 1995), os alimentos eliminados são aqueles que frequentemente apresentam maior incidência de reações alimentares tardias, sendo eliminados de forma simultânea, por um período mínimo de trinta dias e não superior à sessenta dias (CARVALHO; ORLANDIM, 2005).

É importante salientar que para um diagnóstico preciso faz-se necessário fazer uma história clínica detalhada e exame físico adequado, dando enfoque a avaliação nutricional (VIEIRA, 2006), detectando-se os processos e as consequências de alergias alimentares escondidas e desequilíbrio nutricional, pois esse processo dificulta uma nutrição celular adequada e o funcionamento ideal orgânico (CARREIRO, 2003).Tratamento das alergias alimentares
O único tratamento dietético eficaz indicado nos casos de alergia alimentar comprovada é a exclusão do alimento desencadeante (JACOB; PASTORINO, 1994). Na prática clínica observa-se que há grande número de indivíduos que apresentam melhora em sintomas crônicos após a eliminação de alimentos específicos da dieta habitual, cuja relação causal não fora suspeitada (CARVALHO; ORLANDIM, 2005).

Para facilitar o diagnóstico e para que a dieta de eliminação seja eficiente, o nutricionista deve orientar ao paciente para que faça um registro alimentar de sete dias descrevendo a ingestão de alimentos e registro de sintomas sendo estes classificados numa escala de leve a grave, e ainda, os tipos, horários e duração desses sintomas e qualquer perturbação do sono relacionado aos sintomas específicos (JONEJA; KLINES, 2008).

Concomitantemente, é importante analisar outros fatores como a frequência de consumo dos alimentos, as preferências e aversões alimentares, monotonia alimentar, alimentos ocultos, a ingestão frequente de álcool, cafeína e outros fatores antinutricionais, a interação medicamentosa que pode interferir com o trato gastrintestinal e com a biodisponibilidade de nutrientes, por exemplo, ingestão de antibióticos, antiácidos, laxantes, anti-inflamatórios não esteróidais entre outros (CARREIRO, 2003).

O médico e o nutricionista devem orientar ao paciente quais os alimentos que podem ser substituídos na dieta para que a alimentação seja nutritiva e palatável (JACOB; PASTORINO, 1994), tomando os devidos cuidados para que não haja comprometimento do estado nutricional e carências nutricionais específicas, tais como a menor ingestão de calorias, proteínas, lipídeos, cálcio, fósforo, vitamina D e outros micronutrientes (SOLÉ et al, 2007).

Portanto, o profissional deve estar atento à necessidade de suplementação, sobretudo, o cálcio, quando se utiliza dieta de exclusão de leite de vaca e derivados (MORAIS; NETO, 2004). Já o paciente, porém, deve estar atento aos rótulos dos alimentos industrializados, buscando identificar nomes relacionados ao alimento que lhe desencadeou a alergia (PEREIRA et al, 2008).

A grande dificuldade para os pacientes tem sido os rótulos, que podem ser confusas e pequenas quantidades do alérgeno alimentar podem encontrar-se presente em alimentos considerados seguros (FERREIRA; SEIDMAN, 2007). A dieta de eliminação ou de exclusão é eficaz no tratamento da alergia imediata e tardia como nos casos de enxaqueca, síndrome de cólon irritável, doença de Crohn, eczema, hiperatividade e artrite reumatóide, dentre os alimentos mais comuns causadores dessa variedade de doenças são os cereais, os laticínios, a cafeína, o fermento e as frutas cítricas (CARPER, 1995).

A suplementação de alimentos funcionais como pré e probióticos pode auxiliar na recuperação e manutenção da microbiota intestinal atuando em praticamente todos os fatores relacionados, além de adequar o pH intestinal e a permeabilidade da mucosa para absorção de nutrientes e eliminação de substâncias estranhas, melhorar o sistema imunológico, dar suporte digestivo, combater bactérias patogênicas, dificultar as infecções intestinais e, melhorar o estado nutricional como um todo, além de melhorar a ação dos antioxidantes e favorecer a detoxificação (CARREIRO, 2003).A maioria dos sintomas de alergia são respiratórios e cutâneos, principalmente nas alergias imediatas, no entanto há relatos excepcionais como no caso de mastopatia fibrocística com nódulos e cordões coalescentes, provocados por alergia ao leite e que melhoram completamente após a retirada do agente causal. Após o período de eliminação os alimentos devem ser reintroduzidos individualmente ou grupo de alimentos semelhantes, devendo ser consumidos pelo menos três vezes no mesmo dia, segue-se mais três dias nos quais o indivíduo volta a seguir rigorosamente a dieta de eliminação modificada, e registra todos os sinais e sintomas observados, após reintroduz um novo alimento ou grupo alimentar.

O intervalo padronizado entre um alimento e outro, é de quatro dias, entretanto, pode ser necessário um tempo maior. Esse processo tem se revelado eficiente para solucionar a maior parte dos problemas ligados a hipersensibilidade e alergias alimentares tardias (CARVALHO; ORLANDIM, 2005).

Simultaneamente é um pré-requisito para ativar o sistema imunológico a suplementação de ácidos graxos essenciais, via alimentos funcionais ou suplementação isolada como a semente ou óleo de linhaça, sendo utilizado como anti-inflamatório natural. Pode ser útil a suplementação de L-glutamina, para recuperar a integridade da parede intestinal, assim como, os nutrientes zinco, selênio, ácido fólico, ácido pantotênico e complexo B em geral, carotenóides, vitamina C, vitamina E, vitamina A e bioflavonóides. Estes nutrientes tem ação antioxidante, anti-inflamatória, ativam o sistema imunológico, auxiliam a detoxificação hepática e contribuem para a melhoria do estado nutricional como um todo (CARREIRO, 2003; CASTRO et al., 2005).

A nutrição funcional possibilita inúmeras formas terapêuticas, oferecendo um maior suporte imunológico ao individuo e prevenindo o desencadeamento das reações alérgicas (CARVALHO; ORLANDIM, 2005). Acredita-se que no futuro próximo, a manipulação de alimentos através da engenharia molecular e imunológica fornecerá estratégias mais promissoras para a prevenção de doenças alérgicas (FERREIRA; SEIDMAN, 2007).

CONCLUSÃO
Os motivos pelos quais as alergias alimentares tardias vêm surgindo são inúmeras, porém o principal deles reside na monotonia alimentar que mantemos em nossa alimentação. Diversas patologias podem estar estritamente relacionadas com a ingestão de alimentos alergênicos, podendo ser inflamatórias, mentais e/ou emocionais. O reconhecimento da alergia alimentar tardia é ainda inovador, tornando-se de grande importância a realização de pesquisas constantes, pois o assunto é relativamente novo, e muitos processos ainda devem ser esclarecidos. Não existe até o momento um medicamento específico para as alergias alimentares, apenas a exclusão do alimento desencadeante da dieta e sua posterior reintrodução.

Katia Helena da Cruz
Nutricionista, concluindo especialização em Gestão em Unidade de alimentação e nutrição - Somay. Capacitação em nutrição clinica e hospitalar pela FAMERP.
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