Raios-X: a Maior Descoberta do Século

Raios-X: a Maior Descoberta do Século
MEDICINA

Há anos atrás jamais o homem, sonharia que aqueles raios desconhecidos viessem a ser um dos maiores auxiliares na radiologia médica, assim como também em outros campos como podemos citar: na Botânica, com estudos físicos - anatômico do reino vegetal; na Metrologia, no estudo da transformação e propriedades dos minerais, e como poderoso auxiliar na determinação da estrutura molecular e atômica de seus elementos; no Campo jurídico, como arma insubstituível em valor e eficiência na elucidação e determinação de sexo e idade; na Metalurgia, os raios -x constituem um fator importantíssimo na determinação da qualidade dos materiais, assim como suas emendas por soldas ou falhas na fundição dos mesmos; na Industria têxtil, a verificação das fibras a serem usadas na confecção dos fios; na Pintura o valor importante dos raios - x, quando na verificação de sobrecarga de tintas, que são de grande interesse para a critica, assim como ajudar a descobrir falsificações ou legitimidades de telas; na Geofísica, os raios -x permitem maior facilidade de exame do solo; na. Alfândega a verificação dos roubos e portes de armas.

Portanto essas são algumas das utilidades dos raios -x, sem pensarmos no campo maior que e a da Medicina humana, os aparelhos cada vez mais aperfeiçoados, o surgimento da Tomografia Computadorizada, do densitometro, agora abrangendo com maior intensidade no campo Veterinário, abrindo cada vez mais a área de trabalho ao técnico operador dos raios - x ou "Raios Roentgen". Vamos relembrar algumas datas de interesse na área: Em novembro o Prof. Roentgen descobre os raios-x, em 12 de dezembro desse mesmo ano ele faz a radiografia da mão de sua mulher Bertha, iniciando então a área da radiologia logo após radiografou o cano de sua espingarda de caça, dando início então sem saber a era da radiologia industrial.

Em Janeiro de 1896 o Prof. Roentgen realizou a primeira radiografia em público na Sociedade de Física Médica de Wüzburg. Em Abril desse mesmo ano fez-se a primeira radiografia de um projétil de arma de fogo no interior do crânio de um paciente, essa radiografia foi feita na Inglaterra pelo Dr. Nelson.

Em 1898, o casal Curie (Pierre e Marie Curie) anunciou, na Academia de Ciências de Paris, a descoberta do rádio. Naquela mesma época, Madame Curie demonstrava que as radiações, descobertas por Becquerel (a atividade radioativa dos sais de Urânio) poderiam ser medidas usando técnicas baseadas no efeito da ionização.

Em Abril de 1896, um relatório médico apresentado no "Medical Record" descreve um caso no qual um carcinoma gástrico teve uma surpreendente resposta quando irradiado com raios-X.

Em novembro de 1899, Oppenhein descreveu a destruição da sela túrcica por um tumor hipofisário.

Em 1900, Wallace Johnson e Walter Merril publicaram um artigo descrevendo os resultados positivos obtidos em câncer de pele pela aplicação de raios-X.

Em março de 1911, Hensxhen radiografou o conduto auditivo interno alargado por um tumor do nervo acústico.

Em novembro de 1912, Lackett e Stenvard descobriram ar nos Ventrículos ocasionados por uma fratura do crânio.

Um neurocirurgião de Baltimore, Dandy, em 1918, desenvolveu a ventriculografia cerebral, substituindo o líquor por ar. Assim ele trouxe grande contribuição no diagnóstico dos tumores cerebrais.

Em 1920, iniciaram-se os estudos relativos à aplicação dos raios-X na inspeção de materiais dando origem à radiologia industrial. (O Prof. Roentgen já tinha feito uma radiografia de seu rifle onde mostrava a falha no material de que era feito o cano, portanto já nessa época surgiu a radiologia industrial ).

Em julho de 1927, Egaz Moniz desenvolveu a angiografia cerebral pela introdução de contraste na artéria carótida com punção cervical. Ao apresentar seu trabalho na Sociedade de Neurologia de Paris, ele disse: "Nós tínhamos conquistado um pouco do desconhecido, aspiração suprema dos homens que trabalham e lutam no domínio da investigação". A evolução dos equipamentos trouxe novos métodos. Assim surgiu a Planigrafia linear, depois a Politomografia onde os tubos realizavam movimentos complexos enquanto eram emitidos os raios-x. No Brasil, Manuel de Abreu desenvolveu a Abreugrafia, um método rápido de cadastramento de pacientes para se fazer radiografias do tórax, tendo sido reconhecida mundialmente. O método era usar uma câmera fotográfica com filme de 70mm. muito comum naqueles tempos, fotografando a imagem produzida em um écran fluorescente dentro de um cone totalmente vedado a luz.

