Patologia Epitelial

Patologia Epitelial
MEDICINA
Papiloma Escamoso
É uma proliferação benigna do epitélio escamoso estratificado em forma de projeções digitiformes, que resulta em uma massa papilar ou verrucosa, presumivelmente induzida por HPV (papilomavírus subtipos 6 e 11).

Atinge principalmente a língua, gengiva, mucosa jugal e o palato com aproximadamente 0,5 a 1cm de diâmetro chegando até 3cm.
O tratamento é a excisão cirúrgica.

Verruga Vulgar
É uma hiperplasia do epitélio escamoso estratificado, benigna, extremamente contagiosa e induzida por vírus (HPV 2, 4 e 40).

Comum em crianças atingindo a pele das mãos, regiões periorais e a borda do vermelhão do lábio. Tipicamente apresenta-se como uma pápula ou nódulo indolor, com projeções papilares ou uma superfície rugosa granulada.

O tratamento consiste em crioterapia, curetagem, excisão cirúrgica ou aplicação de agentes ceratinolíticos.

Condiloma Acuminado (Verruga venérea)
Representa uma proliferação benigna do epitélio escamoso da genitália, região perianal, boca e laringe induzida por diversos subtipos do HPV. As lesões bucais ocorrem principalmente na mucosa labial, palato mole e freio labial. É uma massa exofítica, séssil, rósea, firme e bem demarcada, com projeções superficiais rombudas e curtas.

Tratamento é a excisão cirúrgica, sendo a recidiva bastante comum.

Hiperplasia Epitelial Focal (Doença de HECK, Papiloma multifocal)
É uma proliferação do epitélio bucal localizada induzida por vírus HPV (normalmente subtipos 13 e 32) acometendo principalmente a mucosa labial, jugal e lingual.

A lesão apresenta-se como múltiplas pápulas de tecido mole, arredondadas ou planas que se aglomeram com coloração similar a da mucosa. Aparece com grande frequência em pacientes aidéticos.

A excisão cirúrgica pode ser feita por razões estéticas ou para fins de diagnóstico.

Efélide (Sarda)
É uma mácula hiperpigmentada, pequena, comum na pele, que constitui área com maior aumento da produção de melanina. As lesões tornam-se mais evidentes após a exposição ao sol. A coloração marrom não é tão escura (fazendo assim diagnóstico diferencial com o lentigo) e não há elevação da superfície (diferenciando-se do nevo).
Não há necessidade de tratamento.

Lentigo Actínico (Lentigo solaris, Mancha da idade, Lentigo senil)
Mácula marrom escura que resulta do dano crônico à pele por exposição à luz ultravioleta. É encontrada principalmente em pessoas da raça branca e idosos.

Tipicamente são lesões múltiplas, uniformemente pigmentadas, com bordas demarcadas, mas irregulares e não se observa aumento na intensidade da coloração após exposição solar.
Não existe necessidade de tratamento.

Melasma (Máscara da gravidez)
Representa uma hiperpigmentação simétrica adquirida na pele da face e pescoço exposta ao sol, estando fortemente associada à gravidez e ao uso de anticoncepcionais orais que contenham estrogênio e progesterona.

Aparecem em mulheres adultas como máculas cutâneas bilaterais de coloração variável entre o marrom claro e escuro.
O tratamento tópico com hidroquinona 3% ou tretinoína geralmente é eficiente.

Mácula Melanótica Oral (Melanose focal)
Pigmentação plana e marrom da mucosa produzida pelo aumento localizado da produção de melanina. Afeta ambos os sexos, com idade média de 43 anos, sendo a zona do vermelhão do lábio inferior, mucosa jugal, gengiva e palato, os locais de maior ocorrência.
A lesão aparece como uma mácula oval ou redonda, assintomática amarelo-acastanhada ou marrom escuro, bem demarcada e solitária.
Nenhum tratamento é necessário, devendo-se fazer o diagnóstico diferencial com o melanoma.

