Câncer de Estômago Associado a Infecção pelo H. pylori

Câncer de Estômago Associado a Infecção pelo H. pylori
MEDICINA
O câncer gástrico ( CG ) é uma das principais causas de óbito por câncer em ambos os sexos no Brasil e no mundo [1,2]. Atualmente, tem-se associado a infecção pelo Helicobacter pylori ( H. pylori ) como um importante fator de risco determinante para o desenvolvimento na carcinogênese gástrica [ 3 ]; embora a etiologia do câncer de estômago seja multifatorial, envolvendo fatores dietéticos e não dietéticos; com relação a alimentação caracteriza-se por elevada ingestão de sal e nitrato [ 4 ].

O desenvolvimento do CG, induzido pela infecção do H. pylori, compreende um processo contínuo e evolutivo a longo prazo, por meio de uma sequência de lesões pré-cancerosas e alterações histopatológica na mucosa gástrica, incluindo gastrite crônica até gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e neoplasia [ 5,6 ].

Isso decorre de um complexo processo de múltiplas variações envolvendo genética múltipla e alterações epigenéticas de oncogenes, supressores de tumor, genes de reparação, reguladores do ciclo celular e moléculas de sinalização [ 6 ].

H. pylori , é uma bactéria gram-negativa encontrado na superfície luminal do epitélio gástrico em processos infecciosos, são em forma de espiral com flagelos polares; foi isolado pela primeira vez por Warren e Marshall, em 1983 [ 7 ].

A colonização da mucosa gástrica por H. pylori ocorre geralmente na infância, com maior vulnerabilidade em crianças cujo padrão socioeconômico é precário, particularmente nos países em desenvolvimento [ 8 ].

Seu mecanismo de transmissão ainda não está totalmente claro; de grande importância prática as principais vias são oral-oral, oral-fecal e gastro-oral [ 9 ]. Devido a recorrência da infecção entre indivíduos de uma mesma família, a transmissão intrafamiliar têm sido atribuído como o modo predominante de contaminação [ 10 ].

Baseado em artigos da literatura, câncer gástrico ( CG ) é uma doença maligna do estomago cuja manifestação corresponde a um crescimento descontrolado das células e assim como outros tumores malignos possuem a capacidade de migrarem de seu local de origem, disseminando-se para sítios distantes; a maioria tem origem glandular sendo considerados adenocarcinomas [ 11 ].

Tradicionalmente o CG é dividido em dois tipos histológicos principais, o tipo intestinal e o tipo difuso, de acordo com a classificação de Lauren ( Lauren, P.; 1965 ), consiste em uma classificação de base morfológica; dividindo os carcinomas gástricos em tipo intestinal e tipo difuso. A infecção com H. Pylori está relacionada à ambos os tipos de carcinoma; outras classificações podem ser caracterizadas a fim de ajudar no prognóstico dos diferentes tipos de tumor e deverá ter relação com a histogênese e, se possível, com a etiologia dos diferentes tipos de tumor [ 12 ].

Dados atuais indicam que a erradicação do H. pylori em indivíduos infectados e sem apresentação de lesões pré-cancerosas, resulta em diminuir significativamente o risco de CG [ 1 ]. O tratamento de primeira linha de acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia-FBG ( Abril, 2012 ) segue um esquema terapêutico baseado nas recomendações dos consensos ( Espanha, 2005; Brasil, 2005; Itália, 2007; AGA, 2007; Maastricht, 2007; China, 2008; Ásia-Pacífico, 2009 ), considera a tríplice terapia como sendo um esquema padrão; com o uso de um agente inibidor da bomba de prótons-IBP e mais dois agentes antimicrobianos.

No entanto, ao longo do tempo a bactéria adquiriu resistência a algumas classes de antibióticos como, por exemplo, a claritromicina, o metronidazol e a amoxicilina considerados os mais importantes na terapia de erradicação [ 13,14 ]. À luz da evidência científica, este trabalho tem por objetivo compreender a patologia do câncer de estomago associada a infecção pelo Helicobacter pylori, bem como os seus mecanismos de transmissão, prevenção, erradicação e diagnóstico.