Por volta de 1931, J. Licord desenvolveu a mielografia com a introdução de um produto radiopaco no espaço subaracnóideo lombar.

Irene e Fréderic Joliot Curie , em 1934, descobrem a radioatividade em elementos artificiais impulsionando as aplicações médicas com a obtenção de isótopos radioativos. No final da década de 40, surgiu à idéia de usar a tensão alternada para acelerar partículas carregadas originando, mais tarde, o acelerador de partículas. Em meados da década de 50, foi construído um LINAC (Linear Acelerator) com a finalidade de tratar tumores profundos, pelo Stanford Microwave Laboratory, sendo instalado no Stanford Hospital, localizado em São Francisco - EUA.

Em 1952, desenvolveu-se a técnica da angiografia da artéria vertebral por punção da artéria femoral na coxa passando um cateter que ia até a região cervical, pela aorta.

Por volta de 1970 através de cateteres para angiografia, começou-se a ocluir os vasos tumorais surgindo assim à radiologia intervencionista e terapêutica. Assim, nos dias de hoje, usam-se cateteres que dilatam e desobstruem até coronárias, simplesmente passando-os pela artéria femoral do paciente, com anestesia local, evitando nesses casos, cirurgias extracorpóreas para desobstrução de artérias (famosas pontes de safena). Também na década de 1970, um engenheiro inglês, J. Hounsfield desenvolveu a Tomografia Computadorizada, acoplando o aparelho de Raios-X a um computador. Ele ganhou o prêmio Nobel de Física e Medicina.

Até então as densidades conhecidas nos Raios X eram ossos, gorduras, líquidos e partes moles. Com esse método, devido a sua alta sensibilidade foi possível separar as partes moles assim visualizando sem agredir o paciente, o tecido cerebral demonstrando-se o líquor, a substância cinzenta e a substância branca. Até essa época, as imagens do nosso corpo eram obtidas pela passagem do feixe de Raios X pelo corpo, que sofria atenuação e precipitava os sais de prata numa película chamada filme radiográfico que era então processada. Com essa nova técnica, o feixe de Raios X atenuado pelo corpo sensibilizava de maneiras diferentes os detectores de radiação. Essas diferenças eram então analisadas pelo computador que fornecia uma imagem do corpo humano em fatias transversais em um monitor e depois passada para um filme radiográfico. Esse aparelho foi desenvolvido na EMI, fabrica de discos dos Beatles.

O homem, não satisfeito ainda, descobriu e colocou em aplicação clínica a Ressonância Nuclear Magnética por volta de 1980. Ela obtém imagens do nosso corpo similares às da tomografia computadorizada, só que com mais vantagens adicionais. Não utiliza radiação ionizantes e raramente necessita uso de contraste. A ressonância resulta da interação dos núcleos dos átomos, os prótons de Hidrogênio de número ímpar, com um campo magnético intenso e ondas de radiofrequência. Sob a ação dessas duas energias, os prótons de hidrogênio ficam altamente energizados e emitem um sinal que apresenta uma diferença entre os tecidos normais e os tecidos patológicos. Essa diferença de sinal é analisada por um computador que mostra uma imagem precisa em secções nos três planos.

Atualmente sabe-se que os chassis e filmes radiográficos em muitos centros Radiológicos já não são mais utilizados, pois a técnica de Radiologia Digital já é uma realidade. Essa nova técnica melhora a qualidade da imagem e facilita o seu processamento. Não podemos esquecer também do avanço da mamografia, que em poucos tempos e diante dos esforços das firmas produtoras de aparelhos deram um avanço bastante significativo nessa área. Surge a mamografia CR (radiografia computadorizada) logo mais a DR ( radiografia digital ) e agora a tomosíntese é uma aplicação avançada da mamografia digital que permite uma avaliação tridimensional da mama.

Mac Antonio Camargo Silva
Técnico em eletrônica, Técnico em eletromedicina, Técnico em radiologia geral, Gestor em Administração e Informatica, proprietário de uma Firma de aparelhos Eletro-médicos e Raios-x, professor de Radiologia em escola técnica .
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