Nevo Melanocítico (Nevo nevocelular, Mola)
Representa malformações da pele e da mucosa de natureza congênita ou do desenvolvimento. A apresentação inicial é uma mácula marrom ou negra, fortemente demarcada, tipicamente com menos de 6mm de diâmetro (nevo juncional). Frequentemente as células do nevo proliferam durante anos para produzir uma pápula mole e discretamente elevada de superfície relativamente lisa (nevo composto); o grau de pigmentação torna-se menor e a lesão torna-se amarelo-acastanhada ou marrom. Com o passar do tempo o nevo gradualmente perde sua pigmentação e a sua superfície pode tornar-se papilomatosa e cabelos podem ser vistos crescendo no centro da lesão (nevo intradérmico).

A maioria dos nevos intra-orais surge no palato ou na gengiva, ocorrendo mais em mulheres com média de idade de 35 anos.

Histopatologicamente as tecas (pequenos agregados de células névicas) que se encontram na junção entre o epitélio e o tecido conjuntivo representam o nevo juncional; quando as células estão presentes tanto ao longo da área juncional quanto dentro do tecido conjuntivo subjacente, representam o nevo composto; e finalmente quando os ninhos de células não se encontram mais dentro do epitélio e sim apenas dentro do tecido conjuntivo, representam o nevo intradérmico (chamado nevo intramucoso quando intra-oral).
O tratamento para os nevos intra-orais é a excisão cirúrgica.

Variantes do Nevo Melanocítico
Nevo melanocítico congênito: Esta entidade divide-se em pequeno (menor que 20cm) e grande. A lesão congênita aparece como uma placa que varia de marrom a negra, muitas vezes com uma superfície rugosa ou múltiplas áreas nodulares. Um aspecto comum é a presença de hipertricose dentro da lesão, que pode tornar-se mais proeminente com a idade (nevo piloso gigante). O tratamento é a excisão cirúrgica.

Nevo com halo: É um nevo melanocítico que tem uma borda pálida hipopigmentada. Normalmente não requer tratamento por regredir por completo.

Nevo de Spitz (Melanoma Juvenil Benigno): Desenvolve-se na pele das extremidades ou face durante a infância. Apresenta-se como uma pápula solitária, em forma de cúpula, de cor rósea ao vermelho-acastanhado, menor que 6mm em seu diâmetro. O tratamento é a excisão cirúrgica.

Nevo Azul (Nevo de Jadassohn-Tièche, Melanocitoma Dérmico): Dois tipos são reconhecidos: o nevo azul comum (menor que 1cm) e o nevo azul celular (maior que 1cm). O nevo azul é o segundo nevo melanocítico mais frequente na cavidade oral. A cor azul é explicada pelo efeito Tyndall (os tecidos de revestimento absorvem todas as nuances menos o azul), ocorrendo com maior acometimento no palato em crianças e adultos jovens.

O tratamento é a excisão cirúrgica.

Leucoplasia (Leucoceratose, Eritroleucoplasia)
Placa ou mancha branca que não pode ser caracterizada clinicamente ou patologicamente como qualquer outra doença. É considerada uma lesão pré-cancerígena, ocorrendo geralmente em pessoas com mais de 40 anos (mais em fumantes) como uma placa cinza ou branco-acinzentada, levemente elevada, fissurada ou verrucosa, mole e plana.

Acomete principalmente a língua, o vermelhão do lábio, assoalho bucal e gengiva, clinicamente dividida em homogênea ou não homogênea dependo da textura uniforme ou irregular.
O tratamento é a remoção do (s) fator (es) etiológico (s) e excisão cirúrgica (dependendo do tamanho e localização da lesão).

Eritroplasia (Eritroplasia de Queyrat)
É definida como uma placa vermelha que não pode ser diagnosticada clínica ou patologicamente como qualquer outra lesão. Esta lesão pré-cancerizável acomete predominantemente homens (principalmente aqueles que consumem álcool e tabaco cronicamente) entre 65-74 anos com o assoalho de boca, língua e palato mole representando os locais mais comuns de envolvimento.