Referências Bibliográficas
1. Gallo, J.R.; Harris, E.J.; Krishna, U.; Washington, M.K.; Perez-Perez, G.I.; Peek Júnior, R.M. Effect of Helicobacter pylori eradication on gastric carcinogenesis. Laboratory Investigation (2008) 88, 328-336.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva ( INCA ). Incidência de Câncer no Brasil. Estimativa 2012. [ Internet ]. [ Acesso 2012 Outubro ]. Disponível em : htt // www.inca.gov.br/estimativa/2012
3. Sureka C.; Ramesh T. Molecular assessment of c-H-ras p21 expression in Helicobacter pylori-mediated gastric carcinogenesis. Molecular and Cellular Biochemistry. 362 (1-2) (pp 169-176), 2012.
4. Hemminki, K.; Sundquist, J.; Ji, J. Familial risk for gastric carcinoma: an updated study from Sweden. British Journal of Cancer (2007) 96, 1272-1277.
5. Watanabe, T.; Tada, M.; Nagai, H.; Sasaki, S.; Nakao, M. Helicobacter pylori infection induces gastric cancer in Mongolian gerbil. Gastroenterology, 1998. 115:642-648.
6. Shimizu, T.; Marusawa, H.; Chiba, T. Recurrent Somatic Mutations in Human Gastric Cancers Identified by Whole Exome Sequencing. Gastroenterology. 2012;143:1385-1395
7. Kenneth, E.L.; McColl, M.D. Helicobacter pylori Infection. New England Journal of Medicine 2010;362:1597-604.
8. Kawakami, E.; Machado, R.S.; Fonseca, J.A.; Patrício, F.R.S. Aspectos clínicos e histológicos da úlcera duodenal em crianças e adolescentes. Jornal de Pediatria/Sociedade Brasileira de Pediatria (Rio J). 2004;80(4):321-5:
9. Cartágenes, V.D.; Martins, L.C.; Carneiro, L.M.; Barile, K.A.S.; Corvelo, T.C. Helicobacter pylori em crianças e associação de cepas CagA na transmissão mãe-filho na Amazônia brasileira. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 42(3):298-302, mai-jun, 2009. 10. Moya D.A., Crissinger K.D. Helicobacter Pylori persistence in children: Distinguishing inadequate treatment, resistant organisms, and reinfection. Current Gastroenterology Reports. Volume 14, Number 3 (2012), 236-242 - Springer
11. Nogueira, A.M.M.F.; Barbosa, A.J.A.; Brasileiro Filho, G.; Raso, P. Tubo Digestivo - Peritônio. In: Bogliolo, Patologia / [ Editor ] Geraldo Brasileiro Filho. 7º Edição. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2006. p. 660-730.
12. Silva, M.; Azenha, D.; Pereira, C.; Almeida, A.; Balseiro, S.; Sampaio, A.M.; Santos, P.; Carvalho, L. Carcinoma Gástrico e Gastrite Crônica Regulação Epigenética por Metilação dos Genes CDH1 ( Caderina - E ), CDKN2A ( p16 INK4A ), PTGS2 ( COX2 ) e EGFR. Acta Médica Portuguesa, 2010.23:005-014.
13. Brito, C.; Almeida, J.R. Helicobacter pylori não Erradicado com o Esquema Tradicional - O que Fazer ? FBG em Notícia [ Periódico na Internet ]. Abril 2012 [ Acesso em Novembro 2012 ]; Ano 1- Nº 1 [ p. 10 ]. Disponível em: http//www.fbg.org.br A
14. Trespalacios, A.A.; Regino, W. O.; Reyes, M.M. Resistencia de Helicobacter pylori a metronidazol, claritromicina y amoxicilina en pacientes colombianos. Rev Col Gastroenterol / 25 (1) 2010. - Nº 1 - Abril de 2012

Itamar José Moreira
Farmacêutico; possui graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Nove de Julho - UNINOVE. Pós-graduado em Farmácia Clínica em Oncologia pela Universidade Estácio de Sá - UNESA.
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