Incidência de melanoma cutâneo, carcinomas basocelular e espinocelular na cidade

Incidência de melanoma cutâneo, carcinomas basocelular e espinocelular na cidade
MEDICINA
1. Introdução
O câncer de pele é o câncer humano mais comum. Embora não se conheça precisamente a causa da transformação cancerígena, sabe-se que existem inúmeros fatores carcinogênicos. Desses fatores os mais conhecidos e agressivos à pele são os raios ultravioleta, as radiações ionizantes, por exemplo, os raios X, o calor, e o traumatismo. Existem ainda fatores químicos e biológicos que são potencialmente carcinogênicos, tais como arsênico e hormônios, respectivamente.

O melanoma é um tumor maligno que tem origem dos melanócitos, sendo o câncer de pele menos comum e o mais agressivo. "Tratado adequadamente, o melanoma cutâneo restrito à epiderme (melanoma in situ) é curável em praticamente 100% dos casos" (LOPES, 2008, p.557).

A maioria dos casos são relatados em brancos, atingindo adultos jovens e pessoas idosas, uma vez que a radiação que atinge a pele tem efeitos cumulativos. Das radiações que somos expostos diariamente, a radiação ultravioleta ß é considerada a maior responsável pelo desenvolvimento de melanomas cutâneos devido ao seu alto potencial neoplásico. Células basais da epiderme expostas à carcinógenos também podem sofrer mutações caracterizando o carcinoma basocelular.

Azulay (2000, p.333) afirma ser o carcinoma basocelular constituído por células morfologicamente semelhantes às células basais da epiderme, com capacidade invasiva localizada, porém destrutiva, sem, entretanto, dar metástases, sendo esta neoplasia maligna a de melhor prognóstico. Este tipo de câncer cutâneo é o mais comum, ocorrendo frequentemente em pessoas brancas e na idade adulta, raramente acometendo negros devido à proteção do pigmento quanto à radiação solar.

Por outro lado, o carcinoma espinocelular tem origem na camada média da epiderme, sendo mais comum e menos agressivo que o melanoma cutâneo e mais incidente que o basocelular. Harrison (2008, p.546) observa que esta patologia possui características clínicas que variam muito, podendo crescer e enviar metástases rapidamente. Tal como os outros dois tipos citados acima, o carcinoma espinocelular afeta pessoas brancas, geralmente idosos, com pré-disposição hereditária ou que foram submetidas a altas taxas de radiação solar durante a vida.

Para um diagnóstico preciso e coerente, deve-se levar em conta o histórico familiar do paciente, o número de nevos espalhados pelo corpo, o tempo de exposição à radiação ultravioleta e, em caso de confirmação para neoplasia cutânea maligna, deve-se fazer um mapeamento linfático. Através desse mapeamento, será analisada a região responsável pela drenagem da área lesionada, encontrado o linfonodo que recebe a maior quantidade de linfa da lesão (linfonodo sentinela) seguido da biopsia do mesmo para confirmação de possível metástase linfática.

Algumas medidas podem ser adotadas para a prevenção de tais carcinomas cutâneos, como uso adequado de roupas (por exemplo, roupas claras), utilização rotineira de filtro solar com fator de proteção solar (FPS) maior ou igual a 15, realização do autoexame cutâneo e redução à exposição solar, principalmente das 10h às 16h.2. Objetivos
O presente estudo tem como objetivo demonstrar, dentre os carcinomas basocelular, espinocelular e melanoma cutâneo qual é o mais incidente na cidade de Itaperuna e região. Os resultados serão relacionados com a profissão e a faixa etária dos pacientes tratados com quimioterapia e radioterapia do hospital São José do Avay.

3. Metodologia
Para este estudo, foram escolhidos os pacientes tratados e em tratamento com quimioterapia e radioterapia do hospital São José do Avay da cidade de Itaperuna. Por atender as cidades vizinhas de Itaperuna, os dados incluem pacientes não residentes na cidade de Itaperuna, porém tratados no referido hospital. Foi solicitada autorização da administração do Hospital São José do Avay e, posteriormente o projeto foi encaminhado aos médicos responsáveis pelo setor de Oncologia do hospital.

