A clamídia Chlamydia trachomatis

A clamídia Chlamydia trachomatis
MEDICINA
Chlamydia trachomatis é uma bactéria obrigatoriamente intracelular que só pode viver parasitando as células que ela infecta.

A Chlamydia trachomatis é o agente causador de doenças do trato urogenital, linfogranuloma venéreo (LGV), tracoma, conjuntivite de inclusão e pneumonia no recém-nascido. O maior impacto da infecção por clamídia ocorre no sistema reprodutivo; em geral, é assintomática em até 50% dos homens e em 70% das mulheres.

No homem, a clamídia é responsável por 30% a 50% dos casos de uretrite não-gonocócica, e, quando não-tratada, pode levar à síndrome de Reiter. Uma característica desta síndrome é a recorrência, e inclui uretrite, artrite, uveíte e, freqüentemente, lesões de pele e de membranas mucosas.

Na mulher, a infecção genital pode causar salpingite, cervicite, uretrite, endometrite, doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade e gravidez ectópica. Quando sintomática, observam-se corrimento vaginal, disúria e sangramento após as relações sexuais.

A infecção se inicia usualmente pela endocérvice, podendo ocorrer na uretra e no reto, sendo incomum apenas na uretra (5% a 30%). Ocorre mais freqüentemente na endocérvice e na uretra, em 50% a 60% dos casos.

A ascensão do microrganismo do trato geniturinário para o endométrio e para as trompas de Falópio pode ser causa de dor no baixo ventre e de anormalidades menstruais.

O paradoxo em relação à infecção por clamídia é que, mesmo assintomática, pode causar severa imunopatologia tubária. Em gestantes, a infecção pode causar problemas como parto precoce, morte neonatal e doença inflamatória pélvica pós-parto. A gravidez ectópica pode causar morte durante o primeiro trimestre de gravidez.

A infecção por exposição perinatal ocorre em aproximadamente dois terços dos recém-nascidos de mães infectadas. A transmissão ocorre durante o trabalho de parto, sendo a causa mais comum de conjuntivite de inclusão que se desenvolve dentro de duas semanas após o nascimento e, quando não-tratada, pode causar pneumonia.

A profilaxia das conjuntivites em recém-nascidos expostos à infecção falha em 15% a 25% dos casos em mulheres. A recorrência das infecções é comum, especialmente nos indivíduos que se infectam antes dos 20 anos, e a imunidade desenvolvida é parcialmente protetora, considerando-se os 15 ou mais sorotipos da C. trachomatis. Episódios sucessivos de infecção aumentam o risco de se desenvolver seqüelas e a chance de se contrair a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana.

A Organização Mundial da Saúde estima que ocorram, anualmente, mais de 90 milhões de casos novos de infecções por clamídia em todo o mundo. Destes, 4 milhões ocorrem nos Estados Unidos, representando um custo de mais de US$ 2,4 bilhões por ano. No Brasil, não há um cálculo oficial da prevalência da infecção.

A espécie Chlamydia trachomatis pertence à família Chlamydiaceae. É responsável pela etiogenia de patologias diferentes, associadas às biovariedades tracoma, linfogranuloma venéreo e infecções genitais. Os sorotipos podem ser classificados de acordo com as diferentes apresentações clínicas: os sorotipos A, B, Ba, C estão associados ao tracoma endêmico; L1, L2, L3 ao LGV; D, E, F, G, H, I, J, K a infecções genitais e em neonatos.

É uma bactéria imóvel, com ciclo de desenvolvimento bifásico e replicação dentro de vacúolos na célula hospedeira, formando inclusões citoplasmáticas características.

A Chlamydia trachomatis tem sido considerada uma das causas mais comuns de uretrite não gonocócica nos homens e de cervicite nas mulheres.

Mulheres infectadas pela C. trachomatis podem apresentar ou não sintomas específicos ou então não apresentar quaisquer sinais ou sintomas visíveis da infecção.

Diferentes publicações citam a associação da C. trachomatis a doenças sexualmente transmissíveis (DST) que não a gonorréia, não só entre os homens, mas também entre as mulheres.

Para aquelas que apresentam algum sintoma o isolamento da clamídia tem sido de 5 a 19% dos casos, enquanto que para as mulheres assintomáticas essa percentagem varia de 3,5 a 8%.

Na coleta da amostra, quer para fins citológicos, quer para fins de isolamento, deve-se sempre considerar a quantidade de células epiteliais contidas nesse material, levando-se em conta que a clamídia é um microrganismo intracelular obrigatório, com preferência por células do epitélio colunar. Assim, a presença dessas células reflete a qualidade da amostra para diagnóstico laboratorial.

A nível genital, a zona da junção escamo-colunar e a endocérvice são as mais atingidas, mas também se observa colpites, uretrites e salpingites, com risco de esterilidade.

A citologia evidencia pequenos elementos no centro de um vacúolo citoplasmático com contornos nítidos (aspecto em traças do citoplasma); posteriormente, as células mostram múltiplos pequenos vacúolos bem delimitados e contendo uma inclusão eosinófila constituída pela condensação de partículas de Chlamydia com diâmetro de 0,3um.

Essas imagens evocam a infecção e são acompanhadas pela infiltração de numerosos polinucleares. As células metaplásicas infectadas, às vezes de grande tamanho, podem apresentar um aumento do volume nuclear com multinucleação, hipercromasia e hipertrofia nucleolar. É preciso, nesses casos, afastar a co-existência de uma lesão neoplásica.

A sensibilidade e a especificidade do método citológico não são, pois, elevadas. O diagnóstico definitivo exige a cultura das células, a detecção de antígenos por imunofluorescência ou dosagem ELISA.

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