A Sociedade em Redes

A Sociedade em Redes
PEDAGOGIA
A existência de uma sociedade em redes tem seu principal expoente o sociólogo espanhol Manuel Castels.

Castels (2006) afirma que neste princípio do século XXI o mundo moderno vive numa encruzilhada do desenvolvimento da sociedade em rede. Neste momento histórico se observa uma crescente contradição entre relações sociais tradicionais de produção e a potencial expansão de forças produtivas formidáveis.

O potencial humano envolvido em novas tecnologias de comunicação e de genética, em redes, em novas formas de organização social e de invenção cultural, é verdadeiramente extraordinário. Castels (2006) afirma que os sistemas sociais existentes travam a dinâmica da criatividade e, se desafiados pela competição, tendem a implodir.

Castels (2006) afirma que o setor público é na contemporaneidade um ator fundamental no sentido de ampliar e conformar a sociedade em rede. No devir histórico os indivíduos inovadores, as comunidades inseridas no movimento contracultura e as empresas privadas deram uma grande contribuição nesse processo, ao constituir uma sociedade com novos paradigmas e ao difundi-la por todo o mundo.

A moldagem e o direcionamento da sociedade estão como sempre estiveram, nas mãos do setor público, apesar de o discurso ideológico esconder esta realidade. Para Castels (2006), o setor público é a esfera da sociedade em que as novas tecnologias de comunicação estão menos difundidas e os obstáculos à inovação e ao funcionamento em rede são mais pronunciados.

Vale a pena destacar que o modelo burocrático e racional de Estado foi teorizado por Max Webber no início do século XX e 100 anos após essa formulação o capitalismo deu um salto gigantesco no desenvolvimento das forças produtivas, transformando sobremaneira as relações sociais e que de acordo com Castels (2006, p. 27) passou a ter um novo espectro.

Na base de todo o processo de mudança social está um novo tipo de trabalhador, o trabalhador autoprogramado, e um novo tipo de personalidade, fundada em valores, uma personalidade flexível capaz de se adaptar às mudanças nos modelos culturais, ao longo do ciclo de vida, porque tem capacidade de dobrar sem se partir, de se manter autônoma (sic), mas envolvida com a sociedade que a rodeia.

Este inovador ser humano produtivo, em plena crise do patriarcalismo e da família tradicional, requer uma reconversão total do sistema educativo, em todos os seus níveis e domínios. Isto refere-se, certamente, a novas formas de tecnologia e pedagogia, mas também aos conteúdos e organização do processo de aprendizagem.

Tão difícil como parece, as sociedades que não forem capazes de lidar com estes aspectos irão enfrentar maiores problemas sociais e económicos, no actual (sic) processo de mudança estrutural. Por exemplo, uma das grandes razões para o sucesso do Modelo Finlandês na sociedade em rede reside na qualidade do seu sistema educativo, em contraste com outras zonas do mundo. Outro exemplo são os EUA, onde uma grande parte da população está alheada do sistema de gestão do conhecimento, largamente gerado no seu próprio país.

Castels (2006) completa essa análise, assim como Marshal (1967), afirmando que a política educacional cumpre um papel central nesse processo. Porém, Castels destaca que não é qualquer tipo de educação ou qualquer tipo de política. Para o sociólogo espanhol a educação deve ser baseada no modelo de aprender a aprender, ao longo da vida, e preparada para estimular a criatividade e a inovação objetivando a aplicabilidade desta capacidade de aprendizagem a todos os domínios da vida social e profissional.
Castels (2006) busca esclarecer que com o a organização da sociedade em rede gerou mais eficiência para economia global, mas causou graves problemas no campo social. Esse processo se fundamenta na contradição, pois ao obter maior produtividade com menos recursos humanos gera um processo de exclusão social. Logo, a correção deste processo de exclusão massivo requer uma política pública internacional.

A saída seria a instituição de políticas públicas que atacassem a raiz do problema, não de maneira paliativa e caritativa, mas, implementar um novo modelo de desenvolvimento no campo tecnológico, de infraestruturas, de educação, e principalmente de difusão e gestão do conhecimento.

Em um mundo de negócios intelectualmente conservador pode se travar as novas ondas de inovação, das quais a economia criativa e o sistema redistributivo da sociedade em rede dependem, tendo um alcance planetário. Castels (2006) esclarece que outro fator chave neste processo para os que só agora chegaram à competição global são os direitos de propriedade.

Por isso, os acordos internacionais para a redefinição dos direitos de propriedade intelectual, que começaram com a já enraizada prática do software de fonte aberta, são fundamentais para a preservação da inovação e para a dinamização da criatividade das quais depende o progresso humano.

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