Intoxicação por Metais Pesados

Intoxicação por Metais Pesados
FARMACIA
A denominação de metais pesados deve-se basicamente ao fato de estes metais apresentarem elevado peso atômico e não necessariamente por sua densidade. Do ponto de vista toxicológico, este grupo de metais possui uma propriedade química que os distingue em relação aos efeitos dentro organismo. Muitos metais têm grande afinidade com o oxigênio, formando os óxidos metálicos. Os metais pesados possuem também acentuada afinidade com o enxofre (que é do mesmo grupo do oxigênio), originando-se assim os sulfetos, forma na qual podem ser encontrados na natureza como minérios.

Dentro do organismo, o fato se repete, contudo, na ausência de enxofre ou sulfetos livres, o metal pode encontrar o enxofre na forma de um radical-SH (sulfidrila). O enxofre desempenha papel importante na estrutura das moléculas, mantendo, por exemplo, a estrutura tridimensional de proteínas, por meio das pontes de dissulfeto, que pode ser alterado em contato com um metal pesado que, por sua vez, pode deslocar o hidrogênio e ligar-se ao enxofre, alterando-se assim a sua estrutura. Sendo uma proteína plasmática ou um fio de cabelo, pouco problema origina-se, porém, se for uma enzima, sua atividade metabólica pode ser diminuída ou até mesmo paralisada.

Caracterização da Exposição
A exposição ocupacional a metais pesados pode ser observada em diversos locais e atividades. Citam-se a seguir os principais metais pesados em relação ao número de expostos e alguns exemplos de atividades que envolvem exposição ocupacional:
- Arsênico: fabricação de ligas metálicas, pigmentos e reagentes;
- Cádmio: solda prata e tratamento de superfícies;
- Chumbo: fabricação e reforma de baterias de chumbo/ácido. Têmpera e trefilação de metais. Fundição de ligas de bronze e similares;
- Cobre: galvanoplastia solda MIG e oxiacetileno;
- Cromo: galvanoplastia, solda em aço inoxidável, fabricação de tintas e pintura;
- Ferro: fundição de ferro, soldas em geral, em ferro ou aço.
- Manganês: solda MIG, fundição de ferro.
- Mercúrio: fabricação de lâmpadas, garimpo, odontologia.
- Níquel: galvanoplastia, solda em aço inoxidável.
- Zinco: galvanoplastia solda oxiacetileno.
Outros metais ainda podem ser identificados, porém com menor importância toxicológica ou de pouca utilização no Brasil, como o cobalto e o molibdênio. A relação anterior não tem a pretensão de ser completa nem de citar todos os locais ou atividades de que podem se originar uma exposição ocupacional a metais pesados, mas dá uma ideia da diversidade destes locais ou atividades.

Alumínio
Vem sendo associado à presença de alumínio no organismo com demência senil (doença de Alzheimer), balanço negativo de cálcio e magnésio (com remoção óssea destes), angústia, ansiedade, anorexia, irritação gastrointestinal e encefalopatia pós-diálise.
Fontes deste metal: água potável, utensílios de cozinha, desodorantes, queijos processados, antiácidos e recipientes de alumínio para alimentos (quentinhas).

Cádmio
Está associado com frequência a lesão renal, hipertensão, litíase renal, cardiomegalia, aterosclerose, imunodepressão, em fumantes, dores osteoarticulares, lesão do epitélio germinativo e infertilidade masculina. Há transmissão materno-fetal nos casos de mães intoxicadas. O conteúdo do cádmio no cabelo do recém-nascido tem relação inversa com o peso.
Fontes deste metal: tubulações residenciais, papel do cigarro, frutos do mar, fumaça de automóveis, poluição industrial, café, chá, água potável, suplementos de cálcio.
Chumbo
Leva a distúrbios de aprendizagem em crianças, cefaleia intensa, vertigem, tremores, dores articulares, irritabilidade, agressividade, distúrbios mentais, hiperatividade, anorexia, lesões musculares e dores abdominais.
Fontes deste metal: aditivos da gasolina (tetraetilchumbo), água potável, suplemento e cálcio (dolomita), contaminação de alimentos por inseticidas, poluição atmosférica, pasta de dentes, tintas de cerâmica, latas com solda de chumbo, fertilizantes, tintas de cabelo (acetato de chumbo) e fumo.

Arsênico
Esta condição pode estar associada à presença de fadiga, astenia, prostração, fraqueza, dores musculares, neuropatia periférica, pigmentação linear das unhas, cefaleia, diarreia ou constipação.
Fontes deste metal: água, fumo (cachimbo), smog, pesticidas, desfolhantes, cerveja, frutos do mar e cosméticos.

Mercúrio
A intoxicação deste metal leva frequentemente a tremores, ataxia, anomalias do desenvolvimento fetal, estomatite, perda de dentes, neurite periférica e reações alérgicas.
Fontes deste metal: amálgamas dentais, acidentes com termômetros e barômetros, fungicidas (frequentemente usados em tomates), contaminação de peixes e planctus marinho, poluição de rios pelo garimpo de ouro, filtros de ar condicionado, baterias, poluição do ar, cosméticos, calomelano (utilizado nos talcos) e uso de supositórios para hemorroidas (mercuriais).

Níquel
Está frequentemente associado a lesões cutâneas; distúrbios renais e hepáticos, infertilidade, neoplasias (câncer) pulmonares, apatia, cefaleias, insônia, diarreia, náuseas e em fumantes (aumento discreto). Alguns autores atribuem ao níquel alguns papéis biológicos, o que o faria ser também classificado como mineral essencial.
Fontes deste metal: soja, lentilha, nozes avelãs, trigo mouriscos e cereais integrais. Alguns destes, a exposição ao fumo, baterias de níquel, ligas metálicas, poluição industrial, etc., podem ser os agentes causadores desta condição.

Bário
A ingestão pode causar vômitos, diarreia, dor abdominal e desalojar o potássio das células.
Fontes deste metal: é usado como contraste de RX. Outras fontes são: indústrias de cerâmica, plásticos, tintas, pesticidas e combustíveis.

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