Seguindo os critérios de inclusão e exclusão, os profissionais citados acima receberam informações sobre o estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram analisados, então, os prontuários com o intuito de selecionar os pacientes acometidos pelos carcinomas basocelular, espinocelular e melanoma cutâneo. Realizou-se um estudo qualiquantitativo, analisando dados segundo estatística descritiva em um período de vinte e oito dias, o qual abrangeu 115 pacientes. As informações levantadas sobre a vida de tais indivíduos, como faixa etária, atividade profissional, pigmentação da pele e residência foram armazenadas em um banco de dados a fim de comparar a incidência das neoplasias em estudo com os itens mencionados acima.

4. Desenvolvimento

Dentre todos os tipos de câncer, os tumores da pele lideram o ranking mundial. "Cerca de 80% dos tumores cutâneos são carcinoma basocelulares, 15% carcinoma espinocelulares e 5% melanomas" (LOPES, 2006, p.3092). A incidência do câncer de pele aumenta a cada ano e as práticas de bronzeamento artificial, exposição à luz do sol, o calor, a degradação do meio ambiente e a consequente destruição da camada de ozônio contribuem para este quadro.

O carcinoma basocelular (CBC) é o tipo de câncer mais comum entre as neoplasias cutâneas malignas. Lopes (2008, p.552) afirma que apesar de ter havido aumento significativo da incidência em indivíduos com menos de 50 anos, os idosos são os mais afetados. É mais prevalente em adultos do sexo feminino. Este câncer tem origem na camada basal da epiderme, podendo surgir como um nódulo perolado pequeno, translúcido e brilhante de coloração amarelo-palha.

De modo geral pode apresentar dor e/ou sangramento, com pequenos vasos telangiectásicos na superfície da lesão (CBC nodular) que eventualmente pode se apresentar corada, melaninizada (CBC pigmentado). Esta característica variável pode, na maioria das vezes, levar a uma confusão clínica com o melanoma cutâneo, devido à similaridade na apresentação física.Há ainda, subtipos mais agressivos que se manifestam como placas endurecidas, amareladas ou esbranquiçadas, planas ou levemente deprimidas, das quais as margens (tipicamente indiferenciáveis) se associam a um maior potencial de disseminação (HARRISON, 2008, p.546), podendo ulcerar ou não. Geralmente, este tipo de lesão aparece em pele sã, sem comprometimento ganglionar ou sistêmico, surgindo preferencialmente na região cefálica, tronco e membros. Na presença de metástases há disseminação para os ossos, pulmões e linfonodos.

Semelhantemente, o carcinoma espinocelular pode crescer e ulcerar, frequentemente ocorrendo na cabeça, no pescoço e membros superiores. Esta neoplasia é originária das células da pele e mucosa, anteriormente lesadas por queimaduras e/ou exposição solar, com grau variável de disseminação metastática.

Segundo Lopes (2006, p. 3101), "acomete mais o sexo masculino na proporção de 2:1, sendo responsável por cerca de 15% das neoplasias epiteliais malignas". Os carcinomas espinocelulares caracterizam-se por crescimento progressivo e muito rápido, quando comparado aos carcinomas basocelulares. É de consenso geral que este tumor cutâneo manifesta neurotropismo por terminações nervosas adjacentes à lesão primária, consequentemente o paciente poderá apresentar como sintomas formigamento, déficit motor e paralisia local. As lesões apresentam-se como um nódulo duro, sobrelevado de bordas irregulares, com área central incrustada ou ulcerada que costumam apresentar sangramento espontâneo.

Harrison (2008, p. 547) acredita que a frequência metastática desta neoplasia é mais encontrada nos linfonodos regionais, sendo os tumores de lábio e orelha dotados de menor potencial metastático em relação às ulcerações crônicas e da superfície genital ou mucosa. O melanoma cutâneo é o mais maligno e o menos comum dos tumores cutâneos originando-se dos melanócitos. Existem quatro tipos de melanomas: melanoma de disseminação superficial ou radial, melanoma nodular, melanoma maligno lentigo e melanoma lentiginoso acral. Esses tipos de melanoma podem ser identificados e diferenciados de simples nevos ou sinais dérmicos observando-se a regra do ABCD: assimetria da lesão, bordas irregulares, coloração e diâmetro. (LOPES, 2008).