A mucosa alterada apresenta-se como uma mácula ou placa eritematosa bem demarcada, com uma textura macia e aveludada.
Histopatologicamente essas lesões representam em sua maioria displasia epitelial grave, carcinoma in situ ou carcinoma de células escamosas.
O tratamento é a excisão cirúrgica com controle periódico devido à alta taxa de recorrência.

Fibrose Submucosa Bucal
É uma condição pré-cancerígena, crônica, progressiva, que deixa cicatriz de alto risco da mucosa bucal, sendo caracterizada por uma rigidez de intensidade variável, causada por uma hiperplasia fibroelástica e modificação do tecido conjuntivo superficial.

A mucosa jugal, a região retromolar e o palato mole são as regiões mais acometidas desenvolvendo uma palidez semelhante a mármore, com erupções e um endurecimento progressivo dos tecidos subepteliais, principalmente em jovens mascadores de bétel (mistura de noz – de – areca, visgo hidratado, tabaco e folha de bétel), cujas principais reclamações são o trismo, estomatopirose e leucoplasias.

O tratamento consiste na remoção do agente etiológico, aplicação de corticosteróides, excisão dos feixes fibrosos e atualmente injeções intralesionais com interferon gamma.

Ceratose Actínica (Ceratose solar)
Lesão cutânea pré-maligna causada pela radiação ultravioleta cumulativa na pele exposta ao sol, especialmente em pessoas de pele clara.

As lesões são encontradas em pessoas mais velhas (normalmente acima dos 40 anos) afetando a face, o pescoço, o dorso das mãos, os antebraços e o couro cabeludo de homens carecas. Aparecem como placas escamosas irregulares, variando do branco ao marrom, podendo sobrepor um fundo eritematoso.

O tratamento é feito com crioterapia (nitrogênio líquido), aplicação tópica de 5-fluorouracil, curetagem ou excisão cirúrgica.

Queilose Actínica (Queilite actínica)
É uma alteração pré-maligna do vermelhão do lábio inferior, que resulta da exposição excessiva ou por longo período ao componente ultravioleta da radiação solar. Tem forte predileção pelos homens, principalmente acima dos 45 anos de idade que trabalham expostos ao sol.

A lesão é representada inicialmente por atrofia da borda do vermelhão do lábio inferior. Com a progressão da lesão surgem áreas ásperas e escamosas, podendo desenvolver ulceração focal crônica, principalmente nos casos associados ao trauma brando por causa de cigarro ou cachimbo.

As lesões são irreversíveis e os pacientes devem ser orientados a utilizarem protetor labial.
Em casos graves de displasia epitelial executa-se uma vermelhonectomia.
       
Ceratoacantoma (Pseudocarcimoma)
É uma proliferação epitelial autolimitante, com forte semelhança clínica e histopatológica com o carcinoma de células escamosas bem-diferenciado.

Apresenta-se como um nódulo em forma de cúpula, séssil, bem demarcado e firme, com um tampão de ceratina central, o qual geralmente está ausente nas lesões intra-orais. O crescimento é rápido com um aumento de diâmetro dentro de 6 semanas tendo uma regressão espontânea dentro de 6 a 12 meses.

A excisão cirúrgica é indicada para fins de diagnóstico ou de estética, devido a presença de uma cicatriz depressiva após a regressão da lesão.

Estomatite Nicotínica (Palato do fumante)
Lesão comumente encontrada em homens mais velhos (+ 45 anos) fumantes (principalmente de charuto e cachimbo) que se caracteriza por uma mucosa espessada difusamente branca ou acinzentada; são notadas numerosas pápulas elevadas com pontos vermelhos centrais que são as saídas dos ductos das glândulas salivares menores.

O hábito do fumo invertido produz uma ceratose palatina pronunciada, ou palato do fumante invertido, que possui potencial para desenvolver carcinoma.