Nevos pré-existentes que apresentem modificação no seu formato, cor, superfície ou aparecimento clínico de uma lesão pigmentada indicam sinais de melanoma. Ocorrem metástases por via linfática, nas bordas do tumor (microssatelitose e lesões-satélite) e nos gânglios regionais. Já as metástases por via sangüínea, atingem a pele, pulmões, fígado e encéfalo frequentemente. "Modificações indicadoras de malignização são: sensação de prurido, alterações da pigmentação e do tamanho da lesão, inflamação, ulceração e sangramento; um sinal indubitável é o derrame de pigmento além das bordas da lesão." (AZULAY, 2008, p. 574).5. Resultados
O estudo em questão trata dos casos de neoplasias cutâneas malignas diagnosticas nos últimos sete anos, correspondendo a, aproximadamente, 16 casos ao ano. Dos 115 (100%) prontuários analisados, 35 pessoas (30,43%) apresentavam o carcinoma basocelular, 74 pessoas (64,35%) o carcinoma espinocelular e apenas 6 pessoas (5,22%) melanoma cutâneo. Analisando apenas as neoplasias cutâneas não-melanocíticas em estudo, em 33,11% dos pacientes foram diagnosticados carcinoma basocelular e em 67,89%, espinocelular.

Em relação à pigmentação da pele, houve predomínio de brancos, representando 83,48%. Pardos corresponderam a 11,30% e negros, 5,22% do total. No que diz respeito à faixa etária não foram registrados casos em pacientes menores de 20 anos. A partir desta idade os números aumentam progressivamente, sendo registrados 03 casos (2,61%) em pacientes que tinham entre 20 e 30 anos, 06 casos (5,22%) em pessoas entre 30 e 40 anos, 19 casos (16,52%) em indivíduos entre 40 e 50 anos e, finalmente, 87 casos (75,65%) nos pacientes que apresentavam idade superior a 50 anos.

Tendo em vista que o hospital São José do Avay além de atender a população de Itaperuna, também assiste às cidades vizinhas, os seguintes resultados foram descritos: Itaperuna correspondeu a 30,43% dos pacientes em tratamento; Bom Jesus do Itabapoana 10,43%; Campos dos Goytacazes 9,57%; Natividade 6,96%; Miracema 6,09%; sendo os 36,52% restantes correspondentes a outras 22 pequenas cidades da região.

Em se tratando da atividade profissional dos pacientes, verificou-se alta incidência de tumores cutâneos em lavradores (60,87%), incidência considerável em mulheres donas do lar (10,43%). Pedreiros e Serventes representaram 3,48% do total e, mecânicos, 2,61%. Outras profissões indicam o complemento percentual de 22, 61%. Quanto ao sexo, 73,04% dos pacientes eram do sexo masculino e 26,96% pertenciam ao sexo feminino. Nos carcinomas basocelular e espinocelular, as mulheres representaram menor incidência: 34,29% e 24,32%, respectivamente, em relação aos homens que marcaram 65,71% e 75,68%.

Os resultados anuais oscilaram nos últimos sete anos, atingindo seu mínimo nos anos de 2002 e 2005, em que foram registrados apenas 09 casos (7,83%) e, seu máximo no ano de 2006 com 21 casos (18,26%) do total.6. Discussão
A faixa etária, bem como a cor da pele são importantes agravantes em relação ao câncer de pele. Sabe-se que os efeitos da radiação sobre a pele é cumulativa, de modo que se observou alta incidência de tumores cutâneos em indivíduos acima dos cinqüenta anos e índices baixos ou nulos em adultos e jovens.

Pessoas de pele clara são mais propensas aos efeitos da radiação solar, por apresentarem baixa proteção devido à reduzida concentração de melanina nos tecidos cutâneos. Com efeito, em pardos e negros os índices de neoplasias cutâneas são indubitavelmente reduzidos.

Observou-se ainda que, dentre as neoplasias cutâneas não melanocíticas, o número de pacientes com carcinoma espinocelular foi consideravelmente elevado em relação ao carcinoma basocelular, o que refuta a hipótese levantada originalmente. Ao contrário disso, na maior parte do mundo o carcinoma basocelular representa cerca de 80% dos casos, enquanto o carcinoma espinocelular atinge apenas 20%.

Por outro enfoque, os baixos números de melanoma cutâneo registrados coincidem com a expectativa global. Estudos recentes revelam que tumores da pele são mais comuns em indivíduos do sexo masculino que em mulheres, o que se relaciona intimamente com os resultados da pesquisa. Nesse vértice, o carcinoma basocelular é mais comum em mulheres, o que contrasta com o estudo em questão, onde os mais afetados foram os indivíduos do sexo masculino.

De outro norte, as taxas registradas sobre o carcinoma espinocelular correspondem com as estatísticas gerais. Considerando a atividade profissional, observou-se que lavradores corresponderam a mais de 60% dos casos registrados e mecânicos apenas 3%, aproximadamente. Tais percentuais eram de se esperar, uma vez que a incidência está diretamente relacionada com o tempo de exposição solar.

Os índices de carcinomas cutâneos oscilaram em um período de sete anos. No período de 2002 a 2006, houve um aumento discrepante dos índices, apresentando uma variação superior a 10%. Estes dados estão de acordo com as estatísticas atuais, que revelam crescente incidência em praticamente todo o planeta. Por outro lado, no período que corresponde aos anos de 2007 a 2009, houve um decréscimo razoável do número de indivíduos afetados, sendo a variação de aproximadamente 5%.7. Conclusões
Comprovou-se neste estudo, que a incidência do carcinoma espinocelular na cidade de Itaperuna e região sobrepõe-se às do basocelular e melanoma. Estes índices estão relacionados à atividade profissional e à faixa etária dos indivíduos, o que foi constatado por esta pesquisa, na qual lavradores, de pele branca, acima de cinquenta anos indicaram a classe mais atingida.

Por consequência, este estudo serviu como base para o avanço de novas pesquisas na área oncológica e dermatológica, instigando o esclarecimento de inúmeras questões-problema que ainda norteiam o tema. Agradecimentos À Oncologia do Hospital São José do Avay, Doutor Renan Catharina Tinoco e Doutor Túlio Tinoco dos Santos. A todos os amigos da Universidade Iguaçu Campus - V pelo carinho, apoio e compreensão que de alguma forma colaboraram durante a execução do presente estudo.

Referências
[1] AZULAY, Rubem David. Dermatologia. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
[2] ______. Dermatologia. 5.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
[3] BOYER, Ford Judkins. Oncologia na Clínica Geral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
[4] CECIL, Russel L. Tratado de Medicina Interna. 22.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005..
[5] DU VIVIER, Anthony. Atlas de Dermatologia Clínica. 2.ed. São Paulo: Manole,1995.
[6] GOMES, Roberto. Oncologia Básica. Rio de Janeiro: Revinter, 1997.
[7] LOPES, Ademar. Oncologia para a Graduação. 2.ed. São Paulo: Tecmedd, 2008.
[8] LOPES, Antônio Carlos. Tratado de Clínica Médica. Vol. 2. São Paulo: Roca, 2006.
[9] HARRISON, Tinsley Ransolph. Medicina Interna. 17.ed. Rio de Janeiro: Macgraw-Hill, 2008.
[10] SAMPAIO, Sebastião de A. Prado. Dermatologia. 2.ed. São Paulo: Artes Médicas, 2000. 

Relber Aguiar Gonçales
Mestrando da Universidade de São Paulo, bolsista CAPES. Tem experiência em Biologia Molecular, atuando principalmente nos seguintes temas: controle biológico, bioinseticida, Bacillus sphaericus, Culex quinquefasciatus e Pichia pastoris. Expressão de proteínas recombinantes com ação inseticida (Bina e Binb, Mtx2 e Mtx3), proteínas candidatas a vacinas (NcSRS2), desenvolvimento de testes imunodiag
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