A lesão é reversível após o paciente abandonar o hábito.

Carcinoma De Células Escamosas (Carcinoma Epidermóide)
Aproximadamente 94% de todas as malignidades da boca são carcinomas de células escamosas, perfazendo o tumor mais frequente desta região e o segundo de pele. A causa desta lesão é multifatorial (fatores extrínsecos e fatores intrínsecos) e sua apresentação clínica é variável (exofítica, endofítica, leucoplásica, eritroplásica, eritroleucoplásica).

Carcinoma do vermelhão do lábio: inicialmente observam-se placas brancas espessas ou áreas de eritema, com o avanço da lesão verifica-se uma área de crosta fixa, circundada por bordas roliças e elevadas com ulceração central.

Carcinoma intra-oral: a lesão normalmente é achatada, lisa ou granular, e pode apresentar-se como uma massa ulcerada eritroplásica com o decorrer do tempo.

Carcinoma Orofaríngeo: representa uma ulceração inicial que adquire um padrão exofítico com uma superfície papilar com sulcos profundos.

A disseminação metastática ocorre através dos linfáticos para os linfonodos ipsilaterais cervicais, sendo as metástases distantes encontradas nos pulmões, fígado e ossos.

O tratamento depende da evolução e localização da lesão, podendo o tumor ser tratado por remoção cirúrgica, radioterapia ou a combinação de ambos.

Carcinoma Verrucoso (Tumor de Ackerman)
Lesão variante de baixo grau do Carcinoma de célula escamosas bucal, encontrado principalmente em homens acima de 55 anos, envolvendo o vestíbulo mandibular, a mucosa jugal e o palato duro.

A lesão aparece como uma placa espessa, difusa, bem demarcada e indolor, com projeções papilares superficiais ou verrucosas variando da coloração branca a eritematosa. A tumoração apresenta um crescimento lento, a sua disseminação primária ocorre lateralmente e é destrutiva localmente.

O tratamento é a excisão cirúrgica.

Carcinoma De Células Basais (Epitelioma de células basais)
Representa o câncer de pele mais comum, localmente invasivo disseminando-se lentamente a partir da camada de células basais da pele e seus apêndices, resultando principalmente da exposição crônica à radiação ultravioleta.

O neoplasma é uma doença de adultos brancos especialmente aqueles acima de 40 anos e pele muito clara. A lesão começa como uma pápula firme e indolor que cresce lentamente formando uma depressão central. Com a evolução, as lesões não tratadas ulceram e destroem as estruturas adjacentes. Lesões menores (< 1cm) devem ser excisadas com margem de 5mm.

Excisão cirúrgica radical e radioterapia são indicadas para lesões maiores ou agressivas.

Melanoma (Melanocarcinoma)
É um neoplasma maligno de origem melanocítica, que surge de uma lesão benigna ou de melanócitos da pele ou mucosa que sofreram alterações em suas estruturas celulares.

Os danos causados pela radiação ultravioleta representam o principal agente etiológico dessa malignidade que é o terceiro câncer de pele mais comum. A maioria dos melanomas é observada em adultos brancos com média de idade de 50 – 55 anos.

As lesões intra-orais são raras, mas extremamente agressivas, sendo a localização mais comum o palato e a gengiva. A coloração varia do marrom ao negro-azulado, podendo ser achatada, nodular ou ulcerada. O seu contorno pode ser regular inicialmente, passando a irregular com áreas de pigmentação adjacente. O tumor pode apresentar-se como uma lesão única ou múltiplas áreas de intensa pigmentação melânica entremeadas por mucosa normal adjacente.

Como as semelhanças entre o melanoma e o nevo melanocítico são muitas, foi desenvolvido o Sistema ABCD para distinção clínica entre as duas entidades.

O tratamento é a remoção cirúrgica com ampla margem de segurança; a radioterapia, a quimioterapia e a imunoterapia são empregadas como adjuvantes, dependendo do grau da extensão da doença.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER